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Parabéns, SANFERRPRESS!!
DR. JÚLIO MESQUITA,
O (BOM) PASSADO NÃO MORRE JAMAIS. É O NOSSO PRESENTE.
O LEGADO DE UM NOBRE REDATOR.
A arte - milenar - de escrever bem, ser um bom redator, não é, infelizmente, para todos; não tem faculdade que dê a matéria-prima (o dom) e, consequentemente, ensine a se ter talento ou, muito menos, concorrente (sem essas qualidades) que consiga derrubar a magia das palavras bem colocadas e imortalizadas num artigo com centeúdo e estilo próprio. Ontem, hoje e sempre - pois muitos ainda virão com essa arte impressa no sangue - grandes nomes passaram pelas mais importantes redações do país, a exemplo de Assis Chateaubriand, Carlos Lacerda ("O Corvo"), Samuel Wainer, Barbosa Lima Sobrinho, Barão de Itararé, Roberto Marinho, Sérgio Porto ("Stanislaw Ponte Preta", inspirado no personagem Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade), Helena Silveira, Victor Civita, Guilherme de Almeida, Roquette Pinto, Merval Pereira, Elio Gaspari, Carlos Castelo Branco, David Nasser, Danuza Leão, Artur da Távola, Ernesto Simões Filho, Ibrahim Sued, Tavares de Miranda, Hildegard de Angel ("Perla Sigaud"), Tarso de Castro, José Simão, Alberto Dines, Artur Xexéo, e por aí vai a constelação de "letrados" - muitos desses astros e estrelas, infelizmente, já brilham no firmamento - com sabedoria suficiente para "colocar o preto no branco". (Uma verdadeira seleção na Copa da Redação, jogadores - muitos deles autodidatas - que sabiam, ou sabem, em que trava jogar as letras). Dizem que o Brasil - além de não saber votar, mas, ao que parece, está aprendendo, na "escola" - é um país sem memória, ingrato com àqueles que deixaram para sempre seus nomes (marcas) escritos no livro da cultura e intelectualidade nacional. Particularmente, não compactuo com esta idéia - errôneamente difundida pelos quatro cantos, certamente por pessoas despreparadas ou que, no mínimo, sofrem de amnésia histórica - pois enquanto existir alguém que goste de relembrar, homenagear tais personalidades (e seus memoráveis feitos para o engrandecimento da nação) a vida artística, cultural, religiosa e política brasileira jamais será esquecida, enterrada no túmulo do ostracismo por alguns desinformados que alardeiam que "quem gosta do que é velho é museu"... (?)... Ignorantes que são, pois o passado - e as figuras ilustres, notáveis - pode estar morto, mas se não tivessemos passado por ele não estaríamos aqui.
Se formos perder a razão (raciocínio) e dar atenção, credibilidade a esse comentário esdrúxulo - tão infantil como vergonhosamente emburrecedor - logo duas perguntas irão se fazer necessárias: o que é velho? (A Europa e o Oriente com séculos de informações?). A notória capacidade intelecto-cultural de nossos antepassados, os quais (honrosamente) nos deixou um legado de bons livros, boas músicas (ai de ti, Babilônia - ops!, Brasil - que hoje tem de ouvir certos "talentos") esculturas e pinturas? E o que não é velho? A falta de história, conhecimento e cultura, o bom gosto ou a atual e nefasta - felizmente não de todos, mas de uma parte considerável da sociedade - ignorância artística-literária? O que, trocando em miúdos, significa o sepultamento de nossos (vários) talentos abundantes, enaltecendo, endeusando assim - com a ajuda de empresários incultos e mercenários, especialmente no "novo" meio musical da Bahia - os pseudos-talentos (?), àqueles que se acham o que não são (cantores e compositores), mas, se tivessem desconfiômetro, não abririam a boca nem para falar, quanto mais "cantar". Estes são os famosos quem, quem, quem? Os fenomenais TALENTOS BUNDANTES. Àqueles mesmos que (em busca do sucesso fácil) nos dão a triste e nítida impressão que os neurônios (deles) - se é que os tem! - foram apropriadamente colocados abaixo da cintura, naquela região glútea onde reside (indecorosamente) toda a força de seu rebolado (apelativo e não belíssimo, sensual, como o das mulatas-passistas) sem nenhuma expressão criativa. Resumindo: triste e decadente é a nação que não vive do seu pasado, dos seus "museus", pois dele vivenciamos o presente e, com certeza, construiremos um futuro bem melhor consertando inúmeros erros.
Grandes brasileiros souberam - ou ainda o sabem, por que continuam entre nós - dignificar a nação dando-nos a oportunidade de conhecer a nossa própria história. Júlio Mesquita - que transformou um pequeno e insignificante tablóide "A Província de São Paulo" no poderoso "O Estado de São Paulo", um dos maiores impérios de comunicação do país - foi um deles.
