GABRIEL BRAGA NUNES,
A SEDUÇÃO (MALDITA) QUE EXERCE UM SER-HUMANO
VENENOSO, CAFAGESTE, MAU-CARÁTER.
A teledramaturgia brasileira é um verdadeiro ninho de cobras (não tão diferente assim do mundo real onde - quase todas - as pessoas preferem destilar veneno destruindo vidas de inocentes com calúnias, difamações e perseguições infundadas à oferecer o supra-sumo do amor filial). A ficção tem mais vilões no universo das novelas, seriados e minisséries do que possa imaginar nossa vã filosofia de seres-humanos imperfeitos, maledicentes, arrogantes e muito, muito desumanos, já que ninguém (ninguém mesmo) fica em cima do muro para julgar o próximo; quando não tomba para um lado, tomba para o outro e assim - falando mal uns dos outros achando-se o certo, o correto, acima do bem e do mal, apontando o dedo podre e condenando outras pessoas sem olhar "para o próprio rabo" caminha a humanidade para a degeneração total esquecendo-se completamente do "amai-vos uns aos outros como Eu vos amei".
A história - das várias estórias criadas desde que inventaram a telenovela no país - nos tráz a triste e preocupante estatística que o telespectador gosta, aplaude e, em alguns casos, torna-se até cúmplice (?) do antagonista, perverso e anti-ético (em todos os sentidos) transformando-o inconscientemente em ídolo, no seu personagem favorito. A prova está aqui nesta galeria de criaturas abomináveis que povoaram (e continuarão povoando) a dramaturgia: Odete Roitman e Maria de Fátima ( Beatriz Segall e Glória Pires, Vale Tudo), Miro (Milguel Falabella, Selva de Pedra e, na versão original, Carlos Vereza), Yolanda Pratini (Joana Foom, Dancing Days), Laura (Claúdia Abreu, Celebridade), Altiva (Eva Wilma, A Indomada), Nazaré (Renata Sorrah, Senhora do Destino), Timóteo (Bruno Gagliasso, Cordel Encantado), Fred (Reinaldo Gianechinni, Passione), Pérpetua (Joana Foom, Tieta), Max (Lima Duarte, Araguaia), Raquel (Glória Pires, Mulheres de Areia), além do pai de todos os miseráveis, batizado (ou não seria excomungado como deveriam ser muitos(as) por aí que vivem de criticar e prejudicar?) como Leôncio (Rubens de Falco, A Escrava Isaura, clássico dos clássicos!). E por aí vai a interminável lista de péssimos exemplos de malandragem, de má conduta e (falta) de caráter criados pelos geniais - e contemporâneos - autores Silvio de Abreu, Gilberto Braga, Walcyr Carrasco, Duca Rachid, Telma Guedes, Ricardo Linhares, Maria Adelaide Amaral, Aguinaldo Silva, Glória Perez e tantos outros que com criatividade foram formados na escola - verdadeira faculdade do autodidatismo - dos mestres Glória Magadan, Ivani Ribeiro, Dias Gomes, Janete Clair, Mário Prata, Lauro César Muniz, Manoel Carlos, Cassiano Gabus Mendes. Escritores que (tirando Dias Gomes, o único agraciado da turma) poderiam estar "imortalizados" na Academia Brasileira de Letras por seus relevantes serviços prestados à cultura - nem um pouco erudita, mas extremamente popular - do Brasil nos últimos 60 anos, chamada novela. Certamente até bem mais valorizados (pelo povão) que os acadêmicos que tiveram a honra de vestir o fardão, pois, infelizmente, vivemos numa sociedade culturalmente desinformada (e falida de conhecimentos gerais) onde tem-se o péssimo (e ignorante) hábito de dizer que "quem gosta de velho (inclua-se aí tudo) é museu"... (?)... (Talvez seja por tal razão que a Europa - berço da civilização, culturalmente falando - não tenha valor algum, já que vive de séculos de história, "velharias", não é pais dos asnos e avôs dos ignorantes?). Vivemos como homens das cavernas, pré-históricos no quesito intelectualidade onde é mais cômodo - e econômico, diga-se de passagem - apertar o botão do controle remoto que abrir as páginas de um bom livro, cometendo assim o pecado mortal de morrermos na mendicância cultural. Por essas e outras estamos falando tão mal, escrevendo pior ainda, e o que é inadmissível: culpa do vestibular-loteria (dos X, para quem sabe acertar e quem não sabe arriscar a sorte). As universidades estão despejando "profissionais" incapacitados nas mais diversas áreas - mas devidamente credenciados pelos famosos "diplomas" - no mercado de trabalho. Ou vão me dizer que é exagero meu?
