quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A BAHIA ESTÁ EM FESTA E SANTO AMARO AGRADECE POR TER CANÔ.


Foto by: 
MARCO A. MARTINS

                                                     DONA CANÔ,
                         A "MÃEZONA", O BRAÇO FORTE DE TODO UM POVO.


     Excepcionalmente, esta semana o artigo é ilustrado pela fotografia de duas divas: a da canção (Maria Betânia) e a do bem viver, da denerosidade, sabedoria e simplicidade (dona Canô), filha e mãe, na intimidade de um lar onde se respira - da porta de entrada ao quintal - a mais expressiva arte baiana no casarão da família Telles Velloso, em Santo Amaro da Purificação, no recôncavo baiano. Esta família tão especial, de fé - unida não somente pela religiosidade católica e também o culto aos "deuses" do candomblé, praticado por alguns de seus integrantes, entre eles a própria Betânia, a qual até hoje mantêm um respeito fervoroso à memória de Menininha do Gantois, segundo ela "sua orinetadora espiritual" desde o início da prodigiosa carreira - é referencial, exemplo para todos os santamarenses (dos famosos, que não são poucos, aos anônimos, gente simples do povo que tem verdadeira paixão por dona Canô) de amor à cidade e suas tradições artísticas, culturais e religiosas. Não é à toa que o solar onde moram na avenida Vianna Bandeira - onde todos são bem recebidos e acarinhados pelas "estrelas" da casa - comprado por seu Zeca (patriarca do clã, já falecido) com o dinheiro ganho na loteria quando Caetano nasceu, tornou-se o símbolo maior da cidade, o marco-zero para quem chega pela primeira vez e não sabe para onde ir, o que descobrir - como se isto fosse possível estando-se prazerosamente num dia atípicamente ensolarado do inverno na terra de tão proeminentes artistas - entre ruas e casarões, verdadeiros monumentos centenários de beleza artística e valor histórico da época de viscondes, barões e usineiros. Fora o solar dos Velloso - sem exagero algum um templo da música baiana contemporânea - a história secular desta simpática cidade é contada em cada esquina, por cada pedra colocada em sua construção em todas as épocas. Aliás, diga-se de passagem, uma (boa) época que ficou gravada na memória de d. Canô e que lhe tráz nostalgia - não mórbida, mas serena, suportável - do cinema, das pessoas elegantes (dona Iaiá, viscondessa Ferreira Bandeira, era uma delas) daquele passado, não tão remoto assim, que para ela não morrerá jamais. Ir hoje em dia a Santo Amaro - purificar-nos na margem do famoso (e sofrido, maltratado) rio Subaé das mazelas do dia-a-dia, de tantas situações incômodas e constrangedoras que a atual pseudo-musicalidade baiana nos impõe - e não procurarmos beber na fonte (de cultura límpida) que o samba-de-roda do recôncavo nos convida a aprender (olhe aí, pagodeiros "analfabetos" no samba, "artistas" de uma nota só, peguem a estrada e vão lá banhar-se nessas águas), não conhecermos (e também ouvirmos as estórias) a figura mais ilustre e folclóricamente encantadora da cidade, essa "jovem senhora" que não gosta de tomar mingau pois "é coisa de velho", é como ir a Roma e não ver o Santo Padre.
     A filha de Anísio César de Oliveira Vianna e d. Júlia Muniz de Araújo, nasceu em 16 de setembro de 1907, na praça da Purificação, tendo como irmãos Almir e Joana, mais conhecida como "Geni". De origem humilde - porisso d. Canô entende até hoje (do alto dos seus bem vividos 104 anos) as necessidades mais urgentes de "seu povo", como ela chama carinhosamente os conterrâneos - o casal educou os filhos para enfrentar as dificuldades do teatro (?) da vida com dignidade e cabeça erguida, com honradez e sabedoria. Tanta sabedoria que hoje - sob àquele telhado e entre paredes que presenciaram a ascensão de seus filhos na música e literatura - todos se encontram no mesmo palco (quer dizer, casa) para saber uns dos outros, fstejar e chorar suas conquistas e perdas, como numa grande (equilibrada e bem estruturada) família. Aliás, equilíbrio - tanto emocional como social - deve ser o lema da família, nunca envolvida em escândalos. De sangue ou não, os "filhos de d. Canô" são sempre muitissimo bem recebidos por esta "mãezona", tomando-lhe a benção de uma maneira carinhosa, afagando-lhe a cabeça alva (sem, óbviamente, desfazer o cóque) como o filho pródigo que à casa materna retorna depois da peleja da vida. Sem  a habitual vitalidade de antes, d. Canô não pode mais se dar o prazer de ir à feira no mercado municipal escolher pessoalmente a carne-do-sol que Betânia tanto gosta; mas, com uma lucidez impressionante, típica daqueles que atravessaram - sem nenhuma arrogância, orgulho - cem primaveras com estilo no jeio de ser, conteúdo na cabeça e muito amor no coração, d. Canô é a mesma matriarca atenta, observadora ao que se passa ao seu redor, orientando todos que estão dentro de casa. Mesmo tendo a ajuda, o apoio logístico, digamos assim, do seu escudeiro, seu "ajudante de ordens", seu secretário mais do que especial, o filho Rodrigo, amigo e companheiro de todas as horas.
     Assim como d. Lúcia,. mãe do cineasta Glauber Rocha, a matriarca-mór de Santo Amaro é uma das poucas da Bahia que foi, é e será sempre lembrada por seus feitos e méritos. No caso dela - apesar de ter feito teatro dos 7 aos 17 anos - não por ser artista, muito menos por ser a mãe de Mabel, Caetano e Betânia; mas por ter levado à sua querida terra os benefícios de um excelente relacionamento com autoridades, políticos de todas as épocas e dos mais variados partidos, os quais souberam reconhecer seu amor pela cidade e atenderam várias de suas reivindicações. Nunca para si, nem para a família, mas sempre para o povo. Até mesmo quando estava às vésperas de comemorar quarenta anos de casamento com seu Zeca, d. Canô sofreu calada a dor de (talvez) não ter a presença do filho Caetano, exilado em Londres. Betânia, ousadamente, pegou o avião e foi bater na porta do gabinete do (então) presidente Médici intercedendo por seu irmão, angustiada com o sofrimento silencioso da mãe. Um dos políticos mais querido e admirado por d. Canô - e amigo de todas as horas - foi Antonio Carlos Magalhães. Com esse ela sabia que podia contar, até mesmo para a restauração da matriz de Nossa Senhora, de quem é grande devota.
     Claudionor Vianna Telles Velloso não é - como alguns desinformados costumam afirmar - a dona (?) de Santo Amaro, mas é, certamente, a dona do coração dos santamarenses. Uma mulher que soube amar (e ser igualmente amada) seu povo de tal forma que jamais será esquecida. Amanhã não é somente a ela que devemos dar os Parabéns, mas sim à Bahia e, em especial, a todo o recôncavo por ter tido a honra de possuir entre seus filhos uma pessoa como d. Canô . Passam-se os anos, passarão os séculos e (quiçá) os milênios, mas a história recente de Santo Amaro não poderá ser contada sem ser citado o nome dessa guerreira, capaz de brigar com qualquer um que se atreva a dizer "um tiquim assim" da terra ond nasceu e vive. A terra que ganhou fama nacional por ser berço de Betânia, Caetano, Mabel e, especialmente, d. Canô. Pessoas que vieram ao mundo com um brilho todo especial, para sobressair - mesmo modestos e humildes como são - à frente de um povo (os santamarenses) que aprendeu desde cedo a reconhecer o talento artístico, literário e cultural desta família que não é nem um pouco comum, igual as demais.
     A mãe zelosa, amigona, de Clara Maria, Rodrigo, Roberto, Caetano, Mabel e Betânia - nascidos de seu ventre - não mais amados e queridos que Nicinha e Irene, suas filhas adotivas, podem se dar ao luxo de dizerem: "Hoje estamos no que somos, por que somos filhos de Canô"... (?) ...
     "Dona", não, porque VOCÊ, Canô, é uma "jovem senhora" recém-saída da adolescência, no auge da maturidade intelectual e espiritual que poucos conseguem atingir. Sua existência singular, ímpar, é a prova maior do que é viver para amar e servir o próximo, sem distinção, com um coração tão generoso e grande que ultrapassa as fronteiras de Santo Amaro, da Bahia.
     Au-revoir para todos que me criticam e aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                    SANFERR, 15.09.2011

