quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A PORTA QUE DEU PASSAGEM AO SALVADOR DO MUNDO.


 



 

MARIA SANTISSIMA,
  A PORTA QUE DEU PASSAGEM AO SALVADOR DO MUNDO.
(A maior personalidade que a raça humana já produziu!)

     O Natal chegou. Amanhã é a grande noite da maior festa cristã de todos os tempos, já que comemoramos a vinda, a chegada entre nós - através do abençoado ventre da sempre Virgem Maria - há dois milênios do Messias, d'O Salvador, d'O Filho de Deus. E Êle veio com uma missão -e em condição - bastante peculiar. Tudo começou com o ato de desobediência de Adão e Eva, o pecado original que desencadeou vários outros na história da humanidade, a exemplo do segundo (pecado) e o primeiro (crime) homicídio que se tem notícia: o fratricídio de Caim. De lá para cá, Deus tem sido tão ofendido, magoado e (porque não?) zombado em seus objetivos - principalmente nesta data, quando o natalício d'O Seu Filho é festejado tão diferentemente do que  O agradaria - que Ele decidiu (naquela época) exterminar os homens da face da terra vendo que "todos os pensamentos de seu coração estavam contínuamente voltados para o mal" (Gn, 6,5). Não foi à toa que Deus enviou o Dilúvio. Até que, se compadecendo dos humanos, prometeu a Noé que nunca mais àquilo se repetiria. E simbolizou Sua palavra com o arco-íris. (Hoje, mais uma vez, o povo está desgostando o Senhor com as danças imorais, a cachaçada, uns falando mal dos outros, caluniando, invejando, atos típicos de pessoas vis, perniciosas, que aproveitam-se da ausência do seu igual para desmoralizá-lo diante dos demais, e por aí vai o rosário de maledicências que os homens são capazes)...
     Mas, óbviamente sendo quem é - Deus - Ele nos deu (e continua dando até hoje) uma nova chance, teve clemência. (Como nós, simples mortais e pecadores, deveríamos fazer com quem nos ofende, humilha e destrata). Eis que "uma virgem concebeu e deu à luz um filho" (cf, Is 7,14). Vejam bem as palavras bíblicas, irmãos protestantes: uma virgem. Naquela época tudo levava ao despotismo, a degradação moral e a idolatria. O império Romano, com toda sua arrogância e crueldade, subjugava as nações com suas legiões. A corte imperial tinha verdadeiro desprezo para com a vida humana e considerava RES (coisa) a infinidade de escravos sujeitando-os a crueldades, experiências indecorosas (incestos, sexo com animais, etc.). Não eram poucas as divindades pagãs - mundanas - que simbolizavam paixões especiais, tais como Mercúrio, Vênus, Marte, Baco... Luxúria, embriaguez, violência e sortilégio - este vê-se até hoje com pessoas ignorantes, descrentes, que procuram os magos, bruxos, camdomblezeiros, videntes, tarólogos e afins, como se eles tivessem capacidade de resolver problemas - eram vícios a serem imitados. Foi aí, então, que houve a separação entre o Povo Eleito, o qual se dividiu em várias seitas: os Saduceus, os quais aceitavam como lei únicamente os cinco livros de Moiséis; os Fariseus que, além do Pentateuco, consideravam válidos outros livros bíblicos e doutrinas recentes, como, por exemplo, a ressurreição dos mortos e a existência dos Anjos; e os Zelotas, que formavam um grupo revolucionário em luta pela independência política de Roma.
     Deus, em toda sua sabedoria e misericórdia, interviu e fez surgir a grande personagem histórica, a maior personalidade humana dentre todas as criaturas, a medianeira, a co-redentora da salvação da humanidade, Àquela que abriu caminho para a vinda do referido Salvador, d'O Messias: Maria, sempre Virgem e Santíssima, "bendita entre todas as mulheres". Com o fiat da futura Mãe de Deus, a justiça divina perdoou, mais uma vez, a raça humana e aconteceu o mistério da Encarnação: nasceu Jesus. Só que hoje, decorridos mais de dois mil anos, o povo - cada vez mais à deriva num mar de egoísmo, consumismo, ódio, vinganças, depravações e traições - continua renegando os ensinamentos do Divino Mestre e Redentor, voltando novamente as costas para Deus, dando sinais de um retrocesso, uma volta (terrível!) ao paganismo de outrora, de nossos antepassados, prostando-se diante de ídolos (falsas seitas e crenças, principalmente as de origem africanas e índigenas), as quais não podem nos oferecer salvação. Atualmente, o povo de Deus - que, infelizmente, assustadoramente, parece ser mais de satã - está voltado para o "sangue, suor e cerveja": angue dos crimes praticados frequentemente, suor dos corpos ávidos por desejos e prazeres carnais, e a cerveja, aqui (no Brasil) muitíssimo bem escolhida como representante da grande culpada por 89% dos males que afligem a humanidade: a bebedeira. (Observem o índice de acidentes e crimes que ocorrerão nestes dias de festas).
     Para acabar com tudo isto, temos a promessa de Nossa Mãe, da Rainha do céu e da terra: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!". Este será o triunfo dos triunfos: o triunfo de Jesus, uma nova Epifânia.
     Nos dias de hoje, o Natal virou sinônimo de dar-se (e receber-se) presentes ou simples lembrancinhas, conforme o bolso de cada um; do abraço desejado há muito tempo e adiado por mágoas, ressentimentos, maus-entendidos, fofocarias e calúnias de terceiros, orgulho ou por motivos diversos; do beijo sincero de quem ama verdadeiramente ou, infelizmente, do falso que odeia mas segue à risca o be-a-bá, o roteiro das festas natalinas. Natal para a grande maioria das pessoas é depravação, orgias, o ter, ter,ter e jamais o doar-se,doar-se,doar-se.O consumismo virou, no rigor da expressão, modismo. Os shoppings e os grandes centros comerciais não deixam dúvidas. Agora, e as igrejas? Os templos? A casa de Deus? Os orfanatos, asilos e abrigos, albergues para indigentes? São visitados? Natal para muitos é - e não deveria ser - uma festa do dinheiro, onde o pobre não tem vez, lugar. É a festa - e não deveria ser, repito - da gula e dos vícios, da maioria (quiçá todos!) sete pecados capitais. Amigos, saiam desta enquanto é tempo. Tranquem-se em seus quartos, imolem-se (não no corpo, claro!, mas na alma) diante do Senhor, façam uma reflexão franca e humilde de seus erros perante os irmãos. Eis que chegará, quando você menos esperar, o seu momento de dificuldade, de dor e sofrimento - pois eles chegam para todos - e aí... cadê a resposta de Deus para seus lamentos, seu pranto, se HOJE você não é solidário com quem sofre e pede socorro. O Natal não é para endividar-se até "a raiz dos cabelos", contanto que mostre aos parentes, amigos e vizinhos os móveis novos, a casa pintada, o carro (comprado em prestações que só terminarão quando você estiver estirado no caixão, a viagem dos sonhos, as roupas de "marca" (griffe), a orgia gastronômica, a devassidão dos bares e das praias onde ninguém se lembra do aniversariante, a não ser quando acontece um imprvisto (geralmente provocado pela bebida) e os corredores dos hospitais - e muitas vezes das delegacias, cemitérios - enchem-se de "fervorosos" cristãos (?) de ocasião e seus tradicionais lamentos: "ai, meu Deus!", "ai, minha Nossa Senhora!"