quinta-feira, 2 de junho de 2011

A ETERNA SENSUAL E FOGOSA GABRIELA



                                                      ACESSOS
                                             BALANCETE MENSAL
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                                                 SÔNIA BRAGA,
     UMA JOVEM SENHORA COM A EXPERIÊNCIA DE UMA "SENHORA" ATRIZ.



     Na próxima quarta-feira, dia 08, uma das maiores atrizes brasileiras de fama internacional de todos os tempos desde Carmem Miranda (apesar desta ter nascido em Portugal), completará 61 anos de idade com uma vitalidade (e corpo) de uma balzaquiana no auge de todo seu glamour, esplendor, glória e, neste caso, sex appeal. Com uma trajetória de sucesso nas telas de cinema e televisão, principalmente nos EUA, para onde se mudou em 1985 e fez uma carreira vitoriosa mesmo sem jamais ter sido premiada com o Oscar - apesar de várias indicações a prêmios importantíssimos que lhe rendeu respeito e credibilidade no meio artístico da terra do tio Sam, além de excelentes amizades (e relacionamentos, of course!) - ela esteve lado a lado com as grandes estrelas do show business americano e mundial como, por exemplo, o galã Robert Redford e o guitarrista de jazz Pat Metheny, com quem chegou a se casar. Seu nome é Sônia Maria Campos Braga, ou, simplesmente, Sônia Braga, nossa eterna Gabriela.
     Nascida em 08 de junho de 1950, em Maringá, no Paraná, filha de Hélio Fernando Braga e Maria Braga, uma figurinista de renome na cidade, Sônia desde cedo mostrou que era diferente, nada convencional, com pensamentos e um comportamento à frente de seu tempo. Irmã de Hélio, Ana e Júlio, Soninha - como sempre foi chamada carinhosamente pelos mais íntimos - tinha sonhos e ambições típicos de qualquer jovem interiorana que sonha com a cidade grande e as oportunidades que a selva de pedra (coincidentemente o título de uma de suas futuras novelas) pode oferecer a quem deseja algo mais da vida, menos o trivial emprego qualquer, casamento, filhos e uma futura aposentadoria que só dará para as despesas básicas até a metade do mês, uma viagem (?) anual, talvez um carro popular na garagem de uma casa desconfortável e (eternamente) inacabada, além do prosaico -e pitoresco! - churrasquinho no fim-de-semana com parentes e amigos também comuns, que nada fizeram - em termos profissionais e sociais - ao longo da vida para serem lembrados pelas gerações futuras como personagens relevantes no livro clássico (e em alguns casos - dependendo da batalha travada - até mesmo épico) chamado "Esta é a sua Vida". Sônia queria tudo que é de direito a quem Deus deu talento e o querer dela foi tão forte, tão batalhado, que tornou-se realidade depois de anos de obstinação e coragem para lutar como uma tigresa - música composta para ela por Caetano Veloso - contra os famosos NÃO que todas as pessoas bem sucedidas recebem no início da carreira. Hoje, seis décadas depois, Sônia Braga pode olhar para trás e se ver registrada para sempre no cartório dos mitos nacionais de um país rico em pessoas inteligentes, capazes, mas totalmente desencorajadas para derrubar barreiras, pular fora do bloco do mesmismo, do "maria vai com as outras" e tornar-se ímpar, único, ser o diferencial entre pessoas e nomes, marcas. (Se é que me entendem!)...
     No anseio, na obsessão que tinha dentro de si para tornar-se futuramente importante, mais que um simples rosto na multidão dos anônimos, Sônia juntou tudo, todos os sonhos, expectativas, esperanças e, literalmente, os "panos de bunda" (perdoem-me a expressão deselegante, chula) e, com uma bagagem cheia (de ideais) focou seu destino no eixo São Paulo/Rio - onde as coisas acontecem para quem quer seguir a carreira artística - e para lá seguiu com mais coragem do que cara (dinheiro). Passou dificuldades, privações, mas o destino - disfarçado atrás do seu enorme talento - não demorou muito para dar o ar da graça e em 1968, aos 18 anos de idade, ela estreou na peça "Hair" (musical onde todos ficavam nús no palco, que delícia!), dando o pontapé inicial num jogo chamado vida artística, o qual iria modificar completamente a sua história dali por diante.
     A década de 70 foi marcante na vida de Sônia. Depois do filma "O Bandido da Luz Vermelha" (1968), vieram sucessos como "A Moreninha" (1970), "Mestiça, a Escrava Indomável" (1973) e "O Casal" (1975) transformando a jovem, bonita e sensual atriz paranaense numa das promessas do cinema nacional. Mas foi pouco tempo depois, pelas mãos do cineasta Bruno Barreto, que sõnia consolidaria para sempre seu nome como uma grande estrela, tornando-se celebridade (eterna e não instântanea) ao protagonizar "Dona Flor e Seus Dois Maridos", um dos maiores sucessos de público e crítica do cinema brasileiro em todos os tempos. A famosa cena filmada no Pelourinho ao lado de Mauro Mendonça e José Wilker (inteiramente despido, alisando sua nádega) se transformou num clássico.
     Sônia, talento e sucesso. Um trio que deu, continua dando e sempre dará - sem trocadilhos, please! - marcas homéricas na telona em todos os sentidos falando, principalmente no quesito talento abundante (a genialidade de Sônia) e bundante (sua enorme qualidade logo abaixo da linha do Equador, num corpo mapeado por curvas generosas)... Poucas atrizes nacionais, de ontem e de hoje, se deram tão bem, fizeram com que a câmera se apaixonasse. Interpretando grandes ou pequenos (?) personagens, aqui, no exterior, na lua, no "raio que o parta", Sônia La Braga transmite competência e realidade à sua performance. "Lope", "Cidade do Silêncio", "Sea of Dreams", "Che Guevara", "Baila Comigo", "The Band of the Sea", "Império", "Perfume", "Tieta do Agreste", "A Última Prostituta", "Moon Over Parador" (Luar Sobre Parador) filmado aqui em Salvador, Bahia, no finalzinho da década de 80, são exemplos que não existem personagens específicos para La Braga. Existem, sim, várias Sônias para todos (e qualquer) personagem, tanto que o  brilho de sua estrela aumentou ainda mais ao dar vida a personagens memoráveis em "Gabriela" (atuando ao lado de Marcelo Mastroianni), "O Beijo da Mulher Aranha", "Eu te Amo" e "A Dama do Lotação". Sônia Braga  cresce quando sua imagem é captada pela câmera e isto ficou provado também na telinha ao seduzir os noveleiros de plantão como a sofrida Júlia Matos (Dancing Days, 1978), novela de Gilberto Braga, na qual fazia a mãe de Marisa (Glória Pires), era perseguida e humilhada por Yolanda Pratini (Joana Foom) e fazia par romântico com o inseguro Cacá (Antonio Fagundes, nos áureos tempos das cuequinhas vermelhas, ops!). A novela foi um marco da teledramaturgia e quem não requebrou ao som da discoteca (lembram-se da cena memorável de Sônia com o falecido Paulette, do Dzi Croquettes?) com meia lurex e tudo? Para completar, seu vasto e riquíssimo currículo tráz outros sucessos da TV Globo, a exemplo de "Espelho Mágico" (uma novela dentro da outra), "Saramandaia", "Fogo Sobre Terra", "Selva de Pedra", e a inesquecível Ana Maria, personagem de "Vila Sésamo".
     Esta é uma mulher que não veio para passar, mas, sim, para ficar eternizada na memória de todos, admiradores ou não.
     Au-revoir para todos que me critiam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                                    SANFERR. 02.06.2011

