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SÔNIA BRAGA,
UMA JOVEM SENHORA COM A EXPERIÊNCIA DE UMA "SENHORA" ATRIZ.
Na próxima quarta-feira, dia 08, uma das maiores atrizes brasileiras de fama internacional de todos os tempos desde Carmem Miranda (apesar desta ter nascido em Portugal), completará 61 anos de idade com uma vitalidade (e corpo) de uma balzaquiana no auge de todo seu glamour, esplendor, glória e, neste caso, sex appeal. Com uma trajetória de sucesso nas telas de cinema e televisão, principalmente nos EUA, para onde se mudou em 1985 e fez uma carreira vitoriosa mesmo sem jamais ter sido premiada com o Oscar - apesar de várias indicações a prêmios importantíssimos que lhe rendeu respeito e credibilidade no meio artístico da terra do tio Sam, além de excelentes amizades (e relacionamentos, of course!) - ela esteve lado a lado com as grandes estrelas do show business americano e mundial como, por exemplo, o galã Robert Redford e o guitarrista de jazz Pat Metheny, com quem chegou a se casar. Seu nome é Sônia Maria Campos Braga, ou, simplesmente, Sônia Braga, nossa eterna Gabriela.
Nascida em 08 de junho de 1950, em Maringá, no Paraná, filha de Hélio Fernando Braga e Maria Braga, uma figurinista de renome na cidade, Sônia desde cedo mostrou que era diferente, nada convencional, com pensamentos e um comportamento à frente de seu tempo. Irmã de Hélio, Ana e Júlio, Soninha - como sempre foi chamada carinhosamente pelos mais íntimos - tinha sonhos e ambições típicos de qualquer jovem interiorana que sonha com a cidade grande e as oportunidades que a selva de pedra (coincidentemente o título de uma de suas futuras novelas) pode oferecer a quem deseja algo mais da vida, menos o trivial emprego qualquer, casamento, filhos e uma futura aposentadoria que só dará para as despesas básicas até a metade do mês, uma viagem (?) anual, talvez um carro popular na garagem de uma casa desconfortável e (eternamente) inacabada, além do prosaico -e pitoresco! - churrasquinho no fim-de-semana com parentes e amigos também comuns, que nada fizeram - em termos profissionais e sociais - ao longo da vida para serem lembrados pelas gerações futuras como personagens relevantes no livro clássico (e em alguns casos - dependendo da batalha travada - até mesmo épico) chamado "Esta é a sua Vida". Sônia queria tudo que é de direito a quem Deus deu talento e o querer dela foi tão forte, tão batalhado, que tornou-se realidade depois de anos de obstinação e coragem para lutar como uma tigresa - música composta para ela por Caetano Veloso - contra os famosos NÃO que todas as pessoas bem sucedidas recebem no início da carreira. Hoje, seis décadas depois, Sônia Braga pode olhar para trás e se ver registrada para sempre no cartório dos mitos nacionais de um país rico em pessoas inteligentes, capazes, mas totalmente desencorajadas para derrubar barreiras, pular fora do bloco do mesmismo, do "maria vai com as outras" e tornar-se ímpar, único, ser o diferencial entre pessoas e nomes, marcas. (Se é que me entendem!)...
No anseio, na obsessão que tinha dentro de si para tornar-se futuramente importante, mais que um simples rosto na multidão dos anônimos, Sônia juntou tudo, todos os sonhos, expectativas, esperanças e, literalmente, os "panos de bunda" (perdoem-me a expressão deselegante, chula) e, com uma bagagem cheia (de ideais) focou seu destino no eixo São Paulo/Rio - onde as coisas acontecem para quem quer seguir a carreira artística - e para lá seguiu com mais coragem do que cara (dinheiro). Passou dificuldades, privações, mas o destino - disfarçado atrás do seu enorme talento - não demorou muito para dar o ar da graça e em 1968, aos 18 anos de idade, ela estreou na peça "Hair" (musical onde todos ficavam nús no palco, que delícia!), dando o pontapé inicial num jogo chamado vida artística, o qual iria modificar completamente a sua história dali por diante.