... (?)... Pobres descrentes (já que não acreditam no que vê, quando mais Deus, que não vê) que não imaginam que o seu fim, literalmente falando, pode estar ali na esquina, na próxima hora.
     Festejar um evento, aniversário ou casamento, é muito bom. Mas, observem que o menos homenageado...é o próprio homenageado. Façam uma reflexão. Se formos ser sinceros, verdadeiros, querermos estar ao lado de quem realmente gostamos, amamos, nossas festas seriam quaze desérticas, vazias. E sabem por que? Porque na hora da lista de convidados, querendo apenas impressionar, convidamos até quem não queremos. O que não pode é sobrar espaço, sorrisos falsos e comentários mais hipócritas ainda. Vejam o exemplo de Jesus, José e Maria. Uma vida simples, apenas três pessoas, humilde, com amigos que poderia-se contar nos dedos da mão. (Pouquissimos estiveram ao pé da cruz e no enterro!). Bastou o Mestre se fazer notar como, digamos assim, "milagreiro", e o que aconteceu? O povo cercou-o de todos os lados visando únicamente benefícios para si. Depois, quando a situação se inverteu - para o lado d'Ele - todos fugiram, se esconderam, viraram as costas. Crucificaram. É como as nossas festas. Muita gente, muitos "amigos" (?) até a bebida, a comida acabar. Depois, byebye. Cadê a amizade, a (hipócrita) alegria, gargalhadas, o oba-oba? O importante é a qualidade de um verdadeiro amigo. Aquele que a gente não liga, não procura, mas ele insiste, se fáz presente não para comemorar seja lá o que for, mas participar de nossos momentos, principalmente os ruins. E não aqueles falsos, oportunistas, que só aparecem para abocanhar uma "fatia do nosso bolo". (Se é que me entendem!)...
     "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei!"...
     Hoje em dia, reitero, dois mil anos depois destas sábias palavras terem sido proferidas, temos a nitida impressão que foram outras ditas por Jesus. Um Homem que amou o seu próximo intensamente, fervorosamente, mais que a si próprio, que deu tudo de Si para agradar; um Homem, o maior deles, que se deu em holocausto, se entregou à fúria insana dos amigos-inimigos para redimir... o que? Os pecados da própria (e miserável) raça que o traiu. E o que nós estamos dando a Ele nesta data? Simplesmente traições, desamor, ódio, calúnias, vingança como resposta aos seus mandamentos. Basta abrir e ler os jornais, acessar aqui (a internet), assistir os telejornais. São crimes de toda ordem ocorrendo em todo lugar por uma única causa: dinheiro. Isto, certamente, não é a noite feliz que Jesus Cristo queria ter. Esquecemos completamente - com a euforia passageira do 13 salário, a conta bancária recheada de reais e o falso votos de Boas Festas, como se o restante do ano não existisse, não tivesse mais nenhuma importância - o aniversariante. Pai, Filho e Espirito Santo, a Santíssima Trindade, tornou-se coisa de beatas e dos protestantes, na maioria das vezes preconceituosos, recriminadores, que se auto-proclamam salvos, donos da verdade e das chaves dos céus. Coitados! "Não julgueis e não serás julgados!".
     Jesus Cristo veio ao mundo, se tornou Homem, através de Maria, por obra e graça do Espirito Santo. Nasceu paupérrimo numa manjedoura e dentro de um estábulo, sobre as palhas (e não num colchão ortopédico!), cercado por animais. Nasceu no chão, na maior expressão de humildade. Será que vocês já pararam para analisar o recado que o Todo-Poedroso quis nos dar com esse momento ímpar na história da humanidade? Será que foi coincidência todas as estalagens estarem lotadas, obrigando José e Maria a se refugiarem num lugar como àquele? Por que será que Deus não quis que Seu Filho nascesse entre os homens, mas, sim, entre os animais? A resposta pode ser dada com uma simples palavra: irracionalidade. Os animais são a mais pura expressão da inocência, não conhecem as maldades que o homem pode guardar dentro de si. José e Maria não tiveram acolhida, acesso a nenhuma casa porque era uma família pobre, sem recursos materiais. E hoje, se viessem na mesma situação, se não soubéssemos quem eram -os pais de Jesus - novamente seriam barrados, marginalizados. Imagine se alguém iria querer em plena noite de festa, de (falsas) alegrias e exibicionismo, dar abrigo para um carpinteiro e sua esposa grávida.
     Porisso o Natal, apezar de ser uma data memorável, é também símbolo da total hipocrisia humana. Um trecho bíblico nos fáz refletir sobre a nossa crueldade: "infeliz do homem que confia no próprio homem". E sabem por que? Porque o ser-humano é capaz de abraçar ao raiar do sol e apunhalar pelas costas com as trevas da noite; somos capazes de trair quem nos deu a mão, tirou do sufoco, matou a nossa fome e sede, enxugou as nossas lágrimas e curou nossas feridas;capazes de virar o rosto, dar as costas a quem sorriu para nós, enfeitiçados por outros que querem destruir uma boa amizade. O Natal perdeu - se é que algum dia teve - a sua essência: o amor. Amor puro, desinteressado, jamais egoísta.
     Maria Santíssima, a Mãe de Deus, Virgem antes, durante e depois do parto, nos deu, juntamente com seu castíssimo (Eles nunca tiveram outros filhos) esposo José, o maior exemplo de amor: entregou-se completamente nas mãos de Deus e confiou que Ele faria o melhor em suas vidas. E Ele fez: enviou Seu Único Filho para nos salvar. De nossos pecados, de nós mesmos.
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!
                                                        