a ESFINGE:
     "Nunca menospreze, humilhe o seu próximo dizendo: "Quem é você?", pois ele poderá responder à altura da sua mediocridade: "Eu sou tudo àquilo que você não é, nunca foi e jamais será"...

                                                                                                                                                                                  SANFERR. 16.08.2010


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quinta-feira, 26 de maio de 2011

TOP GAY, UMA HOMOSSEXUAL NO PODER

                                                                                                 
                                         JOHANNA SIGURDARDOTTIR,
             O SÍMBOLO (UNIVERSAL) DO PODER QUE O GAY PODE EXERCER.


     Certamente, um dos fatores responsáveis pelo fracasso de determinadas ações - e reações - em diversos segmentos da sociedade (ex-masculina, ex-machista, ex-patriarcal) moderna é o preconceito diante de uma classe que vem conseguindo notoriedade nos meios políticos, culturais e até sociais: os homossexuais. Sempre polêmicos e folclóricos (nas outras famílias) e alegóricos (quando os temos na nossa), em sua maioria esses meninos e meninas "diferentes" (?) são simpáticos, extrovertidos - porisso o nome gay, ou seja, alegre - carismáticos (uns nem tanto) e inteligentes, cultos (nem todos, contrariando a opinião duvidosa de terceiros que afirmam que "gay burro nasce morto"). Quando o gay não vem batizado com talento, cultura e competência necessários para sobressair-se, fazer um trabalho relevante que fique para sempre na história, para a posteridade - como, dentre centenas de outros renomados, Oscar Wilde, Angela Rorô, Denner, Clodovil Hernandez, Jean Wyllis, Clóvis Bornay, Bruno Chateaubriand, Versace, Aguinaldo Silva, Yves Saint-Laurent, Kenzo, Gilberto Braga, Ney Matogrosso, Jorge Fernando, sir Elton John (reverenciado pela nobreza européia), Rogéria, Michael Jackson, Roberta Close (o transsexual orgulho da nação, muito mais mulher que muitas por aí, intelectual e físicamente falando), aqui na Bahia os inesquecíveis Cary e Ney Galvão - no mínimo ele segue uma carreira não tão brilhante assim, comum, que não exige um QI mais profundo e é coadjuvante no seleto métier dos gays intelectualizados, de relevante desempenho na sociedade, os quais poderiam ser classificados como TOP GAY. Mas, geralmente, culto ou não, refinando ou espalhafatoso, de nível (decente) ou caricato, o homossexual (quase) sempre procura um meio de fazer-se notar (e respeitar) na área que escolheu para atuar, por menos importante que seja, ter seus quinze segundos de fama. Não é à toa que nos últimos tempos os homossexuais, tanto masculino como feminino, estão "roubando" a cena, tirando a coroa da decadente superioridade (?) política, social e cultural dos orgulhosos heterossexuais. Assim como as personalidades citadas acima, muitas outras figuras notáveis, dentro e fora do Brasil, deixaram de ser simplesmente pessoas, um anônimo, para tornarem-se nomes de prestígio por seus feitos e conquistas, ao contrário daqueles (e daquelas) que vivem apontando o dedo, criticando do alto de sua mediocridade e insignificância, vangloriando-se por honrar (?) suas calças e vestidos. Temos vários exemplos desses por aí, em cada esquina, em cada família, em cada ambiente de trabalho.
     Um caso recente do valor que muitos gays tem nos foi dado pela Islândia, país europeu que está vivendo dias de tensão e alerta por causa de um vulcão. Johanna Sigurdardottir foi indicada em 2009 para Primeira-Ministra, além de ser a primeira Chefe de Estado declaradamente lésbica da história. Nascida em 4 de outubro de 1942, em Reykjavir, esta senhora elegante, cultíssima e simpática da fotografia acima, filiou-se ao Partido Social Democrata antes de tornar-se quem é, foi Ministra de Ação Social (1987), integrou o Comitê da Indústria e o Comitê dos Assuntos Exteriores. E aí, senhoras e senhores preconceituosos de plantão, o que dizer, com que cara (de pau, envernizada pela humilhação e vergonha) vocês ficam diante deste fato histórico, dessa realidade que afronta (e questiona) todos os seus (pre) conceitos de moralidade e arrogante conservadorismo? Diga-se de passagem, um conservadorismo falso, hipócrita, já que todos nós temos telhado de vidro, ninguém fica em cima do muro - sempre tomba para um dos lados - sem direito de julgar quem quer que seja. "A pessoa pode achar que sua conduta é certa, mas é Deus quem examina as consciências". Provérbios, 16-vs.2.