Leonardo Brandão, eis a questão que vem polemizando toda a nação nos últimos meses. O filho preferido de Wanda (Natália do Valle, excelente desempenho!), a incógnita (até bem poucos capítulos atrás) na vida do pai Raul (Antonio Fagundes) e o traidor-mór do próprio irmão Pedro (Eriberto Leão). O pior exemplo - de família desajustada, problemática, infeliz - que a dramaturgia tem dado todas as noites através da (realista) novela Insensato Coração, TV Globo. Com um elenco estelar onde figuram nomes de peso como Natália Thimberg, Tarcísio Meira, Glória Pires, Rosi Campos, Isabela Garcia, Débora Secco, Débora Evelyn, Hérson Capri, Ana Beatriz Nogueira, Bete Mendes, Roberta Rodrigues, Milton Gonçalves (uma das cenas de morte mais comovente dos últimos tempos), Louise Cardoso, Cássio Gabus Mendes, José de Abreu, Paola Oliveira, Ana Lúcia Torre, Norma Blum, José Augusto Branco, Maria Clara Gueiros e Camila Pitanga, dentre ouros, a telenovela revelou (?) um ator - apesar dele ter mostrado seu talento em trabalhos anteriores - que tem a capacidade de mostrar toda a hipocrisia e ódio do personagem (um marco de mau-caratismo, falsidade e frieza) com a representação de uma simples olhar: Gabriel Braga Nunes, o filho da atriz Regina Braga com o diretor Celso Nunes. A competência de Gabriel fez e lógicamente fará até a última cena de Léo, o diferencial neste mundo ficcional. Sua larga experiência ao longo da carreira (até então promissora e agora vitoriosa) o fáz representar com "o útero", viver o personagem com uma naturalidade desconcertante. Quem contracena com ele não tem vez - não tem essa de "passar a bola", química - pois Gabriel rouba a cena. Uma carreira que inclui sucessos de público e crítica como "Essas Mulheres" (baseada nos romances Senhora, Diva e Lucíola, de José de Alencar), Cidadão Brasileiro e Poder Paralelo, todas da Record. Já na TV Globo, participou recentemente da série As Cariocas (no episódio A Atormentada da Tijuca). além de Anjo Mau (1997), Terra Nostra (1999), Uga-Uga (2000), Estrela-Guia (2001), O Beijo do Vampiro (2002), completando seu currículo com O Quinto dos Infernos, Kubanacan, Os Aspones e Senhora do Destino, de Aguinaldo Silva, onde viveu Dirceu de Castro (depois interpretado por José Mayer, na segunda fase) nos primeiros capítulos. No cinema marcou para sempre sua ilustre participação em Carandiru e Chatô, o Rei do Brasil (2003) e A Dona da Estória (2004, fazendo o papel dele mesmo). Gabriel Braga Nunes é um showman, um ator para mil interpretações. Os personagens correm atrás dele e não ele atrás dos personagens, como vemos diáriamente outros (que se acham bons atores) fazendo "caras e bocas", caricatos, posando de futuros (pseudos) galãs: decadentes.
Leonardo é um destes personagens que todos, sem excessão, dizem: "eu conheço uma pessoa assim". E sabem por que? Porque existem milhares de Leonardos - disfarçados ou assumidos (sem pudor ou falso moralismo, máscaras) em seu péssimo caráter - circulando em todos os lugares, em várias famílias, nas esquinas, nos colégios e locais de trabalho. Hoje em dia a hipocrisia, ingratidão e crueldade (moral e fisicamente falando) fazem parte da vida dos ditos "certinhos" também, já que - em algum momento na vida, consciente ou inconscientemente - pratica-se esses sentimentos abomináveis nem que saiba para se defender das maldades alheias. É um círculo vicioso, infelizmente, onde a moral, a ética e, principalmente, a caridade cristã (tão em desuso) estão em segundo plano, são meros coadjuvantes num elenco (a sociedade) onde o "se dar bem", o TER e não o SER, é o protagonista numa produção deplorável intitulada "Caluniei, Persegui, Atropelei, Derrotei e Venci"... (?)... (O que tem de "vitoriosos" com esse livro de cabeceira!).
Acredito que, ao contrário de Vale Tudo (1988), onde o personagem Maria de Fátima (Glória Pires, sempre maravilhosa!) terminou como princnesa depois de ter atropelado e derrotado várias pessoas, inclusive a própria mãe Raquel (Regina Duarte), desta vez Gilberto Braga e Ricardo Linhares - autores de Insensato Coração - mostrarão ao telespectador que a falta de ética, a calúnia, a perseguição, o ódio e a inveja não levam ninguém a nada. Para se vencer na vida só existe dois caminhos: o trabalho e aguardar a aposentadoria (no Brasil irrisória, ridícula) ou o talento (para poucos) para se tornar (merecidamente) rico, famoso e respeitado em sua área. Não existe meio-termo. (Ou há?).
Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!
SANFERR, 23.06.2011
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