A década de 70 foi marcante na vida de Sônia. Depois do filma "O Bandido da Luz Vermelha" (1968), vieram sucessos como "A Moreninha" (1970), "Mestiça, a Escrava Indomável" (1973) e "O Casal" (1975) transformando a jovem, bonita e sensual atriz paranaense numa das promessas do cinema nacional. Mas foi pouco tempo depois, pelas mãos do cineasta Bruno Barreto, que sõnia consolidaria para sempre seu nome como uma grande estrela, tornando-se celebridade (eterna e não instântanea) ao protagonizar "Dona Flor e Seus Dois Maridos", um dos maiores sucessos de público e crítica do cinema brasileiro em todos os tempos. A famosa cena filmada no Pelourinho ao lado de Mauro Mendonça e José Wilker (inteiramente despido, alisando sua nádega) se transformou num clássico.
Sônia, talento e sucesso. Um trio que deu, continua dando e sempre dará - sem trocadilhos, please! - marcas homéricas na telona em todos os sentidos falando, principalmente no quesito talento abundante (a genialidade de Sônia) e bundante (sua enorme qualidade logo abaixo da linha do Equador, num corpo mapeado por curvas generosas)... Poucas atrizes nacionais, de ontem e de hoje, se deram tão bem, fizeram com que a câmera se apaixonasse. Interpretando grandes ou pequenos (?) personagens, aqui, no exterior, na lua, no "raio que o parta", Sônia La Braga transmite competência e realidade à sua performance. "Lope", "Cidade do Silêncio", "Sea of Dreams", "Che Guevara", "Baila Comigo", "The Band of the Sea", "Império", "Perfume", "Tieta do Agreste", "A Última Prostituta", "Moon Over Parador" (Luar Sobre Parador) filmado aqui em Salvador, Bahia, no finalzinho da década de 80, são exemplos que não existem personagens específicos para La Braga. Existem, sim, várias Sônias para todos (e qualquer) personagem, tanto que o brilho de sua estrela aumentou ainda mais ao dar vida a personagens memoráveis em "Gabriela" (atuando ao lado de Marcelo Mastroianni), "O Beijo da Mulher Aranha", "Eu te Amo" e "A Dama do Lotação". Sônia Braga cresce quando sua imagem é captada pela câmera e isto ficou provado também na telinha ao seduzir os noveleiros de plantão como a sofrida Júlia Matos (Dancing Days, 1978), novela de Gilberto Braga, na qual fazia a mãe de Marisa (Glória Pires), era perseguida e humilhada por Yolanda Pratini (Joana Foom) e fazia par romântico com o inseguro Cacá (Antonio Fagundes, nos áureos tempos das cuequinhas vermelhas, ops!). A novela foi um marco da teledramaturgia e quem não requebrou ao som da discoteca (lembram-se da cena memorável de Sônia com o falecido Paulette, do Dzi Croquettes?) com meia lurex e tudo? Para completar, seu vasto e riquíssimo currículo tráz outros sucessos da TV Globo, a exemplo de "Espelho Mágico" (uma novela dentro da outra), "Saramandaia", "Fogo Sobre Terra", "Selva de Pedra", e a inesquecível Ana Maria, personagem de "Vila Sésamo".
Esta é uma mulher que não veio para passar, mas, sim, para ficar eternizada na memória de todos, admiradores ou não.
Au-revoir para todos que me critiam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!
SANFERR. 02.06.2011
a ESFINGE:
"Nunca menospreze, humilhe o seu próximo dizendo: "Quem é você?", pois ele poderá responder à altura da sua mediocridade: "Eu sou tudo àquilo que você não é, nunca foi e jamais será"...
SANFERR. 16.08.2010
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