     Aqui no Brasil, há poucos dias, todos os Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), por unanimidade, votaram à favor dos direitos (constitucionais) dos homossexuais...(?)...
     O mundo está (mal) acostumado a olhar os homossexuais com escárnio, olhares desconfiados ou de repúdio, boca retorcida e pedras (simbólicamente falando, mas muitas vezes são pedras mesmo) que atingem (quase sempre) em cheio o ego, a auto-estima e a dignidade de quem quer apenas viver em paz, respeitando para ser respeitado. Comportamento antiquuado, políticamente incorreto, quando estamos vivenciando o apogeu tecnológico do século XXI, no qual - mesmo viajando em moderníssimas aeronaves e se comunicando com a rapidez dos SMS e dos e-mails - a sociedade teima em retroceder ao tempo das cavernas quando se trata das relações humanas. Até a TV Globo já se curvou ao sinal dos tempos e tem colocado o homossexualismo como tema relevante em várias novelas, minisséries e seriados. Então, prezados leitores, por que insistir em voltar à Idade Média e queimar nas fogueiras inquisicionistas nossos meninos e meninas alegres? Ou, então, como no século passado, imitar o que fez o diabólico, demente, megalomaníaco e repulsivo Adolf Hitler que, numa verdadeira caça às bruxas, submeteu milhares de gays a terríveis experiências científicas? Na verdade, o que "Adolfina" queria era disfarças, desviar a atenção do mundo para sua própria homossexualidade, as orgias que aconteciam no seu QG entre generais e soldados da Gestapo.
     Está em nossas mãos a chance de darmos um BASTA, um "chega pra lá" na perseguição injusta, infame e vergonhosa que os homossexuais sofrem diáriamente. Precisamos mostrar que o homossexual é capaz, encorajar tantos por aí a deixarem de lado seus casamentos "normais" (?) fracassados, sem amor, sem realização pessoal, econômica e social - apenas por medo de ser taxado de gay - e investir num novo relacionamento, desta vez com quem gosta de verdade e trancou por conveniência no armário da discrição, escondendo da família, dos amigos e colegas de trabalho. Aliás, medo e vergonha são duas tristes palavras que devem ser expulsas de nosso dicionário. Medo de ser coerente com a sua verdade? Vergonha, de que? De estar ao lado, ser companheiro(a) de um(a) homossexual de destaque na sociedade? É mais fácil e digno viver intensamente a felicidade de um amor com alguém do mesmo sexo, que conviver dia após dia com a angústia, a tristeza de um casamento hetero, de aparência, sem amor, apenas para se camuflar dos comentários e dedos apontados.
     Johanna Sigurdardottir é uma lésbica, sim, senhor. Mas uma lésbica que, ao contrário de muitas mulheres por aí, vai deixar seu nome na história porque tem valor, talento e quis se destacar, não ser apenas mais uma qualquer. Ela teve coragem e jamais medo, vergonha. Chegou ao topo, sendo respeitada e admirada mundialmente, mostrando que aonde ele arrasta a sola do sapato, muitos "normais" não tem capacidade de colocar a ponta do nariz. Provou que - não por sua opção sexual, que é uma questão apenas dela - com talento, competência e capacidade, administrou (e muito bem) o que para muitos heterossexuais seria (e sempre será) impossível: o governo de um país. Johanna é a prova que o  homossexual (em sua maioria, exceto raras excessões, infelizmente!) veio ao mundo para ser especial, uma marca (na história) e não apenas mais um nome no recenseamento. Que o gay é sabidamente superior, está acima do mesmismo, do trivial, do "feijão com arroz", do cantado - e (quase) decadente - casamento entre pessoas de sexo diferentes. Não é à toa que os líderes deste imenso país (ainda tupiniquim em diversos aspectos), as cabeças pensantes - ou, no mínimo, poderosas - estão batalhando para mudar a lei e transformar o casamento num "casamento entre pessoas".
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                                      SANFERR, 26.05.2011

a ESFINGE:
     "Vocês, ancestrais da espécie humana que se perderam por uma maçã... O que não fariam por um peru trufado?"

