quinta-feira, 21 de julho de 2011

A VOZ DO ( BOM E VERDADEIRO ) SAMBA


                                                         ALCIONE,
              UM ENCANTO DE PESSOA, A ESTRELA MAIOR DO SAMBA..


     Que o nordeste foi - e sempre continuará sendo, graças à Deus - uma terra abençoada, cultural e artísticamente falando, um celeiro de grandes astros e estrelas, especialmente com relação a nomes de peso da MPB, todos nós sabemos. Ainda mais quando lembramos que São Luís do Maranhão é o berço de uma das maiores sambistas que o Brasil nos deu nos últimos tempos, a qual tem levado esse ritmo tipicamente nacional para além de nossas fronteiras cantando em palcos consagrados dos EUA, Europa, África, Oriente Médio e Japão desde que foi descoberta (e lançada para os holofotes da fama) no programa "A Grande Chance" do (já falecido) apresentador Flávio Cavalcanti. Melhor início Alcione, a nossa Marrom, não poderia ter tido, pois, para passar com reconhecimento, glória e circunstância pelo crivo do competente júri daquele programa, só mesmo quem tinha talento - e talento abundante, não bundante - e, no caso de Alcione, ritmo nos pés e samba na alma, na voz. (A dela, de ouro e não de latão, "gralha", como muitos por aí). Se Flávio fosse vivo hoje em dia muitas porcarias que tocam por aí nas rádios, shows vizinhanças não teriam se criado para denegrir, desmoralizar o bom nome da MPB. Certamente muitos caminhões-lixeiras já teriam tomado o caminho certo abarrotados de CDs quebrados pelas mãos rigorosas do famoso mestre, o qual não veria neles valor artístico algum, a não ser um atentado a arte milenar chamada música. É comum quando vai-se estrear uma peça os atores dizerem uns aos outros: "muitas m... para você". Frase que - e muitos irão concordar comigo - deveria ser dita ao público quando certos cantores (?), bandas e afins fossem subir ao palco ou se apresentarem em programas de televisão. (Aliás, o que leva os produtores a mostrarem esses talentos (?) que não acrescentam nada a cultura? Se eles soubessem que muitos controles remotos são usados nesta hora "histórica" da música para trocar de canal!...) Se bem que, a depender da capacidade intelecto-cultural de certas pessoas, muitos se sentiriam em casa e sentariam-se confortávelmente no trono da mediocridade e ignorância artística para "aplaudir" com entusiasmo  - e conhecimento de causa - o show (?) no camarote da falta de bom gosto.


     Alcione Dias Nazareth, nascida em 21.11l.1947, com os (bons) ensinamentos musicais aprendidos com o pai, o militar e professor de música João Carlos Dias Nazareth, mostrou desde cedo que a moreninha brejeira e faceira da terra de São José do Ribamar não veio ao mundo à passeio. Tinha o samba não somente nos pés (e no coração) mas, principalmente, no gogó; aliás, um gogó de ouro, prata e bronze que atinge com extrema facilidade todas as notas musicais fazendo-se ouvir com uma nitidez impressionante, mesmo sem a ajuda do microfone (se fosse o caso), na última fileira do teatro. Quando ela descobriu esse dom e que dele faria a sua vida, seu "ganha pão", que escreveria sua história como uma das maiores intérpretes da MPB, outras já tinham trilhado o mesmo caminho e faziam sucesso nas rádios e long-plays (lps) da vida, a exemplo de Elza Soares, outra morena que, com talento e balacubaco (nossa! que expressão mais antiquada!), já encantava platéias e seduzia Mané Garrincha, as pernas mais poderosas do futebol brasileiro de todos os tempos. Ao longo de sua discretíssima vida afetiva - talvez decepcionada com a falta de lealdade, a traição que corre nas veias de todos os homens - a Marrom mais branca que já vi em toda minha vida não se preocupou em cantar (e encantar) um único fã, mas milhões de admiradores que desejavam - e ainda desejam, of course! -  serem embalados por sua voz singular, inimitável. Alcione é uma deusa, um mito, uma verdadeira lenda viva da MPB e, mesmo antes de subir ao palco e soltar a voz, percebe-se nos bastidores todo seu carisma, a luz que emana do seu ser elegante e perfumado. Ela brilha como pessoa e esse brilho transforma-se numa luz intensa, forte, que ofusca qualquer um que se apresente com ela. Alcione não rouba a cena. Ela é a cena. Antes, durante e, principalmente, na apoteose do espetáculo quando todos se levantam para aplaudí-la, praticamente ignorando os outros artistas que se apresentaram ao seu lado. Mesmo sendo outra mulata de talento reconhecido nacional e internacionalmente como Margarete Menezes. Esta, "com muita honra" dividiu o palco com a maranhense no show "Canto pela Paz" no último domingo (dia 17) aqui no - para mim - Teatro (Municipal, deveria ser pela grandiosidade e importância, só falta as frisas e camarotes) Castro Alves. Apesar de algumas imperfeições técnicas (disfarçadas aos olhos dos leigos, desatentos) e deslizes na atuação de um ou outro que dividiu o palco com elas, Alcione "deu" com (muita) generosidade artística e grandeza de alma um pouco de sua luz para a "maga" baiana. Esta, por sua vez, não decepcionou e, como sempre, deu um "banho" de (boa) musicalidade baiana.