                                                                                                            
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          SANFERR, 23.12.2010.



de SANFERRPRESS para todos os leitores e colaboradores(doações) da coluna:


                                                                             NOITE        FELIZ!!!

     Boas Festas é o que desejo, em nome de minha família, à todos. Que esta noite feliz, mágica, não seja apenas do vinho, da champagne (francesa ou uma simples sidra), da cerveja, das nozes, figos, avelãs, passas e uvas, do perú e do tender ostensivamente decorados. Lembrem-se que o que menos a Sagrada Família e, principalmente Jesus, o aniversariante, quer é justamente isso: ostentação. Certamente é bonito - uma tentação aos olhos, ao estômago - admirar-se uma mesa bem arrumada e farta, com todas estas delícias (aqui em casa minha mãe e tia não dispensam a ceia logo após chegarem da Missa), mas parem e pensem no real significado deste aniversário, no que Ele, o dono da festa, quer receber de nós: fraternidade, solidarieade, amor e caridade. Comemore, beba e coma à vontade, deixe a alegria tomar conta do seu ser. Mas, lembre-se do irmão, do pobre que, em sérias dificuldades, sem dinheiro no bolso e, consequentemente, pouca coisa (ou coisa nenhuma) à mesa, também é filho de Deus, irmão de Jesus e TAMBÉM está festejando o aniversário d"Ele. Sabem o meu sonho de consumo nesta época? Ter dinheiro suficiente para nesta noite sair por aí, à toa, chamando os infortunados da vida, os marginalizados pela sociedade jogados nas sarjetas da vida, para ceiarem junto comigo e minha família. Infelizmente, Deus AINDA não me deu esta graça, pois tal gesto requer boas condições financeiras, uma casa enorme. Não é demagogia movida pelo espirito natalino. Quem me conhece de perto sabe, pois há anos  venho dizendo isto. Agora que tenho um blog e milhares de pessoas lêem o que escrevo, deixo registrado aqui o meu antigo desejo natalino.
     Deus abençõe à todos e dê a cada um de vocês um Natal auspicioso, repleto de bençãos e misericórdias divinas, farto não somente de dinheiro, mas de SAÚDE, PAZ e AMOR ao PRÓXIMO. Eu queria que todos vocês, meus amigos, estivessem vivenciando a mesma felicidade que Deus está me proporcionando, mas tenham fé. Acreditem que o perdão é a palavra-chave para se conseguir do aniversariante o maior dos presentes: o carinho, a defesa, o amor d'Ele.
     Lembrem-se também, irmãos de outras religiões, que Maria não salva. Mas, como a Mãe de Deus, ela intercede continuamente, sem descanso, até o final dos tempos, por todos nós. Ela pede ao Filho o perdão para nossos pecados. O mesmo perdão que devemos dar ao próximo que nos fez mal, praticou crimes para nos condenar aos olhos de outras pessoas, não somente hoje porque é Natal, mas durante toda a nossa vida.
     Aos amigos de ontem e hoje, não se esqueçam de mim. Se magoei, perdão.
     Salve Maria! Glória a Deus nas alturas!
     Parabéns, meu irmão, meu Pai, meu tudo: Jesus Cristo. Eu não mereço tudo o que Vós tem feito por mim!
                                                                                                                                                                                                                     
 
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

À UM PASSO DA HONRA DOS ALTARES!


IRMà    DULCE
À UM PASSO DA HONRA DOS ALTARES!