                                           Anthelme Brillat-Savarin (1755-1826), advogado e político francês, autor de "A Fisiologia do Gosto".




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quinta-feira, 19 de maio de 2011

UM VIP ENTRE OS VIPS




                                         JOÃO GILBERTO,
     UM MALUCO PARA A PLEBE E UM GÊNIO PARA A REALEZA CULTURAL.
    


     Se existe uma personalidade brasileira que sempre foi a mais internacional de todas, esta é João Gilberto. Cortejado, admirado e respeitado por cabeças coroadas, chefes de Estado, os maiores nomes do showbusiness e socialites do jet-set mundial, o baiano de Juazeiro - ao contrário de sua conterrânea, a também cantora Ivete Sangalo - nunca foi popular, carismático, dado a simpatias gratuitas (?) com a imprensa e muito menos com o público, mostrando cedo uma personalidade forte, marcante e extremamente singular. Enquanto Ivete - intérprete de canções de fácil entendimento e aceitação popular que caem como uma luva no gosto musical (nem um pouco apurado e muito menos exigente) do povão - é "arroz de festa", autora de declarações e um palavreado não tão, digamos, políticamente (em todos os sentidos) correto como ele, João poderia ser classificado como o prato mais requintado de um banquete servido à MPB. No caso, "lagosta à termidor" e não o vatapá (que adoro!) - literalmente falando, tapando os ouvidos - servido no jantar de gala com o comandante no cruzeiro vip (para quem não sabe, very important personal) das celebridades tupiniquins, onde a entrada, saladas e, principalmente, as sobremesas são para os mais variados paladares, gostos ou a total falta deles. João, o nosso querido Gilberto ou, simplesmente, o pai da Bossa Nova, é um cara que todas as gerações, das passadas às vindouras, dos mais eruditos aos menos favorecidos pela intelectualidade e refinamento musical, chamarão eternamente de O CARA. Séculos, milênios passarão e o meio artístico-cultural brasileiro (e internacional, of course) deverá render glória e homenagens a esse showman que veio ao mundo para ser o diferencial entre o grau mais alto da cultura, talento e genialidade, em discordância ao mesmismo, mediocridade  de letras e canções (?) sem nexo, pé (e muito menos cabeça), absurdamente emburrecedoras - e constrangedoras, dependendo do gênero musical - que nos agridem acintosamente intelectual, social e moralmente dia após dia, hora após hora, nas rádios e vizinhança do país afora.
     Deus, certamente, deve ter perdido a fôrma com a qual fez João Gilberto, mas ele, sem pestanejar, não perdeu a oportunidade de deixar seu nome (e marca) para a posteridade. Ontem, hoje e sempre, em todo o mundo, pessoas espalharão orgulhosas aos quatro ventos que tiveram o prazer e a honra de ouví-lo cantar, conversar (mesmo ele não sendo de dar atenção a qualquer um), que o conheceram de perto, ao menos o viram passar em algum canto (sem trocadilho) e lugar. Para muitos ele sempre foi - e será sempre - arrogante, presunçoso, vaidoso e cheio de vontades como um menino-grande que brinca com o sucesso como se fosse presente de aniversário. Para outros, João sempre foi um rei acima do bem e do mal, irritando-se com facilidade com o súdito louco que não atendesse suas "vontades", num reino fantasioso chamado de música popular brasileira. Opiniões e discussões à parte, todos sabemos que João Gilberto sempre foi um gênio, mesmo não precisando de nenhuma lâmpada maravilhosa, neste caso, uma orquestra afinada, bastando apenas para ele um banquinho e o violão. Com esse trio no palco, a platéia (de todas as épocas) se rende à superioridade deste músico que está aquém do (básico) dó-ré-mi-fá-sol-lá-si. Ele nunca foi até as notas, são elas que o buscam ansiosas para serem (re) inventadas, criadas nos passos e compassos de um maestro que não se deixa seduzir pela insignificância de rimas chulas, de duplo sentido, um verdadeiro atentado terrorista à boa música, a arte defendida por mestres de todas as épocas e lugares, de Vivaldi, Bach e Beethoven, até Caetano, Djavan, Chico e Gil, dentre centenas de outras mentes criativas, pensantes, previlegiadas.
