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CHICO ANÍSIO,
O MAIOR HUMORISTA BRASILEIRO DO SÉCULO XX.
Os últimos tempos não foram dos mais auspiciosos para um dos maiores artistas brasileiros (e o mais completo deles, a exemplo de Claúdia Raia, Marília Pera e Bibi Ferreira) do último século. Após alguns meses hospitalizado entre a vida e a morte, trinta longos e sofridos dias - não somente para ele, mas também para os milhões de fãs, amigos e familiares - em coma, vítima de uma pneumonia e complicações pós-cirúrgicas no intestino, eis que Chico Anísio, o mestre do humior e do riso nacional, ressurge como a fênix das cinzas de seu próprio purgatório. Um purgatório que, por conta do sofrimento (quase) interminável do paciente, estava mais próximo do inferno que do céu. Mas, quis o destino que o maior humorista do país - ao nível dele apenas Jô Soares, Renato Aragão e Costinha (já falecido) - desse à volta por cima, driblasse o famigerado anjo da morte e voltasse o mais rápido possível (quanto surpreendente) ao trabalho, emocionando, literalmente, milhões de pessoas que gostariam de ter o seu dom e fazer o que ele fáz muitíssimo bem: contar piadas inteligentes, de fácil entendimento e de extremo bom gosto, as quais agradam dos menos favorecidos intelectualmente até os eruditos mais exigentes. Fazer rir não é fácil e qualquer leigo sabe disso. "Humor é feito por pessoa séria", segundo palavras dele mesmo. Gaiato é quem vive rindo de piadinhas grotescas e de duplo sentido que envergonham a classe dos comediantes gabaritados, sendo relevante apenas para palhaços que vivem às custas de presepadas e de "bobos da corte" que pagam ingresso para assistí-los. (Se é que me entendem!)...
Chico Anísio, cearense de Maranguape, um nordestino "arretado, sim, sinhô", fez milhões de pessoas gargalhar durante várias gerações e até nos momentos mais dolorosos e complicados da sua internação - apesar de, óbviamente, ter tido seus instantes de inquietude, a incerteza da cura ou não - jamais perdeu seu bom humor, contagiando médicos, enfermeiros e funcionários do hospital onde experimentou seu calvário de dores físicas e a incerteza (mãe de todas as dúvidas e angústias) se ainda viria algum dia a estar no único lugar onde ele se sente verdadeiramente feliz, realizado como homem e artista: o palco. Quando alguém chega aos 79 anos - idade que Chico tinha quando sua via crucis começou - e se vê cercado por médicos que, mesmo do alto de toda sua competência científica não dão uma resposta satisfatória ao doente (por que não são Deus para advinhar o que está por vir), a única certeza absoluta que paira sobre a cabeça do desafortunado é da morte iminente, o fim da linha. Agora, depois de ter completado 80 anos no último dia 12 de abril, Chico tem uma outra certeza, esta bem mais concreta: não vale a pena fumar.
Com uma carreira bem sucedida no teatro, cinema e televisão, Chico Anísio agradece aos céus a nova chance que recebeu: voltar à vida e trabalhar naquilo que gosta, diferentemente de milhões que trabalham (no que não gostam) só para não morrer de fome. Não é à toa que o assistimos todos os sábados no programa Zorra Total, da TV Globo, dando um show (como sempre) de talento, vitalidade e um humor refinadíssimo, charmoso, que muitos queriam ter. Chico, o filho mais ilustre de Maranguape, é um bravo guerreiro, um vitorioso em todos os sentidos, apesar do início de dificuldades e muitos "não" que teve de ouvir. Não é qualquer um que cria mais de 200 personagens que fizeram (e ainda fazem) sucesso na lembrança dos fãz e na memória cultural do Brasil, agradando crianças, jovens e adultos das mais diferentes classes sociais. Personagens históricos, mitológicos, que vão desde o "cantor" Baiano da (dupla Baiano e Paulinho Boca de Profeta, Chico City, TV Globo), interpretado por ele ao lado do amigo Arnaud Rodrigues, passando por Alberto Roberto (o famoso ator canastrão), o deputado corrupto Justo Veríssimo, o vampiro boa-praça Bento Carneiro, o pai de santo "aboiolado" Painho com sua fiel escudeira-mirim Cunhã, a repórter (crítica a muitas por aí) Neyde Taubaté, o sábio e tolerante professor Raymundo - considerado por ele sua melhor criação, obra-prima - até a velha fofoqueira de Passo Fundo (RS), Salomé, que vive dando conselhos pelo telefone aos mais diversos presidentes, desde o (já falecido) João Batista Figueiredo até a atual, Dilma Rousseff. Com tanto talento e versatilidade, o nosso Chico Anisio poderia ser um Chico "do mundo", internacionalmente conhecido, se tivesse tido a sorte de nascer na terra do tio Sam e não no nordeste brasileiro, falar inglês e não português. Mas, de qualquer jeito, nacionalidade ou idioma, Chico City Anísio é Show.