     Na última semana, a Santa Sé (Roma, Itália) deu aos brasileiros e, principalmente, aos baianos sinais de que estamos próximos de comemorar pelas ruas - possívelmente atrás de trios elétricos, mas sem axé, arrocha, pagode e cerveja, of course! - o maior acontecimento religioso de todos os tempos no Estado: a canonização da nossa querida Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, o "anjo bom" para os pobres e desamparados da Bahia. Irmã Dulce foi o nome escolhido por ela quando ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em 1933. E daí até a sua partida para a casa do Pai, em 1992, foram 59 anos de pura dedicação - e devoção - à causa dos menos favorecidos social e econômicamente. Anos de intensa atividade de assistência social, principalmente no campo da saúde quando criou uma obra sem igual, uma verdadeira empresa(?) de filantropia onde trabalham centenas de médicos, enfermeiros, psicólogos, etc., à serviço de quem busca um excelente atendimento médico no hospital Santo Antonio (Salvador - Bahia), fundado em 1970. De lá para cá, a Associação Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), a qual administra o hospital, cresceu vertiginosamente e hoje - mesmo depois de sua morte, mas conduzida competentemente por Maria Rita Pontes, sua sobrinha - atende diáriamente a quaze cinco mil pessoas e tem 1,2 mil leitos à disposição.
     Visitar as instalações do hospital na cidade Baixa é um prazer para a alma e deleite para os olhos. Óbviamente, não pelo ambiente de angústia e dor dos milhares de pacientes ali atendidos; mas, sim, porque sente-se uma indescritível sensação de paz, da presença de Deus em cada corredor, consultório ou enfermaria. (E isto, para quem é verdadeiramente temente à Deus, comunga de seus ensinamentos, é "amigo íntimo" d'Ele, conversando com Ele em qualquer lugar, ônibus, rua, quarto, diante do laptop, é um bálsamo, um alívio para as nossas inquietações, dúvidas, "porques" e interrogações). Tem momentos que os gemidos e lamentos de alguns doentes dá a nítida certeza que estamos ouvindo um cântico lugúbre, mas ao mesmo tempo celestial, de almas que estão despedindo-se da terra extremamente felizes ao tomar o caminho dos céus. A impressão que ficará para sempre guardada em nossa memória visual e auditiva, é que estamos visitando a ante-sala do paraíso, mesmo que à princípio não tomemos consciência disso. Somente depois de cada passo dado, de cada sorriso estampado no semblante dos funcionários e abraço de agradecimento pela visita e, principalmente, no olhar de gratidão dos que estão ali sendo muitíssimo bem tratados - dos maqueiros à alta direção - é que percebemos o quão pequenos, medíocres e insignificantes somos (em nosso egoísmo, auto-suficiência e arrogância) diante de tanta solidariedade. Chega até a ser inquietante e constrangedor lê-se uma frase - escrita em letras garrafais - nos quadros espalhados estratégicamente por todos os cantos: "Tenha fé, continuo presente". É um aviso que a chefe, a idealizadora de tudo àquilo não se foi (físicamente), mas continua (espiritualmente) no gesto carinhoso de cada auxiliar de enfermagem ao aplicar uma simples injeção. Mesmo sendo um hospital de pobres, o maior do Nordeste brasileiro, o Santo Antonio é um dos mais bem aparelhados, com tecnologia avançada, referência até mesmo para os particulares, famosos por cobrarem absurdos em procedimentos triviais.
     O objetivo desta coluna é falar sobre personalidades nos mais variados segmentos da sociedade brasileira e internacional. A minha, a nossa querida Bahia, terra do Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora, aqui consagrada como Imaculada Conceição (sem as equivocadas comparações com o sincretismo religioso alardeadas por aí ignorantemente pelos falsos católicos, os quais não entendem nada de religião, a não ser acender uma vela para Deus e outra pro diabo, visando conseguir benefícios materiais; mas, deixa pra lá!, cada qual com sua crença, não é verdade?), sem dúvida alguma é riquíssima em pessoas que, ao longo de suas vidas, tornaram-se dignas de serem aqui retratadas. Mas, certamente (e todos, cristãos católicos ou não, hão de concordar comigo) ninguém irá conseguir superar Irmã Dulce. Sem desmerecer, naturalmente, ACM, Cosme de Farias, Castro Alves, Pirajá da Silva, João Ubaldo Ribeiro, Jorge Amado, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Betânia, João Gilberto, Rui Barbosa (o papa da inteligência e cultura brasileira), sorór Joana Angélica, as Martas (Vasconcelos e Rocha, não por feitos, mas por motivos graciosos), dentre centenas de outros renomados que colocaram (e colocam!) a Bahia em destaque no cenário político, social, religioso e científico da nação.
     Irmã Dulce foi - quer queiram ou não - uma personalidade ímpar, sui generis. Podia até ter um temperamento forte, como conta alguns que tiveram a honra de conhecê-la; ser perfeccionista e, lógicamente, exigente, rigorosa com seus comandados, do diretor ao mais humilde funcionário. Mas, se não fosse assim, sua obra não teria ido adiante, alcançado seu objetivo. Dócilmente, sabia como ninguém dar um corretivo "puxão de orelha" numa enfermeira mais desatenta. Era, na essência da palavra, puro amor quando abraçava e beijava, sem medo, o doente infectado por uma tuberculose, por exemplo. Se fosse preciso dava banho nos pacientes, lavava e curava as feridas pustulentas. Não foram poucas às vezes que discutiu - e sempre saía vitoriosa em sua opinião - com o corpo médico, ao achar que determinado procedimento ou conduta estava errado. Era como se o Espirito Santo iluminasse e ditasse o que deveria ser feito àquela leiga, autodidata nos assuntos científicos, mas mestra no amor ao próximo. E sempre foi assim, desde o início quando começou a recolher das sarjetas, do submundo, os marginalizados pela sociedade. Conta-se que não foram poucas as freiras de sua Ordem que se incomodaram com esse desprendimento, esse amor incondicional e verdadeiro (e não de marketing, à frente das