     Autor de pérolas da MPB como os famosos (e imortais, não poderia ser diferente vindo dele) discos "Chega de Saudade" (1959), "O Amor, o Sorriso e a Flor" (1960), "João Gilberto" (1961), "Orfeu do Carnaval" (1962), além dos mais recentes "The Legendary João Gilberto" (CD lançado nos EUA pela World Pacific, em 1990), "O Mito" (1992) e "38 Titres de Bossa Nova", também lançado pela Pacific (1993). Admirador de outros "reis" como Orlando Silva, Lúcio Alves e Dick Farney, João Gilberto causa emoções diversas nas pessoas, como contou Claúdia Faissol, mãe de uma filha dele: "As pessoas chegam perto e nem falam. Veem ele e choram"...(?)... Da MPB à Bossa Nova, passando pelo samba (ele sempre foi versátil), João deu seu toque todo especial interpretando "Coqueiro Verde" (Fernando Martins Filho/José Marcílio), "Louco" (Wilson Batista) e "Deus Salve a América" (Irving Berlin, versão Braguinha). Esse é o homem de todos os tons e, como disse Nélson Motta, "nessas coisas de som ele está sempre certo". Numa nota distribuída à imprensa no início do ano passado pela EMI brasileira, a gravadora traduziu em poucas palavras a importância do cidadão mitológico chamado João (nascido na boa terra) Gilberto: "João desfruta de irrestrito respeito e admiração, não só por parte da EMI Music Brasil, mas por todos os apreciadores da boa música, em todo mundo". Mais não foi dito e nem precisava.
     Inacessível, polêmico e solitário - pouquissimos amigos privam de sua intimidade, tanto aqui como no exterior - e no melhor estilo Greta Garbo, João é adepto fervoroso  do famoso ditado "antes só do que mal acompanhado". Autoconfiante, visionário (ele profetizou, anos atrás, o apogeu e o declínio da música brasileira) e, salvo raríssimas excessões, como a nata da nata da MPB, João acertou em cheio quando vemos e ouvimos (infelizmente) hoje em dia "cantores" (?) estuprando nossa audição com o que de pior produzem nos estúdios de fundo de quintal. Por essas e outras - e sempre será assim com todos que se mostram capazes, à frente de seu tempo com talento, criatividade e, na sua área, entende do riscado - ele foi e é taxado como maluco, narcisista, megalomaníaco e provocador, como na careta (foto acima) que ele fez para a platéia na estréia de um show no Credicard Hall, São Paulo (1999). Tratando-se de João Gilberto, tudo para ele é irrelevante, mesmo sendo ele próprio "relevantíssimo" para a MPB, o que o fáz amado por uma legião de fãs de extremo bom gosto musical e odiado por tantos outros que gostariam de ser - mas nunca serão - um João Gilberto da vida. Quem é nascre, e quem não é, se acha. (Se é que me entendem!)...
     Baiano atipico, nada influenciado pelo axezismo e o som ensurdecedor do trio elétrico, mesmo assim ele sabe admirar Ivete, Daniela Mercury, Margarete Menezes e Claúdia Leitte, dentre tantos outros (os bons) baianos. Rico (aos poucos, de grão em grão, discretamente, conseguiu juntar uma fortuna razoável), sofisticado e elegante (sempre impecável nos blazers Dior, Valentino, Yves Saint-Laurent e sapatos italianos), João sabe como ninguém apreciar um bom vinho e um legítimo scotch, enquanto bota sua "cachola" pra funcionar. Está mais para um belíssimo cruzeiro pelas ilhas gregas tomando champagne francês admirando o pôr-do-sol em Delos, que (não poderia ser diferente) um passeio de escuna ao som - contagiante, para quem gosta - do baticum típico de um sambão domingueiro pelas águas da baía de Todos os Santos. Já disseram certa vez "que é mais fácil ver o Papa que João Gilberto", mas, de vez em quando, dá o ar da graça na Bahia, no calçadão de Copacabana, como também na elegantérrima Avenur Foch, em Manhattan ou no Hyde Park. É um baiano que, com talento, persistência e muito trabalho (apesar de muitos o taxarem como preguiçoso), pôde chorar suas mágoas e saudades nos lugares mais famosos do mundo. (João é um previlegiado, um abençoado por Deus com talento, que veio à Terra para mostrar seu trabalho e ser muito bem pago por isso, ao contrário de todos nós, pobres mortais que tem de "ralar" para ganhar "o pão nosso de cada dia"). Enfim, João Gilberto é um homem para ser amado ou odiado. Não por seu estilo "diferente" de vida e muito menos por sua arte, mas pela intolerância de seus opositores, tão invejosos e medíocres como a sua (deles) falta de talento e criatividade.
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                              SANFERR, 19.05.2011.