     Com uma personalidade forte e determinada a se fazer respeitar por seus próprios méritos, sem desejar espelhar-se (ou imitar) quem quer que fosse, Alcione mostrou para a platéia de Flávio Cavalcanti e para todo o Brasil um jeito novo de cantar o samba  com uma postura impecável de "prima donna" (?) do ritmo, a qual também sabia - como o sabe muito bem até hoje - tocar um dos instrumentos mais complexos que existe: o trompete. Para desagrado de dona Felipa, sua mãe, a qual desejava que a filha se tornasse uma exímia pianista. Quis o destino, sábio como sempre, que Alcione mostrasse à mãe que estava certa em sua escolha musical e lhe desse muito orgulho tornando-se - além de cantora - uma das maiores compositoras e instrumentistas que São Luís exportou do Maranhão para o Brasil e, consequentemente, o mundo. Tanto que recebeu ao longo da carreira - depois de anos batalhando por "um lugar ao sol" - títulos e honrarias como a Ordem do Rio Branco, a mais alta comenda do país, e a Medalha Pedro Ernesto da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Quem disser que não gosta de samba e pagode - o bom e verdadeiro - nunca assistiu um show de Alcione, ouviu um de seus discos ou presenciou teatros e casas de espetáculo, daqui e de fora, levantar em peso para requebrar os quadris ao som de suas músicas. Canções - verdadeiras obras-primas do samba - que fazem parte da sua discografia, desde A Voz do Samba (1975) até Acesa (2009), passando por preciosidades como Morte de um Poeta, Pra que Chorar, Alerta Geral, Gostoso Veneno, E Vamos à Luta, Dez Anos Depois, Fogo da Vida, Da Cor do Brasil, Emoções Reais, Promessa, Profissão: Cantora, Valeu - Uma Homenagem a Nova Geração do Samba ( que lhe rendeu o disco de ouro em 1997), Nos Bares da Vida (ao vivo) e Raridades, dentre outros. Uma larga experiência, depois de anos de obstinação e trabalho, que lhe deu o direito de interpretar (em 2007) o papel da cantora americana Lady Brown na minissérie global "Amazônia, de Galvez a Chico Mendes".


     O Brasil tem muitos que (dizem) fazem samba. Mas (qause) nenhum deles, ou delas, são verdadeiramente sambistas como a Marrom. Ao vivo ou não, se fazendo presente ou, simplesmente, sendo homenageada em qualquer evento, Alcione é um dos poucos nomes da MPB que consegue lotar os espaços dedicados à boa música em qualquer dia da semana. Não foi à toa que na década de 70, ao lado de Paulo Moura, inaugurou o legendário Teatro João Caetano, no Rio (um espetáculo de casa) com o excelente projeto "Seis e Meia".


     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!



                                                                                                                                                                          SANFERR, 21.07.2011

a ESFINGE:
     "As garotas são românticas quando novas e se tornam realistas quando tem filhos. Os homens, ao contrário, ficam mais românticas e sentimentais quando envelhecem".

                                       GRACE KELLY (1929-1982) atriz e princesa de Mônaco.


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quinta-feira, 14 de julho de 2011

O ASTRO OU O SEMI DEUS DA TELEVISÃO?


                                                   DANIEL FILHO,
                       AMADO POR UNS, ODIADO POR OUTROS, INVEJADO,
                                   EIS UM TALENTO INCONTESTÁVEL!