a ESFINGE:
     "Qual o mais importante dom a transmitir aos filhos? Curiosidade!"

                                                       LILLIAN GISH (1896-1993), atriz americana.

de SANFERRPRESS para todos os leitores e colaboradores (patrocínios, doações):


                          COMENDO BIFE E ARROTANDO MEDALHÃO.
                                        COM SABOR DE BRONZE.

     É desejável que os dois maiores times da nossa terra (Bahia) façam parte - eternamente - da série A. Independentemente de torcer para esse ou àquele, espero que isto aconteça, pois, antes de mais nada, somos baianos e não devemos desejar que o clube adversário seja massacrado, passe por situação vexatória na série B, subindo e descendo como numa balança de peixe podre. Agora, caros torcedores (e jogadores também, em especial o "pititinga" com pose de "tubarão da Etiópia") rubro-negros: comemorar com estardalhaço o jogo - pois àqueles gols até eu faria, de olhos vendados - da última terça-feira (dia 13) é, no mínimo, ridículo, vergonhoso e altamente constrangedor. O mesmo que colocar uma pessoa culta, um literato, ao lado de um despreparado, para criar um texto, escrever uma redação. Básica, sem maiores "enfeites" literários.
     Diante da péssima (quem está por baixo pode subir, diz a roda-gigante da vida) fase que o Duque de Caxias está atravessando, o Sport Clube Vitória (Ba) deu a prova definitiva que está com a auto-estima destroçada, agarrando-se a qualquer "vitorinha" para "cantar de galo", mediocramente comemorando uma pseudo-vantagem à frente de (infelizmente) uma equipe atualmente fraca, que vem perdendo vários jogos sucessivamente.
     O Vitória - quer queiram, quer não - jogou ovos podres (a bola) numa frigideira fria (a trave do adversário). Cadê a elegância, a superioridade do verdadeiro vitorioso? Se tivesse, seriam menos - ou nada - espalhafatosos, "performáticos"... (?) ... Por tão pouco. Simplesmente olhariam de cima, com àquele olhar "e daí?", "não tô nem aí!" e não dançariam ao som de uma música que não foi tocada.