Antes de se transformar no representante-mór do humorismo tupiniquim, Chico foi radialista, comentarista esportivo - e olhe que ele entende de futebol talvez até mais do que sobre piada, se é possível! - pinta como hobby e escreve roteiros de longa-metragem, além dos textos de seus personagens. Certa vez a imprensa noticiou que ele estava tentando emplacar seus acripts em Hollywood (EUA), mas parece que, infelizmente, não deu certo. O show-business, o cinema e os Eddie Murphy (ator americano) da vida não sabem o que perderam não dando oportunidade a um gênio como Chico. Nos intervalos de sua atribulada agenda, ele dá o ar da graça como ator de novelas, minisséries e filmes, a exemplo de "Tiêta" (1996) e, mais recentemente, "Sonhos de um Sonhador", sobre a vida de Frank Aguiar. Cantor (?), mas muito mais letrista/compositor - como já disse anteriormente - gravou junto com Arnaud Rodrigues vários discos como "Baiano e os Novos Caetanos", fazendo críticas a Tropicália, numa época (a ditadura militar) onde a simples menção dos nomes de políticos e generais do alto escalão do poder executivo era sinônimo de crime de "lesa majestade". Chico teve o prazer de vê-se "cantado" (artísticamente falando) por divas da MPB como Elis Regina (1945-1982), Dolores Duran (1930-1959), dentre outras. É verdadeiramente um homem das "mil faces", um showman que vai deixar sua marca, seu nome registrado para sempre no meio artístico-cultural brasileiro. Tanto que, assistindo aos ultimos acontecimentos da vida "cultural" brasileiro, uma pergunta se fáz necessária e não quer calar: por que Ronaldinho Gaúcho teve a honra (e bota honra nisso!) de sentar-se ao lado dos imortais e um criador, um homem talentoso e culto como "Sir" (ah, se ele tivesse nascido na terra de Sua Majestade Elisabeth II) Chico Anísio não teve? Aí, propositalmente, me vem à mente uma música muito famosa que fáz a clássica e perturbadora pergunta: "Que país é esse?"... (?)... A não ser que o genial Chico já faça parte da ABL (Academia Brasileira de Letras) e eu, na minha santa e inocente ignorância, não estou devidamente informado acerca dessa ato de justiça cultural. (Espero em Deus que "outros intelectuais" não passem por lá, homenageados com toda pompa e circunstância). Não quero desmerecer os dotes "musculosos" (sic!) e nem o talento futebolístico de um dos mestres dos gramados (de futebol, me entendam!) como Ronaldinho, o Gaúcho, o qual é muito mais eficiente e apreciável (de boca fechada) usando as pernas para correr e os pés para chutar a bola na direção do gol. "Filosofando" entre as paredes seculares e as cabeças pensantes de uma casa de cultura criada em 1896 por Machado de Assis - considerado até hoje o maior escritor brasileiro de todos os tempos - já é um pouco demais. Afinal de contas, a obra-prima de Machado de Assis é "Dom Casmurro", livro que està às vésperas de completar 112 anos e não "Dom Casburro", romande que, graças à Deus, Machado de Assis não se deu ao trabalho de queimar os neurônios para escrever. Um país que tem como representantes máximos da cultura e intelectualidade nomes como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Zélia Gattai, João Ubaldo Ribeiro, Rui Barbosa, Graciliano Ramos, Cora Coralina, Cecília Meirelles, Érico Vérissímo, Monteiro Lobato, Vinícius de Moraes, Caetano Velloso, Chico Buarque, Dias Gomes, Janete Clair (por que não?), Gilberto Gil, José Sarney, Rachel de Queiroz, Clarice Linspector, Mário de Andrade, Nélson Rodrigues, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Mário Quintana, Darcy Ribeiro, Guimarães Rosa, dentre outros renomados, deve estar se perguntando até hoje o motivo do "bom de pés" (e só!) estar entre os "bons de cabeça"...(?)... Talvez - se é que tem explicação - a resposta dada certa vez pelo inesquecível Guimarães Rosa à sua filha (Vilma), quando ela lhe perguntou sobre os sertões das Minas Gerais, dê um ponto final as indagações: "Meu sertão é metafísico". Ou seja, a presença de Ronaldinho Gaúcho na ABL (talvez) tenha sido também metafísica, nebulosa, difícil de compreender.
Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!
SANFERR, 05.05.2011
a ESFINGE:
"Mulher, não julgue e nem se julgue melhor que o gay, pois, na maioria das vezes, você não é tão fêmea como pensa e nem suficientemente capaz para colocar o nariz onde certos gays arrastam a sola dos sapatos".
AUTOR DESCONHECIDO
de SANFERRPRESS para todos os leitores e colaboradores (patrocínios, doações):
Maio é um mês especial por ser o mês dedicado à Virgem Santíssima, a Mãe de Deus.
Este ano, em especial, maio trouxe a beatificação do "Santo" (já o é para o povo, para o mundo) Padre João Paulo II, falecido em 2005. Agora, nos próximos dias, a Bahia será abençoada com uma Beata, Irmã Dulce. O nome fala por si e dispensa comentários.
Maio de 2011 também está, aqui na Bahia, mostrando-se como o mês das greves. Quero só expressar minha opinião dizendo que médico é MÉDICO e tem gabarito, qualificação, para não ter seus vencimentos abaixo de outras categorias menos qualificadas. Ele tem de saber onde vai meter o nariz, senão nossas vidas estarão correndo perigo. É como eu sempre digo: "cada macaco no seu galho". Estou solidário com a classe médica e todos os servidores da Saúde. Precisamos de transporte, precisamos, é claro! Mas eles podem ser fácilmente substituídos, na mesma hora, sem diploma e nem formação acadêmica. (Se é que me entendem!).
Parabéns à todas as mulheres. Maio é de vocês. Só não se esqueçam de serem, realmente, mulheres e não mulherzinhas.
SANFERR
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