a ESFINGE:
     "Neste mundo cão, movido pela inveja, calúnia e maledicência, quando alguém vier lhe dar informações sobre outra pessoa, não dê crédito. Pode ser um amigo querendo esconder os defeitos ou um inimigo querendo botar defeito. Conviva com a pessoa e tire suas próprias conclusões".


                                                                                                                                                                              SANFERR, em 14.07.2010.

de SANFERRPRESS para todos os leitores e colaboradores (patrocínios, doações):

     Gostaria, antes de qualquer coisa, agradecer às pessoas que estão acreditando no blog e colaborando com doações generosas. Muito obrigado!
     Domingo próximo, dia 22, a Bahia e todo o país estará em festa com a beatificação da "Santa" (já o é para o povo, assim como João Paulo II, quer queiram ou não nossos irmãos evangélicos) Irmã Dulce "dos pobres", numa grande celebração eucarística presidida pelo Cardeal Emérito d. Geraldo Majella Agnelo no parque de Exposições, aqui em Salvador.
     Irmã Dulce foi uma das primeiras personalidades retratadas aqui na coluna e recomendo que leiam o artigo publicado em 16.12.2010.
     Este momento mágico na história da Igreja católica baiana não é para ser vivenciado como mais uma festa, um evento, um carnaval (me perdoem a comparação) onde todos vão, participam e depois passou, acabou, esqueceu-se. Não! É, ao contrário de outra qualquer comemoração, um momento para se pensar e refletir em quem foi e o que fez Irmã Dulce. E, se possível - claro que (quase) ninguém terá o dom e a coragem dela - tentar-se fazer o mesmo, nem que saiba um pouco. Olhe para seu lado e veja seu irmão em Cristo. A dor, o sofrimento, as angústias e privações que ele passa. Pense: como posso fazer para amenizar esse sofrimento? Claro que palavras de conforto são sempre bem vindas, mas perdem-se no vento, no tempo e, principalmente, na boa vontade de quem o fáz. É como a velha estória: "ensinar a pescar e não dar o peixe". Ora! Irmã Dulce ensinou e DEU o peixe, pois ela sabia que se a pessoa não tiver fortalecida - tanto espiritual como físicamente (alimentada) - como vai ter forças para pescar e manter-se de pé, vivendo com dignidade? Eu, particularmente, sempre achei essa desculpa muito confortável para muitos (e muitas) Pôncio Pilatos que existem por aí, dentro e fora de qualquer religião, que vai lá, passa a mão na cabeça, dá um abraço (falso, hipócrita, na maioria das vezes, e isto não é julgamento, é a realidade) com nojo porque a outra pessoa está doente, mal vestida e cheirando mal, "oferta" um conselho da boca para fora e vai embora achando que praticou a maior das caridades. Depois, ao sair da Missa, do culto, ou de qualquer outra reunião de sua religião ou seita, vira para o pedinte na rua e esbraveja orgulhoso de sua superioridade (?) social e financeira: "vai trabalhar, vagabundo, não vou sustentar seu vívio, não". Como você sabe, irmão, que àquela pessoa é viciada? Que moral cristã você tem para julgar? Principalmente pela aparência?
     O "cristão" de hoje (católico, evangélico, todos nós, enfim) somos tudo na vida, menos cristãos. Achamos que somos, mas jamais fomos ou seremos, salvo raras excessões de pessoas que se doam ao próximo. Eu, graças à Deus, tenho um exemplo vivo em família, pois minha tia Daisy se anulou para à família. É uma cristã verdadeira, no sentido radical da palavra. No mínimo, se fizermos - e quando fazemos - uma caridade, um gesto generoso, saímos alardeando para Deus e o mundo. "Não deixe que sua mão esquerda saiba o que fez a sua direita"... É para se pensar ou não? E as esmolas, as doações para instituições filantrópicas, para as catástrofes que ocorrem? Somente coisas velhas, sem utilidade, e o que não vai fazer falta em nossa casa, nossa família, nosso bolso. Essa não é a verdadeira doação. O que adianta ajoelhar ajoelhar, orar e pedir perdão à Deus, meu povo? Cuidado com o egoísmo, a arrogância (eu Tenho, eu Posso, eu Sou) do dia-a-dia, a mesa farta e o povo passando fome na sua porta, na esquina de sua rua. Chegará o Dia que, partindo desta vida num caixão luxuoso e coberto de caríssimas coroas de flores, levado para o suntuoso mausoléu para o seu "descanso final", irá - chegando diante d'Ele - pedir perdão e, certamente, Ele lhe responderá: "Como você quer ser perdoado, se não perdoou, se não ajudou seu irmão a se levantar e viver como você vivia?"
     Irmã Dulce perdoou, ajudou e deu chance - tirando do pouco que ela tinha - a muitos por aí. Ela ganhou o mundo (fazendo o bem), mas não perdeu a alma. Lembre-se que esta vida é curta, passageira. Depois... a eternidade. E aí?
     Paz! Perdão! Amor! Caridade! Faça destas palavras seu lema de vida. E esqueça a calúnia, a difamação, a mentira, a inveja, o dedo em riste para apontar, discriminar. O dedo do Pai vai apontar para você.

                                                                                                                                                                            SANFERR, 19.05.2011.
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quinta-feira, 12 de maio de 2011

RAINHA DO CÉU E DA TERRA. A FILHA PREDILETA DE DEUS!

 
                             MARIA DE NAZARÉ, MATER ECCLESIASE!
             A ÚNICA MULHER QUE SOUBE (E QUIS) AGRADAR AO SENHOR.