                                                                                                                                                                          SANFERR, 15.09.2011.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

PARA QUEM SABE O QUE É ( BOA ) MÚSICA.



   
                                                      GILBERTO GIL,
                                 "ARTISTAS" (?) NA IGREJA DO BONFIM:
     MESTRE, POR FAVOR! TENDE PIEDADE E ENSINA-NOS A COMPÔR, TOCAR
                              E CANTAR COM TALENTO, SEM PRESEPAR!


     Será verdade que - como dizem por aí - "na Bahia não se nasce, estreia-se"? Se essa máxima - com tendência a mínima, musicalmente falando, abaixo da classificação (ou não seria desclassificação?) - for verdade, deveremos levar em consideração que temos boas e péssimas, desagradáveis e deploráveis estréias. A depender, óbviamente, do gosto - ou a total falta dele - de cada um, da referida produção (não seria podridão) apresentada ao público, além de vários outros fatores, os quais, geralmente - artístico, cultural e socialmente falando - fogem do controle total da CBBM (Central Baiana da Boa Música). Músicas (?) - vamos tentar ser generosos e classificar essas "pérolas" (sic!) assim - que, por mais benevolentes que sejamos, soam mal aos ouvidos de qualquer um que tenha o senso artístico (e crítico) mais apurado. Essas tais "perolas musicais", saídas diretamente de outra Central - a Central Baiana da Baixaria Musical - levam nossa refinada audição à desprezível (e degradante) prostituição artística. Além de tudo de ruim que, infelizmente, ouvimos tocar dia e noite nas paradas de sucesso (?) ladeiras abaixo da boa terra abaixo - e não acima, até os "píncaros da glória", como seria natural numa canção - à caminho do bloco Presepadas, ridicularmente uniformizado com a jocosa (carésima no valor e paupérrima no tecido) fantasia (?) intitulada abadá, o qual, comercialmente falando, deveria ser "vamos tirar" : tirar - em favor das contas bancárias cada vez mais polpudas dos empresários do axé, pagode e arrocha (argh!) - nosso mísero dinheirinho em nome da pseudo diversão momemsca que, ao contrário do povão da "pipoca", está cada vez mais nababesca, para poucos previlegiados.
     Já que a CBBM (apenas a primeira, por que a outra já está caduca de velha) ainda não existe, deveria ser - em nome da secular e prodigiosa cultura baiana, a qual nas últimas décadas anda à beira da ridicularização artística por conta de uns e outros que se acham (sem nunca terem sido), se dizem compositores e cantores - imediatamente fundada por artistas (de verdade) renomados que - ontem, hoje e sempre - honram e dignificam a (maravilhosa) terra abençoada pelo Senhor, aqui denominado Bonfim (e começo também), mesmo Êle tendo de fazer-se cego, mudo e, principalmente, surdo diante das m... e porcarias (perdoem-me a expressão chula) que estão no ponto de sofrerem os benefícios de uma boa "descarga" (do banheiro) e que são chamadas criações... (?) ... (Se é que mediocridades assim podem ser chamadas criações"). Artistas do nível de Maria Betânia (elegantérrima, cantando e encantando, simpatícissima), Gal Costa, Batatinha, Gerônimo, Mariene de Castro (pagodeiros, aprendam o que é samba com essa professora), Raimundo Sodré, João Gilberto, Caetano Velloso, Tom Zé, Myriam Tereza, Simone, Nélson Rufino (rei do samba baiano), Virgínia Rodrigues, Margarete Menezes, Marinês (ex-Banda Reflexus, por onde anda essa voz magistral, inconfundível?), Daniela Mercury, Claúdia Leite, Ivete Sangalo, além do mestre da composição e do (contagiante) ritmo genuínamente abaianado, o simpático e unânime Gilberto Gil.
     Numa época em que todos, qualquer um mesmo (pobre de nós, ouvintes, que somos obrigados a aturar tais atrocidades, verdadeiros homicídios musicais) se acha no direito - e com talento (?) -  de compôr e cantar, mesmo de uma maneira grotesca, duvidosa, insultando com sua falta de criatividade os (reais) herdeiros da MPB (neste caso, MÚSICA POPULAR BAIANA), Gil pode, sem exagero, ser considerado um ícone, uma lenda vida, exemplo para àqueles que não cruzaram os portões da escolinha "DÓ-RÉ-MI-FÁ-SOL-LÁ-SÍ" (muitos deles, pelo que se percebe ao serem entrevistados - aliás, vocês já viram situação mais desconcertante, constrangedora, do que esses "artistas" pagodeiros, arrocheiros e axezeiros falando nas rádios e TVs? - nunca souberam o caminho de escola nenhuma, nem aquela que deveriam ter se formado, a do desconfiômetro), ostentando orgulhosamente seus talentos bundantes em letras de duplo sentido e refrões que são um verdadeiro atentado à moral e aos bons costumes, um autêntico caso de danos morais a arte de Bach, Vivaldi, Noel Rosa, Beethoven, Ella Fitzgerald, Cartola, Pixinguinha, Edith Piaf, Frank Sinatra, Tom Jobim, Vinícius de Morais, Paulo Toller, Roberto Carlos, Nélson Gonçalves, Altemar Dutra, Cauby Peixoto, Angela Maria, Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo, Martinho da Vila, Sandra de Sá, etc. Desde a década de 80 vivenciamos aqui na Bahia a derrocada, o velório - prestes a saída do enterro - da (boa) música baiana, o mesmismo, a dança tribal de uma nota só (geralmente "composta" nos teclados) neste "alegre" repertório batizado como axé, pagode - mesmo não tendo nada a ver com o autêntico - sem falar no mais DDD (deprimente, desestruturado e destrutivo, musicalmente falando) de todos, o nefasto, emburrecedor, "àquele que foi sem jamais ter sido": o arrocha.
     Felizmente, para equilibrar a balança musical da terra do poeta Castro Alves - este não cantou, mas recitou, encantando e rimando com maestria - temos talentos (e muitos, para nos orgulhar) abundantes, como o compositor de Refazenda, Andar com Fé, Aquele Abraço, Eu Vim da Bahia, Expresso 2222, Procissão, Se Eu Quizer Falar com Deus, Soy Louco por Ti América, Toda Menina Baiana, Vamos Fugir e tantas outras obras-primas da MPB. O nome desse "deus" da música baiana é Gilberto Gil Passos Moreira, filho de dona Claudina e do médico Gil Moreira. Este certamente deve ter nascido cantarolando "fui no Tororó beber água e não achei"... Pode ser que a fonte estivesse seca de água, mas cheia de talento para saciar a sede cultural do menino que se tornaria futuramente um grande homem com inteligência e bom gosto. Não foi à toa que buscou outras fontes e "bebeu" na bica da excelente música baiana ao lado de Caetano, Betânia, Gal e Tom Zé no espetáculo "Nós, por Exemplo", em 1964, no Teatro Vila Velha. Este, sim, nos orgulha cantando e filosofando. Aos 69 anos e sempre com o entusiasmo de um estreante, Gil, baianíssimo com nacionalidade também estrangeira desde que se casou com Flora Giordano, neta de italianos, soube aproveitar o talento que Deus lhe deu, criando uma música extremamente pop-baianês que agrada a gregos e troianos. Sua formação - apesar de mostrar-se (educadamente) favorável aos novos ritmos, o que se nota claramente no carnaval quando ele dá canja em trios, procurando ajudar os novatos - nada tem a ver com o axé, arrocha (arrochando nossa inteligência, isso sim!) ou o pagode inventado errôneamente por aqui. Músico de primeirissima grandeza, Gilberto Gil sabe, como poucos, usar o (bom) som saído do violão e da guitarra - seus instrumentos preferidos - influenciado por outras personalidades, a exemplo de Stevie Wonder, The Beatles, João Gilberto (preferido por nove entre dez estrelas), Bob Marley, Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. A trajetória artística e de vida de Gil é rica, impressionante, desde que, em 1968, foi preso pela ditadura militar acusado de atividades subversivas juntamente com Caetano Veloso e foram viver exilados em Londres. Em 1970, foi o único latino no Festival da ilha de Whigt, representando a Tropicália ao lado de The Who, Jimmi Hendrix, Emmerson, Lake anda Palmer e The Doors. O tempo passou, a vida - como a de todos nós - deslanchou em idas e vindas, alegrias e tristezas, com acertos e erros. Um deles (erro) foi quando em 1989 foi eleito vereador pelo PMDB aqui em Salvador. Em 1990 descobriu o seu verdadeiro "eu" político e filiou-se ao PV (Partido Verde). Experiências que lhe deu credibilidade, ao ponto de ser convidado -e aceitar - pelo então presidente Lula (2003) a assumir a pasta do Ministério da Cultura, sendo duramente criticado naquela época por Paulo Autran e Marco Nanini. A resposta silenciosa, com ares de "não tô nem aí" - como fazem os elegantes, bem nascidos, que deixam  a caravana passar enquanto os cães ladram - ele deu com extrema competência permanecendo cinco anos e meio no cargo. Deixou o poder para fazer o que mais gosta: compôr e cantar.
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                SANFERR, 08.09.2011