cãmeras) ao próximo. Amor este que fez a freira descer aos ambientes mais sórdidos e infectados por moléstias terríveis, para trazer aos cuidados médicos os miseráveis abandonados pela sorte. Seres humanos deixados à margem da sociedade por pessoas traidoras aos ensinamentos divinos, capazes de abrirem suas bocas malditas e dizerem-se "filhos de Deus". (Como? São filhos de Deus e não cuidam dos outros, seus irmãos, que também são filhos d'Ele? Agora, época mais bonita do ano, mais cristã - o nascimento de Deus em forma de menino Jesus - seria o tempo ideal para se praticar a caridade, solidariedade. Mas o que se vê é consumismo, mesa farta e vá um pobre bater à porta de sua casa na hora da ceia!... A noite não é para o "irmão" pobre, maltrapilho, fétido, asquerozo; mas, sim, para bebedeira, zoadeira, falsidade de beijos e abraços de quem se detesta o ano inteiro e se abraça hipócritamente diante do perú, do tender, da champanhe, dos vinhos, nozes e avelãs... A noite não é para sentar-se na igreja e louvar, bendizer e agradecer ao Senhor,  a Sagrada Família pelas bençãos do ano... É para, depravadamente, "ralar" na boquinha da garrafa de cachaça... "Apartai-vos de Mim"...) Estas "pessoas" (?) acham, errôneamente, que doação, caridade, é abrir o talão de cheques, assinar um e entregar as instituições de caridade muitas vezes sem ter tempo e boa vontade de ir até lá misturar-se, dar a mão, comer na mesma mesa. Hipócritas! Demagogos! Fazem isso apenas para se auto-promover, receber comentários elogiosos do tipo "oh, como fulano é bom, generoso", "como sicrano gosta de ajudar os orfanatos, os abrigos". Isto se tiver um holofote, uma câmera por perto ou for publicada uma notinha na coluna social. Jesus Cristo, o aniversariante da época - mas também o mais ultrajado - Ele que foi o maior exemplo de sofrer traições, rejeições e maus tratos, não deve aceitar de bom grado tais "ajudas". Ele sentiu na própria pele a hipocrisia da raça humana ao ser aclamado no domingo (de Ramos) e execrado, cuspido no rosto, zombado e, por fim, crucificado na sexta (da Paixão)...(?)...
     Irmã Dulce, com o exemplo de sua vida, tornou-se o diferencial entre estes e aqueles. Desde 1914, quando nasceu, deu - e continua dando até hoje, mesmo depois de morta - exemplos, um após o outro, de esperança, fé e caridade. Ainda menina, quando poderia ter usufruido, aproveitado os benefícios, os prazeres da posição social-financeira razoávelmente confortável que sua família tinha, trocou os jogos do Ypiranga (seu time preferido) pela ajuda aos mendigos do bairro. E ia a pé, sob chuva ou sol escaldante, fazendo bolhas nos pés de tanto caminhar à procura de quem necesitava do seu auxilio. Ao contrário de muitos por aí, hoje em dia, que embarcam em seus luxuosos automóveis, dirigem-se a uma instituição de caridade, cruzando ao longo do trajeto com o pedinte da sinaleira, o artista-malabarista de rua, e viram o rosto num visível (e revoltante) gesto de desprezo. Ora! Isto é hipocrisia, incoerência. Se estão indo praticar o bem (?) como virar o rosto, negar ajuda a quem veio ao seu encontro? E se aquele maltrapilho, esfomeado, fosse o próprio Cristo travestido testando sua benevolência? Muitos - e isto não é julgamento, são fatos, é só observar-se - frequentam a igreja (seja ela qual for) diáriamente, comungam (como tem coragem, falsos?), rezam e louvam ao Senhor, para na saída, curiosamente, praticando ao contrário tudo que viram lá dentro, olhar o irmão sentado ali nos degraus à esmolar, com descaso e nojo. Jogam uma simples moedinha na mão do pobre, à distância para não tocá-lo e se contaminar com sua doença. Ou, o que é ainda mil vezes pior aos olhos de Deus, não se contagiar com sua pobreza. Como se pobreza MATERIAL fosse doença grave. A pobreza de ESPIRITO de muitos endinheirados é contagiante, incurável. Esta é perigosa, perniciosa. E o mais revoltante disso tudo é que seguem seu caminho achando (ridículos que são!) que praticaram um grande gesto e já asseguraram seu lugar no céu. "No céu, no céu, com Minha Mãe estarei"... Deveriam cantar: "na terra, na terra, o meu pobre irmão ajudei!"... Por essas e outras, Jesus expulso ou vendilhões do Templo. Aqueles lá vendiam suas mercadorias, seus produtos. E nós, ao agirmos desta maneira vil, estamos vendendo o que? Nossa consciência pesada, nossa almas? Em troca da almejada salvação eterna? Que salvação, falsos de coração? Como vão querer um dia, na eternidade, serem perdoados, se não estendeu a mão, não se doou de corpo e alma, não perdoou? Jesus foi - e hoje ainda o seria - condenado, criticado, ridicularizado por ter ido a casa do cobrador de impostos. Êle não virou o rosto para aquele homem. (Se é que me entendem!).
     O "anjo bom" nunca teve nojo, nunca sentiu repulsa pelo seu semelhante. Nunca rejeitou o abraço, o ósculo de quem quer que fosse, apenas porque estava mal vestido. Ela seguiu à risca, literalmente, o maior ensinamento cristâo: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Irmã Dulce passou a vida se doando, se entregando de corpo e alma, talvez até mais corpo - sempre tão franzino - do que alma. Ela fez da fraqueza a fortaleza necessária para lutar em prol de quem não podia contar com mais ninguém, a não ser ela própria. Qual de nós, em sã consciência (e fraqueza de espirito, o que mais temos, diga-se de passagem), dormiria apenas quatro horas por dia para nas demais ameninzar as dores, o sofrimento alheio? "Nunca" e "não" foram as palavras jamais proferidas por aquela freira de estatura mediana, que na fragilidade e simplicidade de sua figura, agradou tanto a Deus. (Graças à Deus, eu tenho em casa dois exemplos de pessoas simples, física e espiritualmente, desprovidas de vaidades mundanas, que vivem só para a Igreja: minha mãe e tia).
     Não é à toa que Irmã Dulce brevemente, depois de Venerável, será chamada de Santa.
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                                                                     SANFERR, 16.12.2010