     Amanhã em todo o mundo os filhos de Deus e quem é verdadeiramente cristão, renderá glória e homenagens à Mulher mais importante que já habitou entre nós, a Santíssima Virgem Maria, Mãe de do Verbo encarnado (Jesus Cristo), seu Único Filho. Pura, sem a mancha do pecado original, virgem antes, durante e depois do parto - quer queiram ou não nossos irmãos protestantes (nome mais apropriado não poderiam ter os seguidores de Martinho Lutero) e evangélicos em geral - ela foi elevada aos céus de corpo e alma. O insondável mistério de Deus, chamado pejorativamente pelos "crentes" (?) como mariolatria. (Se eles acham que Jesus não deu valor, glória e louvor à Sua Mãe, eu não quero nem imaginar o que eles não fazem com as suas, pobres pecadoras iguais a todos nós!)...
                         A Propiciatória, a Redentora, a Reconciliadora e a Triunfante.
     13 de maio de 1917. Num belíssimo domingo da primavera européia, no lugarejo chamado Aljustrel, freguesia de Fátima, Portugal, três pastorinhos saíram para juntar na serra o rebanho de ovelhas. Eram Lúcia de Jesus, Francisco e Jacinta Marto, respectivamente com 10, 9 e 7 anos, crianças de origem humilde, puros, completamente diferentes das de hoje em dia corrompidas pelo egoísmo (inocente, mas egoísmo) "colocado" na cabeça delas pelo consumismo de uma sociedade comtemporânea onde o TER é mais importante que o SER, os vícios, a sexualidade precoce e os jogos perniciosos de uma tecnologia que só leva à destruição da juventude. Naquela manhã esplendorosa iluminada por um sol como jamais tinha sido visto, os pastorinhos de Fátima teriam suas vidas - física e espiritualmente falando - mudadas (e marcadas) para sempre na Cova da Iria, quando "uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente", segundo palavras da Irmã Lúcia anos depois, surgiu para eles.
                                         Graça Irresistível diante do Senhor.
     13 de maio de 2011. Comemoração de exatos 94 anos da primeira aparição de Nossa Senhora, Maria de Nazaré, a Mãe de Deus, em Fátima, diocese de Leiria. Depois daquela data memorável na história da humanidade cristã e atéia, outras cinco aparições - sempre no dia 13 (e ainda tem ignorantes supersticiosos por aí que acham ser este um número de má sorte!) - sucederam-se: 13 de junho, 13 de julho (quando os pastorinhos tiveram a terrível visão do inferno e logo a seguir seus semblantes angelicais ficaram momentâneamente horrorizados pela cena presenciada), 15 de agosto (única excessão, talvez propositalmente, pois este é o dia que comemora-se a Assunção da Virgem), 13 de setembro e a última aparição no dia 13 de outubro. (E a Mãe de Deus nunca se apresentou como Oxum, vejam bem!, e sim como Ela mesma). Estas foram as vezes que Nossa Senhora desceu do seu trono na glória celeste e nos deu a honra de Sua visita, deixando em cada uma dessas vindas mensagens para a raça humana, além da ocorrência de diversos fenômenos atmosféricos, os quais aconteciam para corroborar que, realmente, Ela estava ali. Em 13 de setembro ocorreu a belíssima chuva de pétalas de rosas (as mais perfumadas que o olfato humano já sentiu) juntamente com flocos de neve num evidente sinal que Ela, depois da Santíssima Trindade - Deus Pai, Filho e Espirito Santo - tem (quase) todos os poderes sobre as coisas e os elementos abaixo dos céus. Em 13 de outubro outro fenômeno maravilhoso, estonteante (e até assustador) ocorreria: o milagre do sol. O astro-rei girou rápidamente inúmeras vezes, como uma gigantesca bola de fogo, indo e vindo, dando a impressão (aos milhares de fiéis que presenciaram estarrecidos esta cena milagrosa e histórica, procurem, pesquisem e verão tudo nos jornais da época) que se chocaria com a terra. Havia chovido torrencialmente, o solo e as roupas das pessoas estavam encharcadas e, milagrosamente, tudo ficou seco em questão de segundos. Naquele mês de outubro de 1917, mesmo com a Primeira Guerra Mundial dizimando vidas pelo mundo afora há mais de três anos, Deus permitiu que a Virgem Santíssima, Sua Filha predileta dentre todas as mulheres desde a criação do mundo, mostrasse aos mais incrédulos, às diversas religiões que teimam em desacreditá-la, desmerecê-la, desmascará-la (como se tivesse motivos e fatos comprobatórios para tal ousadia, pobres coitados!) que Ela é, realmente, a rainha dos céus e da terra. (Se o povo fáz isso - tentar desacreditar - com a própria Mãe de Cristo, o que não é capaz de fazer aos demais?). Poder-se-ia dizer, então,  depois de tudo isso, que a expressão "graça irresistível" é técnicamente imprópria? Parece ser um oxímoro, porque a própria natureza da graça subentende que um dom gratuito é oferecido. Nós, católicos verdadeiros e não de ocasião, sabemos que Maria é apenas intercessora junto a Jesus, mas naquele dia foi-lhe dado o direito de fazer um milagre, talvez o maior deles. Nossa Senhora brincou com o sol como se fosse uma bola de ping-pong. E o sol, poderosíssimo e imponente em sua autoridade, tornou-se pequeno e impotente diante da vontade daquela Mulher, de Sua rainha. (Bem aventurados os olhos que puderam contemplar tal espetáculo!). Para completar, Maria profetizou solenemente: "Por fim, o Meu Imaculado coração triunfará!".