a ESFINGE:
     "Quem remexer nas cinzas do passado para prejudicar, destruir e vingar-se do seu próximo, prepara-te: no futuro bem próximo um vulcão de azar, maldições e doenças cairá sobre a sua cabeça e destruirá a sua vida".
                               AUTOR DESCONHECIDO - num panfleto espírita distribuído na rua.

de SANFERRPRESS para todos os leitores e colaboradores (patrocínios, doações):

     Conforme artigo publicado nesta coluna no último dia 25.08 intitulado "A DAMA DO PT (Pára Tudo!" onde a retratada da semana foi a presidente (a) Dilma Rousseff, eu dizia que "fundemos, inauguremos mais universidades", lembram-se? Graças à Deus, pelo pronunciamento de Dilma Rousseff no último dia 06 véspera do feriado da Independência, o governo está preocupado com a "qualificação" dos universitários. Toda a sociedade espera, realmente, que isto venha a acontecer, pois do jeito que está não dá mais para continuar, suportando tantos estudantes totalmente despreparados, muitos sem ter noção do básico, até mesmo escrever. O próximo passo será melhorar o ensino fundamental - a base, o alicerce de tudo - nas escolas públicas, com ensino de qualidade e professores bem remunerados.
     Como eu dizia naquele artigo, o governo Rousseff está "saindo melhor do que a encomenda". Parabéns!
     Continuo agradecendo a atenção que vem sendo dada a coluna SANFERRPRESS pelo palácio do Planalto, através do BLOG do PLANALTO, e também a Casa Civil da Presidência da República.