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

UM DIA HISTÓRICO PARA O AUTODIDATISMO





                                            DR. GILMAR MENDES
                                                    17.06.2009
                                UM DIA HISTÓRICO PARA O AUTODIDATISMO
                                 TALENTO x DIPLOMA (QUAL PESA MAIS?)

     O STF (Superior Tribunal Federal) através dos Excelentíssimos Senhores Ministros Carmem Lúcia, Ellen Gracie, Eros Grau, Ricardo Lewandoswki, Carlos Ayres Britto, Cézar Peluso e Celso Mello, liderados por Gilmar  Mendes, presidente (na época) da alta corte, maior instância jurídica da nação, decidiram quase por unanimidade extinguir a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Na histórica e polêmica audiência, estiveram ausentes apenas os ministros Joaquim Barbosa e Menezes Direito. O ministro Marco Aurélio Mello foi o único a votar à favor do diploma. Tudo começou com um pedido da SERTESP (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo) juntamente com o Ministério Público Federal. Sábia, e tardia!, decisão quando vemos por aí inúmeros expoentes da linguagem escrita e falada, os quais não tiveram a chance de "alisar o banco da ciência", ou seja, frequentar uma universidade. (Se diploma fosse relevante, extremamente necessário para se escrever bem, muitos não seriam considerados "imortais" pela Academia Brasileira de Letras). O ensino superior - atualmente em crise no Brasil - dá, óbviamente, conhecimento curricular e o tão almejado diploma. Mas, talento nato, competência e a arte da boa escrita, são dons que nenhuma escola ensina. Isto é, divina e sobrenaturalmente, confiados à apenas alguns previlegiados, senão todo mundo seria escritor, redator; lógicamente, ao longo dos anos, cabe a cada um lapidar, aprimorar o presente dado por Deus.
     Com esta decisão surpreendente do STF, a reação foi imediata com a turma dos favoráveis à resolução e, infelizmente, a turma da área contra. Naquela época, foi deprimente - e até mesmo ridicularmente constrangedor - a maneira com que certos jornalistas (?) reagiram. Ora! É incompreensível a atitude deles. Não passaram pelo crivo - ou ciirco - do vestibular, não estudaram ano após ano o be-a-bá da profissão, não se vangloriam de ter o "tal" diploma dependurado na parede? Então? Pra que essa reação estúpida, desnecessária? Medo, receio de que? A menos que - ao contrário de Marília Gabriela (papisa do jornalismo nacional), Fátima Bernardes, Leda Nagle, Sandra Passarinho, Ana Paula Padrão, Alice Carta, Danuza Leão, Hildegard de Angel (Perla Sigaud), Elio Gaspari, Hermano Henning, William Bonner, Bóris Casoy, Alexandre Garcia, Carlos Nascimento, Marcos Hummel, Artur da Távola (saudades eternas!), Edilton Tourinho, Kátia Guzzo e Jefferson Beltrão (aqui na Bahia), dentre dezenas de outros nacionalmente conhecidos, competentíssimos - tenham escolhido a profissão errada como meio mais fácil de ingressar na universidade. Ou, o que é ainda pior, tenham acertado as dezenas - neste caso específico, as letras opcionais - das respostas do vestibular-loteria... (?)... Faculdade, conhecimento, o estudo em si é, sem dúvida alguma, importantíssimo para o crescimento intelectual-social de todo ser-humano. A faculdade da vida, os livros e jornais estão aí para informar, intelectualizar, quem queira.( Se não tiver a sorte de estudar, não fique pelos cantos se lastimando. Procure ler, se informar). Temos exemplos recentes no país. O nosso quase ex-presidente (já que faltam poucos dias para ele deixar o cargo, se é (?) que vai deixar de fato) Lula tornou-se "doutor entre os doutores". Silvio Santos, por sua vez, é o papa da comunicação brasileira. Sem falar na (anônima) d. Raimunda Gomes da Silva, a quebradeira de côco no Tocantins, que recebeu também em 2009 o título de Doutora Honoris Causa da universidade daquele Estado, além de já ter sido indicada para o prêmio Nobel da paz.
     Certo estava Oscar Wilde ao afirmar que "todo mundo perdoa tudo, menos o talento". Esta frase proferida por um escritor inglês, gay e polêmico numa sociedade extremamente preconceituosa, conservadora do século XIX, fáz uma clara alusão às fronteiras entre o possível e o impossível, o acadêmico e o autodidatismo, entre a cultura formal (universidade) e a informal (o puro e simples talento).
     É comum nesta época do ano milhares de jovens em todo o país seguirem, assustados e esperançosos, para o "matadouro" do vestibular com sonhos povoando suas cabeças. Mas, uma pergunta se fáz necessária e não quer calar: será que estão mesmo preparados para pleitear o lugar de destaque na profissão que escolheram? Ou, então, uma outra pergunta ainda mais pertinente: o método atual usado na formulação do vestibular é o correto, digno de confiança, de uma avaliação justa? Será que esse vestibular-loteria, joguinho de escolhas, está à altura para julgar a capacidade de cada um? (O que está em jogo não é, claro!, o conhecimento de 45%, mas a sorte/azar dos 55% restante. Se é que me entendem!)... Não seria mais sensato aplicar o velho - e comprovadamente eficáz - método de perguntas e as respostas serem escritas (letra por letra) de punho pelo aluno-vestibulando, sem o X para riscar o A,B,C,D ou E? Lógicamente a correção seria demorada, feita por uma comissão de professores-doutores credenciados, mas o resultado seria 100% justo. Isto, a atual forma de fazer-se prova de vestibular - levando-se em conta o despreparo de alguns candidatos - não é prova de competência. É mesmo um jogo. Jogo de sorte, ou azar, para os inúmeros vestibulandos-aventureiros que não tiveram uma boa formação e fácil (na correção das provas pelos gabaritos) para as universidades que querem, numa visível competição, ganhar tempo e dinheiro à frente das demais, pouco se lixando com a qualificação cultural dos jovens. Hoje em dia - e não sou eu quem digo, são fatos - temos milhares nas faculdades, e poucos os que, realmente, merecem estar lá. (Quanto mais aprovar no vestibular, mais mensalidades receberás!). Muitos deles fazem o tradicional e infantil joguinho do "unidunitê, o escolhido foi você", marca o X em determinada letra e... pronto. Futuramente teremos mais um profissional sem qualidade, incompetente dos pés à cabeça - mas com o diploma na parede - no mercado de trabalho. Não é à toa que anualmente a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) reprova aos montes. O ensino no Brasil deixou de ser confiável há muito tempo; virou negócio rentável, comércio, uma feira de cursos (cada qual mais caro) em franca expansão. Está mais do que na hora dos orgãos competentes, o MEC (Ministério da Educação e Cultura, separados ou não) mudar esse esquema, dar um basta no oportunismo das universidades. Principalmente as particulares que crescem mais que cupim em madeira. Por outro lado, aproveitando a carona no tema "absurdos do ensino brasileiro", uma outra discussão é relevante, oportuna: a cota para estudantes negros, indígenas e das escolas públicas. Eu sou pardo. Mas nem porisso nunca me achei no direito de conseguir, por causa de minha cútis, uma vaga na faculdade. Não concordo com esta lei. Por que? Porque antes de se criar leis de "cotas" disso e daquilo, temos de melhorar a base do educando, qualificando o ensino fundamental nas escolas públicas, equipando-as com tecnologia de ponta, pagando melhor os educadores, dando oportunidade a eles de cursos, oficinas, seminários preparatórios. A escola fundamental é a base, o alicerce, a pedra-fundamental de qualquer futuro profissional. Faculdade - fora a questão absurda do vestibular/loteria/sorte - é para quem sabe "onde tem o nariz", para quem "prova o preto no branco" e nunca, jamais, para sortistas (de ocasião) que vão para o vestibular como se estivessem se dirigindo a uma casa lotérica. Faculdade é para quem tem competência, independentemente da cor da pele, das etnias. E outra coisa: quem presta vestibular para, por exemplo, Comunicação, não deve passar pelo constrangimento de ser reprovado em Química, Física e Biologia, se na prova de redação tirou a nota máxima. Será que, futuramente, ele vai escrever um artigo, uma matéria sobre equações, teoremas, etc e tal? (Sei que vou ser crucificado, criticado através de SMS, e-mails, mas, gostem ou não, é a minha visão de justiça). Sendo assim, é salutar a decisão dos ministros do STF com relação a não obrigatoriedade daqui por diante do tão almejado diploma de Jornalismo, ficando a critério das empresas exigir ou não o tal pedaço de papel. Quem sabe, sabe; prova, reitero, com "o preto no branco".
     A notícia da decisão do STF repercutiu - e, creio eu, ainda deverá fazer a longo prazo um estardalhaço espetacular no ego dos que se dizem categorizados - como uma verdadeira bomba atômica. Uma bomba que já deveria ter explodido há décadas. A maioria dos "DIPLOMADOS" da vida - graças à Deus, não todos - estão preocupados, assustados até, com o sem número de autodidatas, artesanais e amadores (?), que irão surgir daqui por diante. Os novos talentos, os quais de artesanais e amadores não tem nada. Novos talentos é modo de falar, porque mesmo sem ter frequentado a escola de Comunicação, sem diploma, não começaram a escrever do nada, do dia para a noite. É óbvio que sempre escreveram - e na maioria das vezes muitíssimo bem - se especializaram por conta própria. A escola de Comunicação, certamente, tem seu valor acadêmico e social. Mas nunca, jamais, vai dar a qualquer de seus alunos o principal: dom, talento. Talento é para poucos previlegiados, não está à venda nas prateleiras dos supermercados à altura das mãos de quem pode (e quer) pagar por ele; não se conquista com a mensalidade da faculdade. Mensalidade esta a qual, vamos combinar, está pelo "olho da cara" nas faculdades particulares.
     É lógico que ecistem na universidade - e não são poucas - pessoas talentosas, qualificadas, promessas visíveis de uma futura carreira vitoriosa buscando seu "lugar ao sol". Mas, graças à Deus (e aos ministros do STF) os bons que não tiveram a sorte no famigerado vestibular/loteria/sorte, agora terão a oportunidade de mostrar ao mundo a competência e o talento que estavam trancafiados nas gavetas do anonimato. Pessoas de nível, qualidade e estilo próprio, que não devem nada àqueles que tem PHD. È louvável, admirável, digno de aplausos (de pé!), o jornalista "de berço" que passou à léguas de distância da porta da faculdade, provar que é igual ou, muitas vezes, melhor que qualquer um destes "doutores da palavra escrita e falada". O dom de escrever, se expressar através das palavras, é como a beleza: se tem ou não. E eu discordo, neste caso específico, do poeta Vinícius de Moraes. A beleza (diploma) não é fundamental.
     É, realmente, constrangedor a preocupação, o medo que está afligindo certos profissionais que não "garantem o texto que escrevem". Os neurônios, egos e a auto-estima devem ter entrado em choque quando ouviram o presidente Gilmar Mendes afirmar que não há necessidade de diploma para se escrever bem. Palavras ditadas com certeza pelos dons do Espirito Santo. E Êle, que sabe e vê tudo, não iria vacilar, "dormir no ponto", deixando seus escolhidos, aos quais deu gratuitamente - sem necessidade de nenhum pedaço de papel averbatório - o dom de escrever, eternamente "à ver navios".
     A era do rídiculo - e risível! - "eu tenho diploma", já ERA mesmo. Felizmente e infelizmente. Felizmente para todos àqueles que agora terão voz e vez. Infelizmente para os demais, por sua auto-suficiência, arrogância.
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                                                         SANFERR, 09.12.2010

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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010








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       MICHAEL JACKSON:
      O MITO INCOMPREENDIDO E CRUCIFICADO.