     O Brasil parou em 1977. Não por causa de um (futuro) presidente, Tancredo Neves, que haveria de morrer misteriosamente antes de tomar posse (e o povo pranteava mais ainda do que a perda física, a esperança de ver o sonho de liberdade e democracia plena, irrestrita, adiado mais uma vez) ou muito menos por um retirante nordestino (Lula) e uma mulher que foi presa, sofreu no cárcere durante quase quatro anos as atrocidades da ditadura militar (Dilma) que assumiriam o comando da nação anos depois. Mas, por conta de uma outra mulher e outro homem, os quais - mesmo numa área tão diferente da politicagem que se fazia (e será que ainda não se fáz) naqueles idos atormentados pela referida ditadura - uniram seus talentos para virar o país de "cabeça pra baixo", causar um rebuliço geral em todos os setores da sociedade, em todas as famílias, de norte a sul, do Oiapoque ao Chuí, com uma estória envolvente, apaixonante, de amor e ódio, ciúme e traição. Seus nomes? Janete Clair e Daniel Filho, a "usineira de sonhos" como foi batizada pelo mestre Carlos Drummond de Andrade e o "mago das oito", responsáveis como criadora e diretor de "O Astro", a telenovela que mexeu com os hábitos noturnos dos brasileiros, alcançou altos índices de audiência no Ibope e foi um estrondoso sucesso (até) de crítica, sempre tão reticente e preconceituosa com esse tipo de cultura popular do nosso país. De socialites ao povão, dos empresários aos trabalhadores e (novamente até) os intelectuais, ricos e pobres, famosos ou anônimos, sem distinção de classes, credos e (pasmem!) religião, todo o Brasil aguardava com ansiedade Cid Moreira e Sérgio Chapellin darem o "boa noite" (depois de apresentarem, com toda elegância e fleuma britânica, as trágicas notícias do dia no Brasil e no mundo) para assistir e emocionar-se com o romance do mago trambiqueiro Herculano Quintanilha (Francisco Cuoco) e a romântica Amanda Assunção (a saudosa Dina Sfat). Até a cantora Maria Betânia exigia em seus shows uma televisão no camarim para não perder o capítulo da novela, pois, além dela, outras pérolas, diamantes e esmeraldas da MPB (bons tempos àqueles que nossos ouvidos não eram prostituídos por músicas decadentes) como Bete Carvalho, Vanusa, Clara Nunes, Emílio Santiago, Rita Lee, Djavan, Francis Hime, Elza Soares e outros, faziam parte da trilha sonora. Cuoco e Dina Sfat lideravam um elenco estelar formado por nomes de peso da teledramaturgia como Toni Ramos, Elisabete Savalla, Eloísa Mafalda, Heloísa Helena, Hélio Ary, Flávio Migliaccio, Ida Gomes, Isaac Bardavid, Cleyde Blota, Telma Elita, Sílvia Salgado (estreando) e tantos outros, os quais, em grandes ou pequenos (?) papéis transformaram o texto de Janete num sucesso retumbante, inesquecível. Um elenco que deveria servir hoje em dia como exemplo e escola para muitos rostos e corpinhos bonitos, verdadeiros talentos "bundantes" e de uma nota (ops!), quer dizer, um papel só. (Se é que me entendem!)...
     Com essa nova versão que estreou anteontem (terça, dia 12) comparações surgirão - e talvez, mesmo inconscientemente, eu esteja fazendo algumas - mas serão inevitáveis. Por exemplo: gosto e admiro o trabalho de Thiago Fragoso, mas, infelizmente, nestes dois capítulos iniciais, nas cenas que ele deveria ter explodido em interpretação com a emoção do personagem Márcio Hayalla, ficou à desejar. O fato é que perguntas se fazem necessárias depois de 34 anos da exibição da novela original. (A nova geração, óbviamente, não saberá o que foi, o que significou O Astro da década de 70).  Será que a estória não sofrerá cortes abruptos, já que a novela foi compactada de 185 para 60 capítulos? Mauro Mendonça Filho, à frente da direção geral e diante do próprio Daniel Filho não sucumbirá a tentação de pedir orientação, conselhos ao mestre? (O que seria até normal - e prudente - diga-se de passagem!). E, finalmente, o elenco atual - não menos talentoso, competente - fará jus a responsabilidade de "ressuscitar" personagens como Herculano, Amanda, Márcio, Salomão, Clô, Samir e Youssef Hayalla, tia Magda, Felipe, Neco, Beatriz, Mello Assunção, Joze, etc. e tal? Não duvidando, naturalmente, da capacidade de fenômenos da interpretação como o próprio Daniel Filho, Regina Duarte, Rosamaria Murtinho e todos os demais. Só que, por exemplo - mesmo sendo a rainha das atrizes de televisão brasileiras - Regina Duarte não fará uma Clô Hayalla como Teresa Rachel. Da mesma forma que nenhuma outra atriz faria a rainha Valentine (da novela Que Rei Sou Eu?) como (também) Teresa o fez na trama assinada na década de 80 por Cassiano Gabus Mendes. Cada ator tem seu estilo próprio (e imprime isso ao personagem), seu tempo de interpretação e, quando o personagem já foi apresentado ao público, fica (quase) impossível separar o primeiro do segundo. Como, por outro lado, a viúva Porcina e Sinhôzinho Malta (Regina Duarte/Lima Duarte, em Roque Santeiro), Odete Roitmann e Maria de Fátima (Beatriz Segall/Glória Pires, em Vale Tudo) são atuações únicas, inigualáveis. Daqui há alguns anos, se fizerem o remake de Insensato Coração, ninguém chegará aos pés do nível de interpretação de Gabriel Braga Nunes como Leonardo. O olhar, os gestos, a entonação... Um grande ator! Com relação a O Astro, o telespectador (inteligente, observador) vai notar as diferenças e, mesmo sendo uma recriação dos excelentes roteiristas Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro, vai ficar sempre um gostinho de "será que?..." Não tem como não ser assim. Esse é o "pecado capital" (sem trocadilhos) dos remakes. (Não seria mais prático - financeira e artísticamente falando - reapresentar as versões originais das novelas?)...
     "Toma que o filho é teu, Daniel" ou, melhor dizendo, o Cecil B. de Mille tupiniquim, nascido em 30.09.1937 no Rio de Janeiro como João Carlos Daniel, filho do ator catalão Joan Daniel Ferrer e da atriz argentina Maria Irma Lopez (Mary Daniel). Por ser uma família circense, Daniel Filho não teve uma vida comum, fácil e, desde cedo, mostrou ser diferente, ter um talento, digamos, ousado (e abusado!) em comparação aos garotos de sua idade. Aos 12 anos (pasmem!) teve um filho com a empregada da casa de seus pais, o qual recebeu o nome de João Carlos Macedo e foi criado longe dele. Somente cinquenta e seis anos depois foi reconhecido por Daniel num exame de DNA, quando os dois ficaram frente à frente e pouco (ou nada) tinham a dizer um ao outro. Não devemos julgar jamais os atos - e mistérios - insondáveis da vida de quem quer que seja, pois na maioria das vezes tiramos conclusões precipitadas pelas aparências, o diz que diz popular e não somos justos. Daniel Filho, segundo quem o conhece na intimidades - como as ex-mulheres Dorinha Duval, Bete Faria e Márcia Couto - além de Olivia Byington, com quem se casou em 2008 e os filhos Carla Daniel (atriz) e João, é um homem de conduta irreprovável, amante à moda antiga (de mandar flores, bombons, abrir a porta do carro), pai e avô carinhoso, "coruja". Ator, diretor, produtor de cinema e televisão, Daniel vai deixar seu legado como cidadão e sua herança de talento artístico para os netos Lys, Antonio, Valentina e João Paulo. Homem de personalidade forte, diz o que pensa sem a preocupação (ou intenção) de parecer agradável, simpático e, sendo assim, tornou-se admirado como pessoa, respeitado como profissional e, principalmente, bajulado por ser um dos executivos mais poderosos da Rede Globo, ocupando atualmente o previlegiado cargo de diretor-artístico da Globo Filmes. Para Daniel - segundo os próprios artistas, técnicos e funcionários da TV Globo, dos porteiros ao pessoal dos escritórios, tanto na sede da emissora na rua Lopes Quintas (Jardim Botânico, zona sul) como na Central Globo de Produção (Projac) - não existe (profissionalmente falando) ex-mulheres, filhos e muito menos "apadrinhados", se os mesmo não preencherem o principal requisito exigido por ele: talento.
     O extenso currículo do "mago das oito" é invejável e começa na década de 60 quando, ao lado de Jece Valadão, estourou as bilheterias dos cinemas com Os Cafagestes (1962) e Boca de Ouro (1963). Seus trabalhos mais recentes na telona foram A Partilha e Se Eu Fosse Você 1 e 2, sem falar no trabalho como ator em "Querido Estranho", de Ricardo Silva e Pinto. A televisão, por sua vez, hoje não teria o status de ser uma das melhores do mundo se não fosse a preciosa assinatura dele na direção de sucessos como A Rainha Louca, Sangue e Areia, Rosa Rebelde, A Cabana do Pai Tomás, Véu de Noiva, Irmãos Coragem, O Homem que Deve Morrer, Selva de Pedra, Pecado Capital, O Casarão, Duas Vidas, Espelho Mágico, Dancing Days, Brilhante e Suave Veneno, sem contar os seriados, minisséries e Casos Especiais.
     Desde anteontem ao ligar a tv às 23 hs. e ouvir, de terça a sexta, a música "Bijuterias" (João Bosco), sinta-se na obrigação de reverenciar um dos maiores diretores e atores do país. Ontem, hoje e sempre.
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                     SANFERR, 14.07.2011