                                                                                                                                                              SANFERR, 08.09.2011.

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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ARTIGO APÓS ARTIGO, COM TALENTO, ATÉ O OLIMPO DOS JORNAIS.





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                                       Parabéns, SANFERRPRESS!!





                                                 DR. JÚLIO MESQUITA,
              O (BOM) PASSADO NÃO MORRE JAMAIS. É O NOSSO PRESENTE.
                                   O LEGADO DE UM NOBRE REDATOR.


     A arte - milenar - de escrever bem, ser um bom redator, não é, infelizmente, para todos; não tem faculdade que dê a matéria-prima (o dom) e, consequentemente, ensine a se ter talento ou, muito menos, concorrente (sem essas qualidades) que consiga derrubar a magia das palavras bem colocadas e imortalizadas num artigo com centeúdo e estilo próprio. Ontem, hoje e sempre - pois muitos ainda virão com essa arte impressa no sangue - grandes nomes passaram pelas mais importantes redações do país, a exemplo de Assis Chateaubriand, Carlos Lacerda ("O Corvo"), Samuel Wainer, Barbosa Lima Sobrinho, Barão de Itararé, Roberto Marinho, Sérgio Porto ("Stanislaw Ponte Preta", inspirado no personagem Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade), Helena Silveira, Victor Civita, Guilherme de Almeida, Roquette Pinto, Merval Pereira, Elio Gaspari, Carlos Castelo Branco, David Nasser, Danuza Leão, Artur da Távola, Ernesto Simões Filho, Ibrahim Sued, Tavares de Miranda, Hildegard de Angel ("Perla Sigaud"), Tarso de Castro, José Simão, Alberto Dines, Artur Xexéo, e por aí vai a constelação de "letrados" - muitos desses astros e estrelas, infelizmente, já brilham no firmamento - com sabedoria suficiente para "colocar o preto no branco". (Uma verdadeira seleção na Copa da Redação, jogadores - muitos deles autodidatas - que sabiam, ou sabem, em que trava jogar as letras). Dizem que o Brasil - além de não saber votar, mas, ao que parece, está aprendendo, na "escola" - é um país sem memória, ingrato com àqueles que deixaram para sempre seus nomes (marcas) escritos no livro da cultura e intelectualidade nacional. Particularmente, não compactuo com esta idéia - errôneamente difundida pelos quatro cantos, certamente por pessoas despreparadas ou que, no mínimo, sofrem de amnésia histórica - pois enquanto existir alguém que goste de relembrar, homenagear tais personalidades (e seus memoráveis feitos para o engrandecimento da nação) a vida artística, cultural, religiosa e política brasileira jamais será esquecida, enterrada no túmulo do ostracismo por alguns desinformados que alardeiam que "quem gosta do que é velho é museu"... (?)... Ignorantes que são, pois o passado - e as figuras ilustres, notáveis - pode estar morto, mas se não tivessemos passado por ele não estaríamos aqui.
     Se formos perder a razão (raciocínio) e dar atenção, credibilidade a esse comentário esdrúxulo - tão infantil como vergonhosamente emburrecedor - logo duas perguntas irão se fazer necessárias: o que é velho? (A Europa e o Oriente com séculos de informações?). A notória capacidade intelecto-cultural de nossos antepassados, os quais (honrosamente) nos deixou um legado de bons livros, boas músicas (ai de ti, Babilônia - ops!, Brasil - que hoje tem de ouvir certos "talentos") esculturas e pinturas? E o que não é velho? A falta de história, conhecimento e cultura, o bom gosto ou a atual e nefasta - felizmente não de todos, mas de uma parte considerável da sociedade - ignorância artística-literária? O que, trocando em miúdos, significa o sepultamento de nossos (vários) talentos abundantes, enaltecendo, endeusando assim - com a ajuda de empresários incultos e mercenários, especialmente no "novo" meio musical da Bahia - os pseudos-talentos (?), àqueles que se acham o que não são (cantores e compositores), mas, se tivessem desconfiômetro, não abririam a boca nem para falar, quanto mais "cantar". Estes são os famosos quem, quem, quem? Os fenomenais TALENTOS BUNDANTES. Àqueles mesmos que (em busca do sucesso fácil) nos dão a triste e nítida impressão que os neurônios (deles) - se é que os tem! - foram apropriadamente colocados abaixo da cintura, naquela região glútea onde reside (indecorosamente) toda a força de seu rebolado (apelativo e não belíssimo, sensual, como o das mulatas-passistas) sem nenhuma expressão criativa. Resumindo: triste e decadente é a nação que não vive do seu pasado, dos seus "museus", pois dele vivenciamos o presente e, com certeza, construiremos um futuro bem melhor consertando inúmeros erros.