     Toda a minha geração cresceu ouvindo, cantando e dançando pelas discotecas da vida nos idos de 70/80 os maiores sucessos do inimitável - por mais que tentássemos requebrando os quadris e deslizando os pés nas pistas - rei do pop. Michael Jackson era (e sempre será) sua griffe. Por que artistas como ele não tem nome: tem griffe, marca. (E como ele marcou todos nós!). O showmann, maior artista masculino em todos os sentidos (e estilos) desde a década de 60, não tornou-se mito somente agora depois de sua morte. Mr. Jackson já nasceu mito. Hoje, dezessete meses após o seu trágico desaparecimento do show-business, as homenagens ao papa da dança - que me perdoem os fãs de Fred Astaire - acontecem ao redor do mundo. O Cirque du Soleil, por exemplo, estreou no último dia 15/11 no hotel Cassino Mandalay Bay, na fuorescente e agitadíssima Las Vegas, o maior espetáculo jamais visto na América do Norte; sem falar no álbum post-mortem batizado simplesmente como "MICHAEL" que deverá chegar às lojas através do selo Sony Music, agora no próximo dia 14. Para completar, somos também surpreendidos com a publicação do livro "O que realmente aconteceu a Michael Jackson", no qual um amigo íntimo do cantor-dançarino (Leonard), natural de Atlanta, Estado da Geórgia (EUA), afirma - apresentando até mesmo farta documentação - que Michael foi vítima de um complô e teria sido covardemente assasinado...(?)...
     Verdade? Mentira? Ou um audacioso jogo de marketing da família, mais precisamente do sr. Joe Jackson, pai do astro, o qual, digamos assim, está em "turnê" ao redor do mundo para divulgar o livro, acompanhado pelo autor? Estas perguntas difícilmente serão respondidas, visto que, partindo do clã Jackson tudo é possível, inimaginável e inimitávelmente pertubador. A única que parece ter um pouco de juízo, os "pés no chão" naquela família, é Katleen, a matriarca, religiosa, coerente com todo o sofrimento que já passou na vida, a qual perambula pelas ruas de Los Angeles batendo às portas como testemunha de Jeová. (Como se Deus precisasse de alguma testemunha; mas, vamos respeitar as crenças alheias!). No último domingo, um estupefato e boquiaberto Fausto Silva ouvia a dupla-dinâmica (e surreal) Leonard e Joe Jackson (figura pra lá de estranhíssima com aquele chapéu a La Al Capone) dizerem em alto e bom inglês, ao vivo e em cores para todo o país, que o cantor com mais de 750 milhões de discos vendidos, falecido prematura e inexplicávelmente aos 50 anos de idade numa misteriosa tarde em junho de 2009, havia sido vítima de "pessoas" (quem?) interessadas no catálogo musical dele avaliado em bilhões de dólares. Catálogo este que contêm os maiores nomes da música pop americana e mundial, dentre os quais até mesmo os Beatles. Michael era dono de 50% das ações da Sony Music, o que nos leva a crer que seus herdeiros, além dos três filhos, óbviamente, estão numa situação financeira bastante confortável. (O que contradiz os invejosos e maledicentes, os quais afirmam que Michael morreu na pior, devendo a Deus, ao mundo e passando promissória ao diabo). Todos da família foram citados no famoso testamento, menos o pai dele, mr. Joe Jackson. Por que? O que levaria uma pessoa a excluir o próprio pai (com 82 anos de idade) e, mais que isso, seu maior incentivador artístico, do testamento? Mais perguntas que ficarão para sempre sem respostas aceitáveis, já que morto, até o ponto que sei - mas, tratando-se dos Jackson, sabe-se lá! - não fala. O certo é que o rei, mesmo depois de morto, rezado, pranteado e sepultado depois de vários dias de um velório que mobilizou todo o mundo, quiçá, o universo, ainda deverá ser por muito tempo motivo de comentários, especulações, piadas de extremo mau-gosto e bastante polêmica.
     Os EUA é mestre em criar essas lendas, esses seres utópicos (mas paradoxalmente tão reais a ponto de terem nome, cara e corpo), que atravessam décadas e séculos no imaginário dos fãs. Frank Sinatra, Aretha Franklin, Marilyn Monroe, Elvis Presley (inclusive Michael foi casado com a filha do rei do rock, Lisa Marie), James Dean e tantos outros famosos. Cada qual em sua época e com estilo próprio, como Nat King Cole, Ray Charlles, Ella Fitzgérald, Armstrong... Ainda assim, Michael será sempre o maior, reinará absoluto no topo da escada tornando todos os demais seus coadjuvantes. Só que, infelizmente, agora a realidade é outra: o rei do pop, do clássico, do brega e do chique nos deixou orfãos de sua genialidade, seus requebros sensualíssimos, sua dança constrangedoramente sexual. O astro deixou o mundo preconceituoso (e pobre de gênios) para ir brilhar ainda mais intensamente num lugar próprio às estrelas: o céu. (Não duvido nada que, nestas alturas do campeonato, toda a corte celeste não esteja num eterno baile, deslizando na ponta dos pés).  Estamos sem a presença física de uma impressionante mutação fisionômica que poderia muito bem ser batizada como Diana Ross II, a Cópia. Melhor que o original. O transformista - mesmo não sendo um travesti - conseguiu transformar-se em algo que não era nem homem e nem mulher. Uma "entidade" fantástica e sobrehumana, fora da realidade, além do nosso tempo, acima do bem e do mal, do mesmismo, da mediocridade, da incompetência.
     Michael Jackson, "ame-o ou deixe-o" - deveria ter sido seu slogan ao longo da vida. Desde sempre, o negro que virou branco foi um ser humano singular, quilômetros-luz à frente de padrões e convenções (ou não seria contravenções?) que teimam em querer direcionar os nossos passos, as nossas escolhas na vida. Um ser que veio ao mundo para cantar, encantar e polemizar, nunca ser unanimidade. (Todos os gênios não são assim?). A vida de um astro-rei como Michael Jackson não pode ser medida pela nossa reconhecida incapacidade artística, simples e inexpresivos mortais que serve apenas para ver, ouvir, não entender certas linguagens metafóricas e aplaudir. Simplesmente aplaudir. "Descanse em paz, Michael!" - esta frase se tornou repetitiva nos últimos dezessete meses. Descansar, como!? Isto é piada ou hipocrisia doentia? Pois se tudo o que não demos a ele durante a sua conturbada e sofrida existência foi justamente pas. Perseguido desumanamente por críticas cruéis, comentários depreciativos e caluniosos, apunhalado injustamente pelas costas por pessoas ambiciosas, pequenas e sem valor diante de sua genialidade, do seu talento; ridicularizado sem dó e nem piedade no meio (hipócrita!) artístico, vivendo eternamente sob o controle de remédios e médicos inescrupulosos, mercenários... Paz foi a única palavra que Michael não conseguiu traduzir, não conheceu o significado. Infelizmente, e tardiamente, ele deve ter descoberto o que é ter paz com à descida ao maior símbolo do ostracismo humano: a sepultura. Se é que do além não se pode ver nada que acontece aqui embaixo, porque, se puder, a paz ainda deve estar correndo dele ao assistir a família, agregados e advogados (verdadeiras aves de rapina) se matando por uma herança, a qual tem picos de muitos milhões de dólares e baixas de dívidas "a perder de vista"". (Vai-se saber aonde está a verdade).
     Muito se tem falado - e este assunto vai dar "pano pra manga" pelos séculos dos séculos, amém! - das elites culturais à plebe cada vez mais emburrecida pela falta de talento de certos músicos (?) que agridem acintosamente a nossa inteligência, nossos ouvidos, com uma total falta de conhecimento do que é a boa música, sobre a vida, paixão e morte do ídolo Michael Jackson. O crucificado. A vida misteriosa, a paixão desenfreada por crianças e a morte espetacular - e espetaculosa, em todos os sentidos - ficarão para sempre em nossa lembrança. Funeral-show semelhante, ou quase igual, ao de Lady Di (Londres, 1987). Enfim, o intérprete de "Ben" e "Billy Jean" continuará sendo alvo de todo tipo de falações, benditas e malditas, calúnias e difamações. Bem ou mal falado, depreciado, humilhado a La Jesus Cristo, com a imagem arranhada e reputação maculada, talvez a única celebridade mundial que até "no fundo do poço" era glaumoroso. Pobre menino rico! (E pobre de nós, humanos, sem o valor, o talento de alguém como ele, que veio ao mundo com a dádiva divina que muitos gostariam de ter, mas, infelizmente, não tem e jamais terão; mesmo porque faculdade dá diploma, não talento nato). Esta é outra polêmica que acompanhará para sempre o mito Michael Jackson: o pobre menino rico! Mas, pobre em que? Artísticamente? Certamente que não. Mr. Jackson era riquissimo. Suas canções e a famosa coreografia moonwalker estarão entre nós por décadas (ao menos nos passos tresloucados dos cover) para confirmar o que digo. Psicológicamente? Só o tempo - rei de todas as dúvidas e incertezas - dirá aonde está a razão ou a falta dela. Por enquanto, quem somos nós para atirar a primeira pedra? O povo tem o péssimo hábito, a deselegância de rotular os diferentes como malucos porque não seguem à risca a cartilha, o be-a-bá da mendicância de criatividade, de idéias e projetos relevantes. Se o cara - e Michael, quer queiram ou não, era O CARA - não for igualzinho, não requebrar ao som do pagode, arrochar e axezar, não for politicamente aceitável (?) nas avaliações populares, sentar-se com os demais para discutir carnaval, futebol, mulher, cerveja e vida alheia, o diagnóstico da plebe emburrecida é fatal: maluco, anormal. Sendo assim, chérrie, tivemos vários malucos famosos: Jean Jacques Rousseau, Voltaire, Cervantes, Michelangelo, Leonardo da Vinci, Martin Luther King, Rui Barbosa, Cosme de Farias, George Washington, Thomas Edison, Maria Quitéria, Zumbi dos Palmares, Clodovil Hernandez, Coco Channel, Joana Angélica, Antonio Conselheiro, Oscar Wilde, John Fitzgérald Kennedy, ACM, JK, Cazuza, Castro Alves, Zilda Arns, Tancredo Neves, etc., etc... Dentre centenas de mentes brilhantes, visionários, que foram tudo na vida, menos iguais  - em mesmice - ao povão; tinham idéias, projetos.
     Au-revoir para todos que me criticam e aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                                          SANFERR. 02.12.2010