a ESFINGE:
     "Todo mundo perdoa tudo, menos o talento".

                                                    Oscar Wilde (1856-1900) escritor, poeta e dramaturgo irlandês.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

AVE-CESAR!?



    ACESSOS
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  (MÊS 09 - PERÍODO)
     01.06.2011 a 01.07.2011
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          Parabéns, SANFERRPRESS!!


                                                      HUGO CHÁVEZ,
                    UM DEUS (?) FRÁGIL E HUMANO. ATÉ OS FORTES SUCUBEM.


     Todos sabem - principalmente por conta de suas atitudes nada populares e cruelmente anti-democráticas - que o temido e respeitado (nem que saiba por medo de represálias, por uma obediência imposta à milhares de seus "súditos") presidente da Venezuela Hugo Chávez é um político - se é que ele dá o direito de fazer-se (boa) politica em seu país - polêmico, truculento (física e verbalmente falando), além de presunçoso, causando reações adversas, desde a mais simples antipatia e simpatia - vai-se entender o que se passa na cabeça de certas pessoas - escárnio ou, o que é quase unanimidade, até mesmo o ódio "hitleriano" (inconcebível imaginar-se alguém igualmente desumano, oportunista, perigoso e desprezível quanto o alemão) em todas as esferas da sociedade civil e militar (por "debaixo dos panos", of course!) venezuelna, sociais e econômicas do mundo inteiro. Arrogante, destemido (como todos aqueles que se acham), Chávez não tem "papas na língua" e, muitas vezes, "mete os pés pelas mãos" nos seus comentários e pronunciamentos, exibindo-se e achando-se como um verdadeiro deus - ou não seria o anti-profeta? - idolatrado por alguns e execrado, menosprezado por tantos outros que o chamam de megalomaníaco, insano e, consequentemente, imprudente em suas decisões governamentais as quais levam o país a inúmeras e constrangedoras "saias justas", isolando-o (e também a nação) do resto do mundo.
     Na recente história da humanidade, líderes (?) se tornaram - e muitos ainda o são, infelizmente - ditadores, usando e abusando da repressão, cleptocracia e poder militar, levando-os ao final de sua triste trajetória como chefes de um povo que não gostaria de ser comandado por eles, posteriormente a rejeição (e a reação) das massas ensandecidas que promovem atos revoltosos em forma de greves, passeatas, protestos, ou, o que é pior, guerras civis incontroláveis e duradouras, além do repúdio de outras nações (e povos) que anseiam pelo pleno exercício da democracia. Nomes famosos nesta lista negra não faltam, como, por exemplo, dentre vários outros, Muammar Gaddafi (que ainda resiste como pode, e quer, na Líbia) e Hosni Mubarack, o qual, mesmo não tendo sido um ditador com histórico próprio - já que foi sucessor de Gamal Abdel Nasser (1918-1970) - foi deposto no início deste ano depois de ter iniciado sua carreira na Aeronáutica e se manter por 30 (terríveis!) anos no poder graças ao militarismo que ele mesmo montou no Egito. Outro que vem perpetuando-se no governo - nem que saiba agindo nos bastidores, já que delegou ao irmão suas funções "oficiais" ´é Fidel Castro, de Cuba, a ilha onde Hugo Chávez buscou refúgio no último mês para tratar um tumor maligno. Aliás, a amizade entre os dois governantes, de Cuba e da Venezuela, vem de longas datas. Em 2009, Fidel Castro e Chávez assinaram um acordo - para a entrada de Cuba no bloco da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) - sem saber que o texto final havia sido redigido por Washington, agenciado pelo então (na época) presidente de Honduras, Manoel Zelaya. Este, mesmo pertencendo ao grupo dos presidentes Daniel Ortega (Nicarágua), Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia) continuava sendo um fiel aliado dos EUA. Mas, o acordo exigia uma condição para a entrada de Cuba no bloco: Fidel deveria aderir aos princípios da OEA (Organização dos Estados Americanos) para ser aceito pela ALBA. O desfecho dessa "historieta" - mistura de história política com (quase) mutreta - todos conhecem. (Coisas da politica e politicagem!)...
     Dono de terras, fábricas e supermercados, o ambicioso governo Chávez quer cada vez mais o controle total. De tudo e de todos, se possível, como aconteceu em maio de 2010 com a nova lei de terras, a qual proíbe os arrendamentos. Trocando em miúdos, o plano de desenvolvimento socialista (2007-2013) prevê que a Venezuela terá controle absoluto das atividades produtivas estratégicas, mesmo com o governo já controlando 75% da produção de café, 42% da farinha de milho e 47,5% da produção de leite.
     Ditadores são ditadores em qualquer época e lugar, desde o tempo dos césares e faraós; jamais serão bem aceitos, respeitados - a não ser pela hipocrisia de subalternos que carregam na alma (e no corpo) marcas indeléveis do medo, da crueldade imposta por eles - e a única coisa que sabem fazer é deixar seu povo à deriva (no mar do caos, da miséria) sem saber como agir, para onde ir e muito menos o que pensar, tornando-se alienados, culturalmente falando - totalmente dependentes de seus atos irresponsáveis. Por tal razão, em muitos países acontece cada vez com mais frequência os famosos "golpes de Estado". Geralmente sem sucesso, como aconteceu recentemente com o próprio Chávez. Em 2002 ele foi deposto e 48 horas depois conseguiu retornar ao poder, tornando-se ainda mais poderoso, quando todos pensavam (errôneamente) que ele estava por baixo, destruído. Dentro e fora do país (acreditem se quizer). O jornalista norte-americano Brian Nelson escreveu no livro "O Silêncio e o Escorpião" (uma verdadeira aula de política internacional) que a breve saída de Hugo Chávez do poder não obedeceu a um golpe de Estado premeditado. Os EUA não estava envolvido (na trama) e as milícias armadas controladas por Chávez foram as principais causadoras das mortes que ocorreram naquele dia. Em resumo, tirar Chávez do poder não é tarefa das mais fáceis, pois a cada dia - com ou sem doença - ele se julga mais onipotente, oniciente e onipresente. (Deus que me perdoe por essa comparação absurda, essa heresia, esse pecado mortal!)...
     Os próprios governos, consequentemente o povo (tão massacrado em alguns países pela tiranis de certos malucos) e as "cabeças pensantes" - intelectuais que tem algo a dizer e fazer de relevante - são prejudicados em igual intensidade pelo regime maldito, a ditadura. Não fáz tanto tempo assim, a blogueira Yoani Sánchez teve seu blog bloqueado pelo (inconsciente) governo cubano, dos Castro. Graças à Deus, em 9 de fevereiro deste ano, ainda exilada num quarto de hotel em Havana, Yoani pôde, finalmente, acessar o "Geração Y". Outros sites também foram perseguidos, a exemplo do portal "Desde Cuba" e a página "Vocês de Cuba". (Ainda bem que sou blogueiro/colunista brasileiro, um país livre!). Por essas e outras que a relação afetiva entre o governo cubano e Chávez se estreita cada vez mais, já que são simpatizantes (e adeptos) dos mesmos métodos de coação política, intelectual, social, econômica e (até!) psicológicas...(?)... O todo-poderoso chefe supremo do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) não poderia ter escolhido país melhor para se tratar e repousar - como vimos na edição desta última segunda-feira (dia 04) do Bom Dia Brasil (TV Globo), ele passeando com as duas filhas antes de voltar para seu país para reassumir o cargo com festança popular na véspera dos festejos de 200 anos da independência da Venezuela - pois para os dois caciques (Chávez e Fidel) democracia é palavra perigosa que não existe (no dicionário deles) e nem deveria existir (nos outros países).
     Mesmo sofrendo derrotas fenomenais nas urnas - e foram três  nos últimos quatro anos, apesar do chavismo (com toda sua malandragem) ter eleito mais deputados que a oposição - Chávez não perde (e pelo visto jamais perderá) a pose. Ele cai (?), mas cai "de pé" com toda elegância, pompa e circunstância que só os poderosos (?) conseguem ter, negando até o último instante que foi derrotado, usando logo a seguir certos "mecanismos" para reverter a situação e prejudicar seus desafetos, saindo-se sem pre bem, numa boa de qualquer situação embaraçosa, deixando seus inimigos "à ver navios". Foi assim em 2007 quando os venezuelanos não apoiaram "o seu sonho" de reeleição ilimitada (pelos séculos dos séculos, amém!). Em retaliação, ele suspendeu o repasse de verbas federais para as administrações regionais que estavam nas mãos de seus opositores. Só que - com o referendo de 2009 - ele viu o "seu sonho" tornar-se realidade. (Depois de dois anos de muita angústia e uma espera inquietante que martelava em sua cabeça como a "pior derrota de sua vida"). Agora, só Deus - o verdadeiro - poderá decidir se o povo venezuelano irá continuar sorrindo ou chorando. Se, enfim, o "presidente (quase) emérito" tomará noção de sua real (sem duplo sentido) responsabilidade como chefe-de-Estado e agirá como um verdadeiro rei, que governa olhando os interesses do seu povo e não para o seu próprio umbigo.
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                          SANFERR, 07.07.2011