     Grandes brasileiros souberam - ou ainda o sabem, por que continuam entre nós - dignificar a nação dando-nos a oportunidade de conhecer a nossa própria história. Júlio Mesquita - que transformou um pequeno e insignificante tablóide "A Província de São Paulo" no poderoso "O Estado de São Paulo", um dos maiores impérios de comunicação do país - foi um deles.
     Nascido em Campinas (SP) em 18 de agosto de 1862, neto do capitão Monteiro, um português que chegou ao Brasil com a corte de dom João VI, Júlio César Ferreira Mesquita foi um nobre de alma e inteligência desde a mais tenra idade. Descobri maravilhas sobre esse cidadão das letras ao pesquizar sua vida e me impressionou bastante o relato que, ainda na escola primária - olhem que generosidade! - reuniu os colegas tão ricos como ele para comprar sapatos para um outro (pobre) que ia com a mesma bota furada todos os dias. Abolicionista, republicano - a nação que hoje somos devemos também a ele - Mesquita estudou Direito no Largo de São Francisco, na capital paulista, e não foram poucas as vezes que invadiu fazendas para libertar escravos. Formou-se em 1883 e logo abriu um escritório, mesmo não sentindo-se atraído pela profissão. O destino, misterioso e surpreendente, tinha planos para aquele homem, o qual havia nascido para escrever e não advogar; não demorou muito e ele foi convidado para redigir artigos mensais na Gazeta de Campinas, trabalho pelo qual se sentiu imediatamente fascinado, abraçando com extrema devoção o mundo das letras. Decidido a se tornar um operário da cultura, transferiu-se juntamente com Lúcia de Cerqueira Cesar, sua esposa, para a capital. Foi aí, então, que em 1885 começou a escrever artigos para A Província de São Paulo e no ano seguinte - nada como um dia após o outro com o talento (de poucos) no meio - já era redator político, indiferente às críticas negativas dos "colegas" de profissão, tão invejosos como medíocres do alto de seus pedestais de "experientes". Em 1888 se tornou sócio do jornal e dois anos depois mudou o nome (definitivamente) para O Estado de São Paulo. Com o sucesso, Mesquita se elegeu (o mais votado) vereador em Campinas pelo Partido Republicano, enquanto nas páginas do jornal decidiu se manter anônimo escrevendo sem assinar em várias seções. Justificava essa decisão com a (uma dentre várias) célebre frase: "não quero confundir o leitor. Minha opinião é minha opinião (teria sido ele o patrono dos atuais colunistas?), a do jornal é outra coisa". Não demorou muito e suas crônicas excelentes publicadas n'O Estado foram reunidas num livro. Elegantemente recusou a homenagem dizendo que elas (as crônicas) saíram sem sua assinatura e, portanto, pertenciam ao jornal, não a ele. Logo a seguir mandou recolher todos os exemplares do livro que estavam nas bancas. Doente, em 1887, foi morar na Europa, mas enviava regularmente seus artigos de Lisboa.
     Outra frase de Júlio Mesquita, a qual poderia muito bem ser aplicada hoje em dia: " Temos que reconhecer que isso não é uma República, ou melhor, a República não é isso"... (?)... Por tal razão, extremamente decepcionado com o que estava acontecendo na política, juntou-se ao colega Ruy Barbosa e deflagrou nas páginas d'O Estado (já pensou se houvesse a rapidez da internet naqueles idos?) uma campanha contra o governo do Marechal Deodoro, nosso primeiro presidente. Morreu aos 65 anos, em 15 de março de 1927, deixando, como último artigo, um elogio a criação do Partido Democrático. Seus herdeiros, Francisco e Júlio de Mesquita Filho, assumiram a direção de O Estado de São Paulo.
     Dizer o que deste grande homem, visionário e realizador, que soube - incansávelmente, dia após dia - tirar leite das pedras com muito sacrifício, obstinação e "nadando contra a corrente" daqueles que torciam para que ele não desse certo? Deus é justo, não deu talento à toa a ninguém, e respondeu à altura com a vitória de dr. Júlio como um dos mais letrados do país. Sua biografia é uma verdadeiro alerta, um incentivo para tantas pessoas que estão na profissão errada. O estudo é extremamente necessário, mas precisamos - antes de desejar (a qualquer custo) o diploma - saber se estamos aptos para ele, se estamos fazendo a escolha certa, se somos capacitados para tal profissão. O (verdadeiro) talento para escrever, o dom de saber usar (e juntar) as palavras vem de berço. A escola nos aprimora, dá as técnicas para que sejamos capazes de desempenhar um bom papel no teatro (real e fictício) das letras. Feliz é quem sabe "unir o útil ao agradável". (Se é que me entendem!)...
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                           SANFERR, 01.09.2011