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de SANFERRPRESS para todos:


                                                    É NATAL!
                          "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" - Jesus Cristo.

     Emocionadíssimo, aproveito esse clima de magia, de confraternização e benéfica religiosidade para desejar PAZ, muita fé em Deus - porque sem Êle não conseguiríamos passar por cima, atropelar as adversidades impostas pela vida - retribuindo sensibilizado as mais diversas formas de apoio que tenho recebido desde a estréia do blog SANFERRPRESS em outubro pp. As centenas de e-mails, os inúmeros telefonemas, SMS para o celular e também os comentários aqui postados têem sido bastante generosos comigo. Que a Divina Providência dê a cada um de vocês a solidez de uma família cristã, unida e íntegra como a minha, nas pessoas de duas mulheres guerreiras, extremamente religiosas e excepcionais como Maria Amélia e Daisy, respectivamente minha mãe e tia-mãe; os amigos-irmãos que ao longo da vida eu soube conquistar e preservar no lado esquerdo do peito para os bons e maus momentos; e o AMOR, em toda sua plenitude, sexual e afetiva, já que sem ele nossas vidas não teria sentido. Amor verdadeiro, sem preconceitos. Que o Todo Poderoso dê a cada um de vocês a mágica e doce felicidade que estou vivenciando de uns tempos para cá, depois das várias pedras que tropecei e tive, com a força d'Êle, de chutar. Dizem por aí que "depois da tempestade vem a bonança" e, graças aos céus, que me ama e protege de uma maneira comovente, eu sou a prova viva disso. É como diz a belíssima canção: "O mundo pode te fazer chorar, mas Deus quer te ver sorrindo!"... Enfim, que todos vocês, os quais, direta ou indiretamente, com ou sem pseudônimos, tem sido favoráveis ao meu trabalho aqui na internet, sejam agraciados nestes dias de festa com SAÚDE, mesa farta (principalmente de comunhão com seus entes queridos) e também muitas realizações.
     "O amor de Deus é infinito, justo e tudo perdoa; aproveite as várias chances que Ele lhe dará na vida" - disse em um de seus poemas minha falecida avó Albertina há décadas.
     Que Deus-Pai, O Filho e O Espirito Santo abençõe a todos. E com a misericordiosa e maternal intercessão da Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, caia sobre vós, meus amigos - e, principalmente, quem não simpatiza comigo - às bençãos e dádivas celestiais.
     Se eu dei AMOR, não se esqueça disso. Se, inconscientemente, lhe trouxe algum rancor, mágoa, perdão!! E, se por algum motivo a minha ausência física dá a errada impressão de desprezo, vocês estão equivocados, já que todos tem um lugar de destaque guardado - com muita saudade! - no fundo da minh"alma.
     Do amigo de ontem, hoje e sempre...
                                                                                                                                                                             SANFERR, natal de 2010

                                       P     A     T     R     O     C     Í     N     I     O