a ESFINGE:
     "A insignificância, mediocridade e falta de valor de um homem se mede pelo trabalho comum que ele exerce".

                                                                                    Vitorino Martins Ferreira (1895-1973) professor e poeta.

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

A GRAÇA ( E A VOZ ) DA BAHIA

                                                          GAL COSTA,
                 "QUANDO SURGI, ME CHAMARAM DE JOÃO GILBERTO DE SAIAS", disse ela.


     A cantora baiana que deu vida (musicalmente falando) à sensualidade de Gabriela - interpretada por Sônia Braga na televisão com o inesquecível Armando Bógus e no cinema com o galã internacional Marcelo Mastroianni, os Nacib de sua vida ficcional, criada pela genialidade do imortal Jorge Amado - também é uma das deusas que cantam (e encantam!) no Olimpo da música popular brasileira. Aos 65 anos, pode-se dizer que Gal Costa vivencia com sabedoria a plenitude da vida como uma "jovem senhora", linda de viver (e até de morrer-se por ela, se fosse o caso) como diz a apresentadora Hebe Camargo. De bem com a vida, está amando - o filho Gabriel, adotivo, uma benção que Deus lhe deu - e sendo igualmente amada (pelos fãs) em todo o Brasil e nos quatro cantos do mundo. Do alto de sua mais recente moradia (ela muda frequentemente de csa como uma nômade, cigana, certamente buscando vislumbrar novos horizontes e,agora, a baía de Todos os Santos está logo ali embaixo, banhando seus pés elegantemente manicurados), Gal está confortávelmente instalada num dos espaçosos e elegantes apartamentos do sofisticadíssimo edificio Morada dos Cardeias, no largo do Campo Grande na capital baiana, onde mora também outra celebridade "cantante" - e estonteante, admirada por todos os funcionários do condomínio - do universo musical, a irreverente Ivete Sangalo. Gal, literalmente falando,  pode se dar ao luxo de olhar - do alto, e bota alto nisso - com tranquilidade para trás e ver que todo seu esforço, desde o difícil começo lá nos dourados (não tanto para muitos) anos 60, valeu a pena. Hoje é uma artista consagrada pela critícia e público - mesmo tendo recebido muitos comentários nada elogiosos, até mesmo depreciativos, por sua postura e aparência hippie - como uma das vozes mais respeitadas (e requisitadas pelos compositores) da MPB. Voz esta que não precisa ir além da primeira nota para que todos saibam quem está ao microfone.
     Maria da Graça Costa Pena Burgos - ou, melhor dizendo, desde que mudou seu nome em 1990 - Gal Maria da Graça Pena Burgos Costa, a filha de Arnaldo Burgos (pai que não chegou a conhecer e morreu quando ela tinha 15 anos) com Máriah Costa Pena (também já falecida), foi acostumada desde quando ainda se encontrava no ventre da mãe a ouvir boa música (clássica), pois d. Mariah passava horas cantarolando para o ser que crescia dentro de si. Com um comportamento, digamos, profético assim, a filha não poderia ter seguido outro caminho senão o de ser cantora, tornar-se um "monstro" da música popular brasileira, "batizada" pelo refinamento e bom gosto ao ouvir casualmente em 1959 o mestre João Gilberto sussurrar melodiosamente "Chega de Saudade" no rádio. Diz o sábio ditado - um dos poucos, já que a maioria não fáz sentido algum - que "filho de peixe, peixinho é". Dona Máriah, infelizmente, não teve seus dotes musicais reconhecidos, mas vingou-se na carreira mais do que vitoriosa da filha. Abençoado àquele dia quando, sem nada para fazer, Gal prestou atenção naquela canção interpretada por um homem de voz estranha, suave, agradável de se ouvir, que saía do rádio posicionado com toda honraria (era o home-teather da época) num lugar de destaque na sala. Um instante mágico que ficou para sempre guardado (na boa) lembrança de Gal e, tempos depois, já trabalhando como balconista da famosa loja Roni Discos, ela voltaria a ter contato (auditivo) com a mesma voz e tantas outras, inclusive Dolores Duran - que muitos a acusaram injustamente de imitar - as quais serviram para aprimorar os dons de autodidata talentosa e competente, mesmo ela já tendo uma certa iniciação no mundo musical tocando instrumentos como o piano e violão.
     Em 1963, Gal foi apresentada a Caetano e nasceu daí uma grande, proveitosa (e eterna) relação afetiva-musical entre os dois; uma parceria de bons amigos que sempre se entenderam e sabem o que um espera do outro com uma simples troca de olhares. Com esse "apadrinhamento", Gal teve acesso ao que de melhor se produzia na época em termos de Bossa Nova, MPB e (até) o samba. Conhecer Caetano Veloso através de suas amigas, as irmãs Sandra e Dedé (posteriormente esposas de Gilberto Gil e do próprio "Cae") foi um passo decisivo para incentivar Gal a traçar seu futuro como uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos. Versátil, boa de ouvido, Gal Costa não se limitou a um único gênero musical, sendo desde sempre influenciada por nomes como Jacques Biel, Tom Jobim, Baden Powell, The Beatles, Nina Simone, Elis Regina e o próprio João Gilberto. A soteroplitana nascida no bairro da Graça em 26 de setembro de 1945, estreou no espetáculo "Nós" em 22 de agosto de 1964 no templo das artes baianas, o Teatro Vila Velha, ao lado de Gil, Caetano, Maria Betânia e Tom Zé. Depois - como todos faziam naqueles idos - pegou a estrada e tomou o caminho da cidade maravilhosa em busca do reconhecimento nacional, participando "com muita honra e prazer" do disco de estréia da "mana" Betânia em 1965, um ano marcante para Gal já que foi no finalzinho dele que conheceu, finalmente, João Gilberto, seu deus, seu ídolo, sua referência musical.