a ESFINGE:
     "Sou um livre pensador, sempre o fui e espero morrer assim".

                     JÚLIO CÉSAR FERREIRA MESQUITA (1862-1927) advogado, intelectual e fundador do jornal O Estado de São Paulo.

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     Só que, mais uma vez, eu peço - num apelo direcionado àqueles que, corajosamente, publicam seus comentários semanalmente - que abstenham-se de fazer referências à minha pessoa, pois sinto-me constrangido, encabulado. Sei que gostam dos meus artigos e fico feliz ao receber suas mensagens de congratulações por meio privado. Mas, por favor, meus amigos, nos comentários públicos, escrevam apenas sobre as personalidades que tenho a honra e o prazer de homenagear.
     Um forte abraço deste amigo que também os ama e admira. Deus proteja à todos.

                                                                                                                                                                                SANFERR, 01.09.2011


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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A DAMA DO PT ( PÁRA TUDO)


                                                      DILMA ROUSSEFF,
                                 UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL? SÓ O TEMPO DIRÁ.

     "Pára tudo e vamos organizar essa casa, pt" (ponto de seguimento e não final) - teria dito S. Excia. a robusta (em todos os sentidos) presidente - ou presidenta, como queiram - do Brasil Dilma Rousseff ao chegar no palácio do Planalto em seu primeiro dia de trabalho há oito meses atrás. Ou, se não o disse, deveria ter dito já que, querendo ou não os partidos aliados deste primeiro governo feminino - sem ser, até o presente momento, tendenciosamente feminista - é o que está fazendo a "dama do PT" (e do poder total) desde que tomou posse, politicamente falando, do destino de todos nós, brasileiros. De amarelados pela fome, corrupção e falta de oportunidades, estamos nos tornando verdes, cheios de esperança no futuro e no real. Históricamente, somos um povo que não sabe votar e, vergonhosamente, também não procuramos nos aprofundar no assunto, estabelecer uma relação íntima com esse direito (e dever) cívico, já que entendemos (e muito!) mas é de samba, carnaval, praia, suor, cerveja e futebol. Na famosa "pelada" todos os homens são craques e no samba as mulheres estão dominadas (?) e dominando no ritmo esperançoso do "deixa a vida me levar" ou, então, "amanhã há de ser outro dia"... Mas parece que desta vez, milagrosamente, tudo nos leva a crêr que acertamos ao substituir o terno escuro (e bota escuro nisso!) da ditadura militar - e do "voto de coronel" (?) - pelo tailleur extraordináriamente liberal da democracia plena, geral e irrestrita. Apesar de, particularmente (e como colunista - e não jornalista, vejam bem! -  tenho a liberdade de me expressar assim) eu achar que na prova da urna os eleitores tenham feito o mesmo joguinho de unidunitê (fator sorte) que os jovens aspirantes a uma vaga nas universidades (muitas delas contestadas por organizações de classes) através do famigerado vestibular-loteria praticam riscando o X no gabarito (neste caso, o candidato) certo. E o resultado desta prova nada didática - mas essencialmente política, econômica e social - está aí: bom, a caminho do (quase) excelente.
     Desde que lancei esta coluna virtual em outubro do ano passado, coincidentemente na ante-véspera do primeiro turno das eleições, deixei bastante claro em alguns artigos sobre Serra, Dilma e Lula, que não havia votado no PT (Partido dos Trabalhadores) e não é agora por que o partido - e, graças ao blog, eu ter conquistado a admiração no meio político - está no poder que vou dizer o contrário. Reitero meu apreço ao trabalho competente de diversas personalidades do PSDB e do DEM, como José Serra, Geraldo Alckmim, FHC, Aécio Neves, Jutahy Junior, ACM Neto e tantos outros. Só que hoje - graças à Deus sou justo, dou " a César o que é de César" - admito que o governo Dilma Rousseff, como diz o ditado popular, está "saindo melhor que a encomenda". Estou satisfeito - decepcionado comigo mesmo por não ter participado da eleição dela - e, não posso negar, um tanto surprezo com a administração desta verdadeira dama, a qual soube, em pouco tempo, mostrar que veio com sua marca pessoal e não como caricatura, "maria vai com as outras" do governo anterior.
     Dilma pode não ser a "dama de ferro" (tão comentada e aguardada pelos meios empresariais, econômicos) - numa alusão a ex-Primeira Ministro Margarete Tchatcher, da Inglaterra, nos anos 80 - mas, certamente, é uma primeirissima dama com personalidade forte, coerente (e consciente) com seus atos e decisões. Ela não se deixa influenciar por conversinhas (e conselhos errados) de "pé de ouvido", pedidos absurdos de uma politicagem (?) indecorosa, amoral, ou, muito menos, as intrigas palacianas e "golpes" baixos ao gosto de cada um de seus subalternos, dependendo dos interesses pessoais na gorda fatia do bolo governamental. Assim como eu, também a maioria dos brasileiros - mesmo os não fanáticos, obcecados pelo PT - estão gostando da verdadeira mudança moral, ética (e constitucionalmente correta) que a presidente está promovendo nos gabinetes em todos os escalões do poder. "Mulher arretada!", dirão os nordestinos, conterrâneos suados (e eternamente desiludidos) com o sol da liberdade que nunca - até o presente momento - havia brilhado com tamanha intensidade numa região do país outrora esquecida, menosprezada e ridicularizada sócio-culturalmente.