Nascido em Campinas (SP) em 18 de agosto de 1862, neto do capitão Monteiro, um português que chegou ao Brasil com a corte de dom João VI, Júlio César Ferreira Mesquita foi um nobre de alma e inteligência desde a mais tenra idade. Descobri maravilhas sobre esse cidadão das letras ao pesquizar sua vida e me impressionou bastante o relato que, ainda na escola primária - olhem que generosidade! - reuniu os colegas tão ricos como ele para comprar sapatos para um outro (pobre) que ia com a mesma bota furada todos os dias. Abolicionista, republicano - a nação que hoje somos devemos também a ele - Mesquita estudou Direito no Largo de São Francisco, na capital paulista, e não foram poucas as vezes que invadiu fazendas para libertar escravos. Formou-se em 1883 e logo abriu um escritório, mesmo não sentindo-se atraído pela profissão. O destino, misterioso e surpreendente, tinha planos para aquele homem, o qual havia nascido para escrever e não advogar; não demorou muito e ele foi convidado para redigir artigos mensais na Gazeta de Campinas, trabalho pelo qual se sentiu imediatamente fascinado, abraçando com extrema devoção o mundo das letras. Decidido a se tornar um operário da cultura, transferiu-se juntamente com Lúcia de Cerqueira Cesar, sua esposa, para a capital. Foi aí, então, que em 1885 começou a escrever artigos para A Província de São Paulo e no ano seguinte - nada como um dia após o outro com o talento (de poucos) no meio - já era redator político, indiferente às críticas negativas dos "colegas" de profissão, tão invejosos como medíocres do alto de seus pedestais de "experientes". Em 1888 se tornou sócio do jornal e dois anos depois mudou o nome (definitivamente) para O Estado de São Paulo. Com o sucesso, Mesquita se elegeu (o mais votado) vereador em Campinas pelo Partido Republicano, enquanto nas páginas do jornal decidiu se manter anônimo escrevendo sem assinar em várias seções. Justificava essa decisão com a (uma dentre várias) célebre frase: "não quero confundir o leitor. Minha opinião é minha opinião (teria sido ele o patrono dos atuais colunistas?), a do jornal é outra coisa". Não demorou muito e suas crônicas excelentes publicadas n'O Estado foram reunidas num livro. Elegantemente recusou a homenagem dizendo que elas (as crônicas) saíram sem sua assinatura e, portanto, pertenciam ao jornal, não a ele. Logo a seguir mandou recolher todos os exemplares do livro que estavam nas bancas. Doente, em 1887, foi morar na Europa, mas enviava regularmente seus artigos de Lisboa.
Outra frase de Júlio Mesquita, a qual poderia muito bem ser aplicada hoje em dia: " Temos que reconhecer que isso não é uma República, ou melhor, a República não é isso"... (?)... Por tal razão, extremamente decepcionado com o que estava acontecendo na política, juntou-se ao colega Ruy Barbosa e deflagrou nas páginas d'O Estado (já pensou se houvesse a rapidez da internet naqueles idos?) uma campanha contra o governo do Marechal Deodoro, nosso primeiro presidente. Morreu aos 65 anos, em 15 de março de 1927, deixando, como último artigo, um elogio a criação do Partido Democrático. Seus herdeiros, Francisco e Júlio de Mesquita Filho, assumiram a direção de O Estado de São Paulo.
Dizer o que deste grande homem, visionário e realizador, que soube - incansávelmente, dia após dia - tirar leite das pedras com muito sacrifício, obstinação e "nadando contra a corrente" daqueles que torciam para que ele não desse certo? Deus é justo, não deu talento à toa a ninguém, e respondeu à altura com a vitória de dr. Júlio como um dos mais letrados do país. Sua biografia é uma verdadeiro alerta, um incentivo para tantas pessoas que estão na profissão errada. O estudo é extremamente necessário, mas precisamos - antes de desejar (a qualquer custo) o diploma - saber se estamos aptos para ele, se estamos fazendo a escolha certa, se somos capacitados para tal profissão. O (verdadeiro) talento para escrever, o dom de saber usar (e juntar) as palavras vem de berço. A escola nos aprimora, dá as técnicas para que sejamos capazes de desempenhar um bom papel no teatro (real e fictício) das letras. Feliz é quem sabe "unir o útil ao agradável". (Se é que me entendem!)...
Au-revoir para todos que me criticam ou aplaudem. Na próxima quinta-feira, se Deus quizer, aqui estarei. Eu aqui e vocês daí. C'est la vie!
SANFERR, 01.09.2011
a ESFINGE:
"Sou um livre pensador, sempre o fui e espero morrer assim".
"Sou um livre pensador, sempre o fui e espero morrer assim".
JÚLIO CÉSAR FERREIRA MESQUITA (1862-1927) advogado, intelectual e fundador do jornal O Estado de São Paulo.
de SANFERRPRESS para todos os leitores e colaboradores (patrocínios e doações):
Reitero meus sinceros agradecimentos ao apoio que todos vocês vem dando ao meu trabalho de uma forma tão gentil, carinhosa, principalmente por SMS, e-mails e telefonemas. Sem vocês a coluna SANFERRPRESS hoje não teria a repercussão que está tendo dentro e fora do Brasil, nas comunidades brasileiras. Obrigado!
Só que, mais uma vez, eu peço - num apelo direcionado àqueles que, corajosamente, publicam seus comentários semanalmente - que abstenham-se de fazer referências à minha pessoa, pois sinto-me constrangido, encabulado. Sei que gostam dos meus artigos e fico feliz ao receber suas mensagens de congratulações por meio privado. Mas, por favor, meus amigos, nos comentários públicos, escrevam apenas sobre as personalidades que tenho a honra e o prazer de homenagear.
Um forte abraço deste amigo que também os ama e admira. Deus proteja à todos.
SANFERR, 01.09.2011
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