     Com uma carreira consagrada em gravadoras do porte da Odeon, Emi, Universal, RCA e Trama, Gal conquistou seu "lugar ao sol" lançando compactos. O primeiro foi "Eu vim da Bahia" (de Gil) e "Sim, foi Você" (de Caetano). Depois vieram vários long-plays (lps) e canções que ficarão para sempre na memória daqueles que sabem o que são "pérolas" da MPB, como: Domingo (1967), Tropicália (1968), Gal Costa (1969, primeiro disico solo com canções de Jorge Ben, Caetano, Roberto Carlos, etc.), Fa-Tal (1971, ao vivo, show dirigido por Wally Salomão), India (1973, teve a capa vetada pela censura), Cantar (1974), Gal Canta Caymmi (1976), Caras e Bocas (com a música It's all over now, baby blue), Água Viva (1978, que lhe rendeu o primeiro disco de ouro) e Gal Tropical (1979). Foi com esse trabalho, orientada por Guilherme Araújo, que Gal mudou seu estilo (tanto no repertório e, principalmente, no visual) transformando-se numa elegante e charmosa "estrela", adepta dos saltos Luís XV e roupas assinadas por renomados costuureiros. Uma mudança drástica que lhe rendeu bons frutos, pois logo a seguir vieram Aquarela do Brasil (1980, me arrepio até hoje quando ouço), Fantasia (1981), Minha Voz (1982), Baby Gal (1983, best of the best), Profana (1984, sem comentários para a "vaca das divinas tetas") e Bem Bom (1985). De lá pra cá, Gal Costa tem nos presenteado com obras (também) de excelente qualidade, mas - graças ao péssimo gosto musical que tomou de assalto os ouvidos do povão em termos de música nacional ou, então, as internacionais, que não entendem bulhufas - a nossa diva tem feito mais shows elitistas (para um público selecionado, de extremo bom gosto) e menos populares (para grandes platéias), apresentando-se com frequência no exterior. Infelizmente para nós e felizmente para as platéias da Europa, EUA e Japão que sabem apreciar o que é bom e não o baticum infernal de músicos (?) malucos que acham que fazem som e cantores (as) que pensam que cantam. Se bem que, tanto aqui como acolá, tem sempre a platéia dos menos afortunados (culturalmente falando) que dão ibope as presepadas (infelizmente) exportadas por um Brasil tão rico de bons artistas. Hoje em dia esses (os bons) não tem vez, a não ser que cantem canções (?) sem letra, sem nexo, sem tudo (ou melhor, tudo que não presta musicalmente falando) e mostrem seu talento "bundante" requebrando eróticamente, "a dois passos do paraíso" da imoralidade (e da total falta de comprometimento com o artístico, visando apenas o sucesso sem merecimento - e meteórico - e lucro financeiro). (Se é que me entendem!)...
     Canções viraram clássicos, se eternizaram na voz inimitável de Gal "La" Costa, a exemplo de Coração Vagabundo (Caetano), Meu Nome é Gal (Roberto/Erasmo, considerada por muitos seu hino oficial), Bom Dia (Gil), Dadá Maria (Renato Teixeira), Baby (Caetano), Gabriela, a Mais Bela (Roberto/Erasmo), Divino e Maravilhoso (Caetano/Gil), Sua Estupidez (Roberto/Erasmo), Oração de Mãe Menininha (Dorival Caymmi, dueto com Betânia) e tantas outras. O sucesso, felizmente - entre mais acertos que tropeços (natural em qualquer carreira) - chegou para a filha de d. Mariah. A Bahia e o Brasil sentem orgulho dela - tão criticada, menosprezada e, até certo ponto, marginalizada no inicio - tanto que Gal tornou-se referência para a nova (?) geração de (boas) cantoras como Zizi Possi, Adriana Calcanhoto, Marisa Monte, Vanessa da Mata, Ana Carolina, a "baby" Maria Gadú e até mesmo a sempre indecifrável (e maravilhosa!) Angela Rorô. Gal Costa, além da excelente cantora que é, mostra-se também ser uma pessoa generosa, querendo ajudar quem precisa (ela sabe o que passou antes de ter seu valor reconhecido), simpática e atenciosa com todos (conhecidos ou não), sem modismos ou estrelismos (tão comuns em várias por aí que se acham, sem nunca terem sido), sem manias absurdamente ridículas de "estrela" decadente que só sabe exigir (no camarim) e não tem nada a oferecer (no palco)...
     Gal Costa é uma personalidade internacionalmente conhecida, uma "marca". Não se vangloria de ter sido a única cantora brasileira a participar do Hall of Fame, no Carnegie Hall. È uma artista do grand-monde, apresentando-se com desenvoltura (e sendo aplaudida de pé) nos mais famosos palcos, como o fez em 2006 na casa de shows Blue Note, de Nova Iorque e logo a seguir no Japão, lançando o CD "Gal Costa live at The Blue Not".
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                               SANFERR, 30.06.2011