     Falar sobre a biografia de Dilma Rousseff não é mais necessário, pois udo já foi revelado sobre seu passado, presente e (quiçá) o futuro desta dama que passou por várias atribulações, sofrimentos morais e físicos - torturada nos porões do cárcere da vergonha nacional - mas soube "dar a volta por cima", se superar, principalmente como ser-humano (sem mágoas, ressentimentos); tudo foi um erro do destino, um triste episódio de vida que lhe serviu como experiência. O passado negro está se transformando num futuro rosa, talvez não tão emblemático como o vermelho-sangue da bandeira petista. (Se é que me entendem!). A prova desta experiência de vida Dilma deu quando passou pela Secretaria da Fazenda de Porto Alegre (1986-89), ao presidir a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (1991-93) e foi Secretária de Energia, Minas e Comunicações em dois governos. Por conta desse histórico, teve seu valor reconhecido nacionalmente e chegou ao Ministério de Minas e Enegia (2003-05), até alcançar o cobiçadissimo (e perigoso) cargo de Ministra-chefe da Casa Civil (2005) no governo Lula. O qual - aproveitando-se do talento e competência administrativa de sua primeira-dama (politicamente, of course!) - a indicou para sua sucessão, visando uma possível (será?) volta ao poder. O final desta fábula política à Deus pertence. E, lógicamente, a todos nós, eleitores, dependendo se o tailleur de Dilma for mais eficiente que o teno de Lula. Dizem por aí que o ex-presidente está (apenas) descansando, tirando férias, aguardando em berço esplêndido a hora que sua !criação mais do que perfeita" (Dilma) irá lhe devolver o (seu?) cargo... (?) ... O tempo - senhor absoluto da razão - irá nos responder. O certo é que Lula imaginou que continuaria com o poder absoluto, controlando dos bastidores o rumo do país, mas, ao que parece, "deu com os burros n'água", já que bateu de frente (ou não seria por trás) com uma administradora centrada e mulher (politicamente) arretada.
     Mesmo com toda a crise - nossa velha e desagradável conhecida - social, econômica e política, o Brasil está decolando à caminho de um céu de brigadeiro. Mas, em contrapartida, esse vôo tem sofrido turbulências graves num dos mais importantes "tetos": a educação. Por exemplo: enquanto não se repensar (e reformular geral) o tal vestibular-loteria (àquele dos que sabem, estão capacitados e também daqueles que "atiram no escuro", arriscam a sorte) as universidades continuarão sendo fábricas de distribuição de diplomas, em detrimento da qualidade dos universitários e do real objetivo delas que é prestigiar o talento, a competência e capacidade de quem realmente tem. Hoje em dia são milhões de universitários e (apenas) dezenas de verdadeiramente capacitados para cursar o nível superior. De quem é a culpa? Tudo começa bem lá atrás no ensino fundamental. Ou vão me dizer que alguém constrói uma casa sem um bom alicerce? Que chega-se com segurança ao último degrau da escada sem pisar nos primeiros? Como método de correção das provas, o vestibular-loteria é p´ratico, rápido. Mas é perigoso, enganador. Porque não voltar ao tempo (pré-histórico, mas eficiente, lógico) de respostas escritas de punho pelos vestibulandos, criando uma competente comissão de renomados mestres-doutores para corrigir tais provas? Não é à toa que os maiores índices de reprovação vem da redação. Ali, "na prova dos nove", no "quem sabe coloca o preto no branco". Diz o inciso XIII do artigo 5 da Constituição de 1988 que "é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer". Vejam bem: atendidas as qualificações. E - segundo as organizações de classes, institutos de pesquizas, etc. - o que menos está se vendo são universitários qualificados.( Dêem uma folha de papel em branco para eles colocarem suas idéias e cuidado com o infarto!). O slogan - excelente, diga-se de passagem - do governo Rousseff é "país rico é país sem pobreza"... (?) ... Concordo plenamente, desde que esta preocupação se estenda também - e principalmente - a pobreza intelecto-cultural, pois ninguém melhora de vida sem conhecimento, estudo. Mas não vai ser enchendo as universidades de professores mal remunerados e, consequentemente, desestimulados, de jovens despreparados (desde a base), sem uma boa formação educacional, que vamos atingir esse objetivo: tornar o Brasil uma nação livre de todas as misérias.
     A univerdisade pode, óbviamente (e deve) ser um sonho de consumo. Mas, antes de tudo, tem de ser um "sonho viável" - para quem tem condições de sonhá-lo - isto é, com conhecimento e não porque é afro-descendente, índio ou veio de escola pública. Se esta "escola pública" não deu uma boa formação, como, futuramente, teremos bons profissionais, se nem escrever direito eles sabem?  Sigamos o exemplo do ensino público chileno, um dos melhores da América Latina. Lá - segundo fui informado por fontes ligadas ao governo de lá -  estão lutando por uma escola gratuita, e cada vez melhor, que não seja privada, com fins lucrativos (e pouco educacional) para meia dúzia de professores-empresários. Comércio, comércio, comércio! Fundemos, inauguremos mais universidades para o nosso povo, mas não esqueçamos jamais de "separar o joio do trigo", "o alho dos bugalhos". A idéia de salas cheias e bolsos abarrotados (dos empresários) deve ser abolida do ensino superior brasileiro.
     Acredito que, aos poucos - sem pensar em futuros fins eleitoreiros - Dilma Rousseff irá mudar esse conceito (erradíssimo) de ensino no país. Ou, então, continuaremos a correr riscos, principalmente naquelas profissões onde a nossa vida está em jogo. Sendo mulher, ela é mais snsível às necessidades humanas. Outras passaram pela história deixando marcas indeléveis de sua capacidade - e são exemplos incentivadores para muitas deputadas e senadoras - como Clara Camarão (que combateu os holandeses invasores do nordeste no século XVII); Maria Quitéria e Anita Garibaldi (que lutou no Brasil e na Itália); Maria Curupaiti (lutou bravamente na guerra do Paraguai) e a Princesa Isabel, que assinou as leis do Ventre Livre e da Abolição da Escravatura. Isto sem falar em Brites de Albuquerque, a qual assumiu a direção da capitania de Pernambuco. Teria sido ela espelho para a nossa atual presidente?
     Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!

                                                                                                                                                                      SANFERR, 25.08.2011

a ESFINGE:
     "Meus ministros fazem tudo o que querem, menos o que eu não quero que eles façam".

                                RODRIGUES ALVES (1848-1919) advogado, intelectual e ex-presidente da República.
                                                                                                                                                                    


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                                                        P    A     T     R     O     C     Í     N     I     O