     Antes das aparições de Nossa Senhora, um de seus serviçais no "lar" celeste - denominado aqui como o Anjo de Portugal - veio preparar-lhe a visita como um mensageiro, embaixador, em 1915 e 1916, aparecendo também para os mesmos pastorinhos na forma de um belíssimo garoto de 15 anos na loca do Cabeço. Vários pontífices ao longo deste último século atestaram a veracidade das aparições e, seguindo a recomendação da Virgem, pediram ao mundo para intensificar a prática da oração do Rosário como arma sobrenatural para diminuir os sofrimentos da humanidade, dentre eles Bento XV, Pio XI, Pio XII, João XIII, Paulo VI e os mais recentes, João Paulo II (um devoto fervoroso de Maria) e Bento XVI, o qual, na audiência geral de 18/05/2005, disse: "O Rosário é uma oração evangélica que nos ajuda a compreender melhor os mistérios fundamentais da história da salvação". Seu antecessor, o agora Beato João Paulo II, na Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, de 16/10/2002, já havia escrito: "Recitar o Rosário nada mais é senão contemplar com Maria o rosto de Cristo... Hoje encontramo-nos diante de novos desafios. Porque não retomar na mão o terço com a fé dos que nos precederam? O Rosário conserva toda a sua força e permanece um recurso não descurável na bagagem pastoral de todo o bom evangelizador". Trocando em miúdos, os papas disseram que o Rosário é o único meio para exercitarmos a nossa fé nos momentos mais complicados e terríveis de nossas vidas. É na dor, na dificuldade e no sacrifício que Maria vê a nossa força, nossa fé inabalável e corre para interceder por nós junto ao Seu Filho Jesus.
                                                      Deus e Satanás
    Junto com o Âlfa e o Ômega estão Lúcia, Francisco e Jacinta, obedientes. Ao lado do deus das trevas, o anjo rebelde e invejoso, ateus renomados como, por exemplo, Richard Dawkins e Michel Onfray, dois loucos. Dawkins tornou-se um terrorista contra a fé e Onfray, admirador de Friederich Nietzsche, morreu mais ateu e louco do que nunca. É para se pensar ou não? "Deixai vir A Mim as criancinhas, porque delas será o reino dos céus". E elas foram na figura dos três pastorinhos. Crianças e santos na glória celeste e beatificados na terra em 13 de maio de 2000, no caso de Francisco e Jacinta. Mas, para que milagres para comprovar a santidade desses previlegiados? Quem neste mundo é digno de ver Nossa Senhora, falar com Ela? Muitos lunáticos por aí, com interesses escusos, dizem que conversam, trocam "idéias" (?) com a Mãe de Deus... (E nisso vão engordando suas contas bancárias com as intermináveis romarias ao seu encontro). No caso dos pastorinhos, a estória é diferente. Qual interesse social, econômico e até mesmo cultural eles teriam para inventar uma mentira dessa? Eram humildes, ignorantes intelectualmente, mas mestres, sábios e doutores no amor e respeito às causas divinas. Tanto que Jacinta e Francisco amarraram uma corda-cílicio no corpo (quanto sofrimento!) por baixo das roupas para purificarem-se pelos pecadores.  Virtudes heróicas dos pequeninos! Dizia Jacinta à Lúcia: "Sofro muito, mas sofro tudo pela conversão dos pecadores e pelo Santo Padre. Gosto também de sofrer por amor de Jesus e de Maria! Eles gostam muito de quem sofre pela conversão dos pecadores". Num artigo publicado pelo L'Osservatore Romano, pe. Luís Kondor, vice-Postulador das Causas no processo de beatificação das crianças, escreveria: "Jacinta, depois de ver o inferno, só se preocupava com a salvação das almas em perigo de se perderem para sempre, imitando Jesus Cristo que veio ao mundo para salvar os pecadores". Não foi à toa que o Santo Padre Pio X profetizou: "Haverá santos entre as crianças". Queira Deus! Mas, pelo andar da carruagem (aliás, das motos nos dias atuais) no mundo que vivemos, onde as mães compram pílulas anticoncepcionais para as filhas e os pais, em geral, camas de casal para os adolescentes dormirem com seus amores (?), eu, particularmente, duvido muito. Uma criança (?) de hoje sabe muito mais sobre promiscuidade, maldades e difamações, libertinagem, que dez adultos de décadas atrás.
     Jacinta de Jesus Marto nasceu em Aljustrel em 11 de maio de 1910, adoeceu em dezembro de 1918 com broncopneumonia sendo internada no hospital Vila Nova de Ourém. Morreu no hospital D. Estefania em 20 de fevereiro de 1920. Francisco Marto também nasceu em Aljustrel em 11 de junho de 1908, adoeceu vitimado pela pneumônica em dezembro de 1918 e morreu em 04 de abril de 1919 da mesma forma que Jacinta, em odor de santidade. O rosto daquela menina que olhou tête-a-tête a face da Mãe de Deus não foi corrompido pelos mistérios do túmulo e em 22 de setembro de 1935, ao ter o corpo exumado para ser transferido para Fátima, o povo pôde constatar tal previlégio, tal merecimento. Irmã Lúcia sobreviveu por mais algumas décadas em recolhimento de fé e orações, dedicada à vida religiosa como Carmelita Descalça no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, esperando sua hora de ir encontrar-se definitivamente com a Virgem Maria, o que aconteceu quando já estava quase centenária, há alguns anos atrás.
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                                   SANFERR, 12.05.2011

a ESFINGE:
     "O importante não é agradar ao mundo e ao povo, mas a Deus. Ser simpático, cercado por falsos amigos de ocasião que só vão tirar o que você tem e coisas mundanas, ser querido (?) por víboras venenosas que irão lhe trair e picar nas curvas da vida, é a mesma coisa que ganhar o mundo e perder a alma".

                                                     "VIOLETTE", Albertina Borges Ferreira (1895-1998), professora, poetisa e intelectual camamuense.


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