a ESFINGE:
     "Os interesseiros, aproveitadores, oportunistas e dissimulados pensam que estão enganando, traindo; mas não passam de idiotas, tolos e patéticos nas mãos de suas (possíveis) vítimas inocentes que, inteligentemente, fingem que estão sendo enganadas".

                                                                                                                                                                                SANFERR. 10.05.2010

de SANFERRPRESS para todos os leitores e colaboradores (patrocínios, doações):

     Na última quinta-feira (dia 23) no artigo sobre Gabriel Braga Nunes eu dizia que - por falta de leitura e o mínimo de conhecimento da língua portuguesa - o povo (nós) está falando mal, escrevendo pior ainda e as universidades despejando profissionais incapacitados no mercado de trabalho nas mais diversas áreas. Amigos, vocês não imaginam a quantidade de e-mails, SMS e até mesmo telefonemas que recebi criticando a minha opinião. Verdadeira, diga-se de passagem, tanto que na edição do Jornal Nacional da última segunda-feira (dia 27), William Bonner e Fátima Bernardes apresentaram a triste reportagem sobre os universitários (incompetentes) que não estão conseguindo estágio nas empresas por que não estão conseguindo (meu Deus, o que é isso?) escrever corretamente palavras corriqueiras, bobas. (Fiquei estarrecido diante da TV). Até mesmo estudantes de Comunicação, "aspirantes" à jornalistas...(?)...
     A culpa é do ensino fundamental deficitário que temos em nosso país, infelizmente, pois tudo começa na base, do primeiro degrau. E depois do famigerado vestibular-loteria (dos X), o qual é bom para a correção das provas e excelente para quem não tem conhecimento algum, pois pode ter a sorte de riscar na letra (A,B.C.D ou E) certa e entrar na faculdade sem merecimento algum. O Ministério da Educação tem de tomar uma posição urgentemente, reformular o vestibular, já que esse tal de gabarito está se transformando em "BURRARITO". As provas tem de ser aplicadas com perguntas (como são) e as RESPOSTAS escritas com as próprias palavras dos vestibulandos, acabando de uma vez por todas com as OPÇÕES, o "UNIDUNITÊ", a SORTE. Quem sabe, sabe, vai lá e dá conta do recado, provando com o preto sobre o branco. fáz ao VIVO, como diz Faustão.
     Sei que vou causar nova polêmica, mas defendo minhas opiniões até debaixo d'água, goste quem gostar e morro abraçando as mesmas. Sou contra o sistema de cotas nas universidades, pois lá é lugar de quem, realmente, sabe e não porque é branco, negro, pardo, moreno, azul, roxo, índio, periquito, papagaio... Temos, sim, de melhorar o ensino público no país e não sair distribuindo cotas para agradar a população, fazer figura e, futuramente, ser responsável por profissionais incompetentes no mercado. Aliás, as cotas - eu entendo assim - é uma forma de discriminação. Ou não? Uma pergunta se fáz necessária e não quer calar: existem cotas para pessoas que não sejam afrodescendentes, índios, pobres, etc?
     Sou pardo, pobre, de origem humilde, do povo, mas nem assim me acho no direito de tomar o lugar de quem, realmente, sabe, está gabaritado para cursar a faculdade de Medicina, Direito, Engenharia, Administração, etc. Não é a minha área. (Se é quem me entendem!)...
     O estudo e a leitura - sempre, sempre!, e eu digo com a experiência de autodidata - é a única maneira de se adquirir conhecimento, cultura e (quem sabe?) futuramente se tornar um intelectual. A massa encefálica de todo ser-humano é igual, não tem cor, etnia. (Ou tem?).
     Trocando de assunto, parabéns aos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Gostei de assistir esta semana os capítulos nos quais os personagens Léo (Gabriel Braga Nunes, homenageado da coluna semana passada) e Horácio Cortez (Hérson Capri) estão começando a serem punidos pelo seu mau-caratismo, desonestidade. A era do "vale tudo" já era mesmo.
                                                                                                                                                                                SANFERR, 30.06.2011
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